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Eletrônicos
Terça, 20 de novembro de 2007, 10h03  Atualizada às 10h13
Amazon pode revolucionar leitura com livro eletrônico
 
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Jeff Bezos, fundador do site de varejo na Internet Amazon, e que construiu império vendendo livros na Internet, acredita que as páginas de papel têm os dias contados, e que o futuro pertencerá ao livro digital.

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Bezos apresentou nesta segunda-feira o leitor de livros eletrônico Kindle, que por alguns analistas já é comparado ao iPod da Apple, e com o qual Amazon espera popularizar os livros digitais.

Com um custo de US$ 399 nos Estados Unidos, Kindle permite armazenar até 200 livros e escolher entre uma variedade de 90 mil títulos à venda em sua loja online, além de assinaturas dos principais jornais e revistas do país e mais de 300 blogs.

A grande novidade é que Kindle tem conexão sem fio à internet, o que possibilita aos leitores baixar conteúdo da rede em qualquer lugar e, além de ler, consultar e-mails.

Nos leitores de livros eletrônicos anteriores, o usuário precisava estar conectado a um computador, para o qual deveria baixar o livro, para em seguida transferi-lo ao aparelho leitor.

Kindle foi projeto de desenvolvimento da Amazon durante três anos. A idéia era de que o aparelho passasse a um segundo plano, para permitir ao usuário desfrutar da leitura, assim como acontece com os livros físicos.

Quando se lê um livro "a tinta e o papel se esmaecem e o que fica é a palavra do autor. Nosso principal objetivo era conseguir que Kindle desaparecesse nas mãos", disse o fundador do Amazon. De acordo com a empresa, a tela do leitor é tão simples de ler quanto o papel, pois utiliza partículas de tinta reais, reflete a luz como o papel comum e não brilha como as telas de outros aparelhos eletrônicos.

Para estimular os compradores, o Amazon baixou para US$ 9,99 o preço do download de muitos dos títulos mais vendidos. No passado, alguns títulos em versão digital custavam o mesmo que suas edições em papel.

No entanto, alguns especialistas são céticos com relação às possibilidades de sucesso do Kindle e se perguntam se os leitores estão realmente preparados para esquecer o contato das páginas de um livro e começar a ler romances em uma tela de seis polegadas.

As primeiras tentativas de popularizar os leitores de livros eletrônicos chegaram ao final dos anos 90 com o RocketBook e o SoftBook Reader, duas invenções que passaram despercebidos por serem incômodas ao leitor e pela pouca oferta de títulos.

Mais sucesso tiveram lançamentos recentes como o Reader, da Sony, colocado à venda há um ano, que utiliza uma nova tecnologia que torna muito mais agradável a leitura em sua tela. Embora a Sony não tenha divulgado o número de vendas, seu sucesso deve ter sido pelo menos aceitável, já que o grupo lançou em outubro uma nova edição pelo mesmo preço, - US$ 300 nos EUA -, mas com novas funções.

No setor editorial, responsável pela movimentação de US$ 35 bilhões anuais, tanto as editoras como o varejo já se preparam para uma possível era "pós-Gutenberg" e já aumentaram sua oferta de livros digitais.

A editora Random House, por exemplo, planeja oferecer 6,5 mil títulos em formato digital para o próximo ano, quase o dobro do que dispõe atualmente.

Já a Barnes & Noble, uma das principais redes de livrarias americanas, anunciou que oferecerá em sua página na internet o texto integral de boa parte de seus títulos à venda e que não descarta desenvolver, inclusive, um leitor de livros digitais próprio.

Se estes leitores se popularizam, qual seria o futuro das editoras em um mundo de livros digitais baratos e fáceis de baixar da web? Ao contrário do que pode parecer, muitos especialistas acham que aparelhos como o Kindle abrem muitas oportunidades para estas empresas.

Bezos acredita que os ciclos editoriais seriam encurtados, porque não seria necessário imprimir fisicamente os livros e os custos cairiam. Isso permitiria reduzir os preços - uma das principais queixas de muitos leitores - e encorajar mais gente a ler. Somente 57% dos americanos lêem pelo menos um livro ao ano e este número é cada vez mais baixo.
 

EFE

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