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Quinta, 15 de novembro de 2007, 18h18

IGF 2007: especialistas discutem os crimes na web

A Internet é uma ferramenta poderosa para a livre expressão e discussão, mas estas liberdades também ajudaram a pornografia infantil, predadores sexuais, terroristas e outros tipos de cibercriminosos. O Internet Governance Forum (IGF), conferência que se encerrou hoje no Rio de Janeiro, reuniu durante quatro dias cerca de 2 mil representates da indústria da tecnologia, governos e da sociedade civil para discutir assuntos importantes da rede global.

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Especialistas em computação, juristas e provedores presentes na IGF 2007, debateram como balancear os problemas em um mundo cada vez mais globalizado e digital. "A lei sempre foi um produto da sociedade refletindo padrões de uma comunidade", disse Markus Kummer, que preside o Internet Governance Forum. "Isto entra em conflito, de muitas formas, com a natureza sem fronteiras da Internet", disse.

O cibercrime foi um tópico importante na quarta-feira, depois que o primeiro ministro britânico Gordon Brown disse em Londres que pediria que empresas de tecnologia e Internet ajudassem a parar a distribuição online de propaganda terrorista como parte de um plano para combater extremistas.

Especialistas, entretanto, questionaram o quão efetiva seria esta medida no combate ao terrorismo. É uma proposta de censura e, com este tipo de proposta, sempre haverá gente que é contra", disse John Gage, vice-presidente e pesquisador chefe da Sun Microsystems. "É uma dessas coisas que será muito difícil para implementar. Pessoas de inteligência não estão tão interessadas no que está sendo dito quanto quem está falando", falou.

Steve DelBianco, diretor executivo da NetChoice, uma coalizão de empresas de comércio eletrônico disse que o governo britânico estaria melhor se focasse em ameaças online tangíveis, como os ciberataques que derrubaram computadores na Estônia. "O ataque na Estônia foi só o começo", disse. "um ataque no sistema bancário pode causar verdadeiras perdas financeiras. Um ataque em sistemas críticos como o de água ou linhas de trem podem ser devastadores", falou.

A maioria das discussões foi sobre pornografia infantil e outros conteúdos impróprios. "Se alguém tivesse que dirigir 500 milhas para ir a um lugar escuro para conseguir pornografia infantil antigamente, agora através da Internet é tudo mais fácil", disse Marco Gercke, conselheiro do Conselho Europeu e professor de direito da Universidade de Cologne. "Na Internet você pode esconder sua identidade, encriptar e proteger seu comportamento", disse.

Gercke disse que a comunidade legal ainda está tentando se certificar que medidas de combate ao cibercrime não interfiram nos direitos de usuários. Ele disse que pode levar até 50 anos para ter um sistema eficiente. "Juristas estão tentando resolver vários desafios legais e eu acho que estão muito longe do que eu acho ser justo", disse.

AP

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