
As babás de Nova York a cada dia lotam os parques da cidade - que vive uma explosão demográfica - com seus carrinhos e bebês, mas agora estão sob vigilância. Alguém as observa. Estão tratando bem as crianças de que cuidam? Estão atendendo às necessidades delas? Ou passam o tempo papeando com as demais babás?
No dia 19 de outubro, alguém escreveu no blog que, um dia antes, havia visto nas balanças do Lincoln Towers, em Manhattan, um bebê "de entre 12 e 15 meses, chamado Max, acompanhado por uma babá bem robusta, negra, com cabelos grandes e arrepiados". O relato prossegue: "Ela ignorava completamente o bebê, e falava sem parar ao celular. O pequeno Max estava precisando de ajuda, mas foram as outras babás e os pais presentes que acudiram". E o vigilante conclui: "Contrate uma babá melhor. Max merece".
O site oferece dezenas de denúncias como essa. Os visitantes estão convidados a descrever a babá, a criança, o local e o incidente. O relatório se assemelha a um boletim de ocorrência policial, embora a identidade de quem faz a denúncia nunca seja revelada.
O blog veio se somar a outras páginas nas quais os pedestres da cidade denunciam os cidadãos com os quais dividem as ruas por toda sorte de comportamento indevido. No platewire.com, por exemplo, as denúncias são contra os motoristas imprudentes. E no caughtya.org, os vigilantes denunciam pessoas que estacionam em vagas reservadas a deficientes.
Em entrevista ao New York Times, Danyse Kapelus, fundadora de uma agência de babás, comparou o sistema do isawyournanny.com ao da Stasi, a polícia política da antiga Alemanha Oriental, que contava com dezenas de milhares de informantes na população. A acusação foi classificada como cruel pela criadora do site, que se identifica pelo pseudônimo Jane Doe. Ela diz que em Nova York, onde transcorrem a maioria dos casos denunciados, a lei obriga os profissionais da saúde e educação a denunciar casos de maus tratos contra crianças que venham a testemunhar.
Doe, que trabalhou como babá, decidiu criar o blog quando encontrou emprego como assistente pessoal de uma mulher que tinha filhos. Uma de suas tarefas era ajudá-la a selecionar uma babá. Depois de um dia de experiência com uma das candidatas, o filho mais velho se queixou de que a mulher havia beliscado seu braço, e mostrou a marca. Doe diz que "foi quando eu percebi que a babá pode se comportar de uma maneira diante dos pais e de outra com as crianças".
Apesar de todo o destaque que o site conquistou na mídia, as denúncias veiculadas só custaram o emprego a duas babás, de acordo com a criadora do blog. As famílias também usam câmeras instaladas em suas casas para controlar o comportamento das babás, e uma antiga fiscal de estacionamento criou um sistema sob o qual carrinhos de bebê são emplacados, a um custo de US$ 50 ao ano, o que permite identificar a vítima para denúncias.
Entre 2000 e 2005, o número de bebês menores de cinco anos cresceu 32% em Manhattan. Algumas das babás, muitas das quais imigrantes, estão começando a reagir à vigilância, e usam o blog para denunciar a exploração que sofrem no trabalho. Aliás, surgiu um blog chamado "isayyourmommy.com", com o objetivo de recolher denúncias contra as mães abusivas ou negligentes. Todo mundo é igualmente suspeito.
La Vanguardia
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Divulgação
Mães podem procurar no blog relatórios sobre a babá que pretendem contratar
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