
Atualizada às 14h11
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"Até mesmo quando eu parei de ir para a escola e ficava em casa, meu telefone continuava avisando que eu recebera emails constrangedores", disse Makoto, que se tornou anoréxico e raramente saiu de seu quarto por meio ano depois que se tornou alvo do cyber bullying, ou agressão virtual.
Makoto, agora com 19 anos e trabalhando como cabeleireiro, disse que colegas postavam fotos dele na web com insultos e lhe mandavam emails a qualquer hora do dia dizendo para ele morrer. Ele tentou o suicídio duas vezes. "Quando as pessoas lhe dizem que sua vida não vale a pena ser vivida, você começa a pensar assim", disse Makoto, que pediu para que seu sobrenome ficasse anônimo. "Não posso mais acreditar nos seres humanos", disse.
O bullying - alunos tratando mal a outros alunos - nas escolas japonesas, assim como em outros países, tem passado para o mundo hi-tech nos últimos anos. Cerca de 10% dos alunos de segundo grau disseram que foram assediados por email, sites ou blogs em uma pesquisa recente feita pelo Conselho de Educação da Prefeitura de Hyogo.
O cyber bullying é uma tendência global, mas o anonimato que oferece aos perpetradores pode ter significado adicional no Japão, onde a norma cultural dispõe que confrontos sejam evitados, disse Shaheen Shariff, pesquisador que comanda o International Project on Cyber Bullying, na Universidade McGill, do Canadá. "Os jovens são controlados demais? Sofrem pressão demais pelo sucesso acadêmico? Dispõem de um caminho para expressar seus sentimentos, esses tabus?", questionou Shariff.
A maioria do cyber bullying no Japão, onde 96% dos alunos de segundo grau têm telefone celular, é feito através de aparelhos com conexão à Internet. Métodos comuns incluem enviar emails com fotos da genitália da vítima para colegas e publicar insultos em sites da escola.
Especialistas dizem que o bullying moderno é muito mais difícil para pais e professores policiarem do que o abuso físico, por causa do anonimato no meio virtual e da falta de conhecimento técnico. "Escolas com freqüência não têm professores com conhecimento em Internet, e pais não conseguem controlar o que acontece no mundo virtual", disse Yasukawa do Conselho Nacional de Conselho da Web. "Ninguém sabe o que está acontecendo."
Reuters
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