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Terça, 20 de novembro de 2007, 10h56 Atualizada às 11h02

Palm ressuscita e aposta em novos aparelhos móveis

O sucesso que o Apple iPhone vem obtendo e a perspectiva de uma aliança de telefonia móvel comandada pelo Google causou mudanças de estratégia no setor de comunicação sem fio. Se não em todos os segmentos, ao menos no mais dinâmico e rentável deles, o dos celulares inteligentes (que acrescentam recursos de correio eletrônico e acesso à Internet aos aplicativos mais comuns do setor). Os fabricantes se esforçam por encontrar espaço em um setor que prevê crescimento anual da ordem de 30% ao ano pelos próximos cinco anos.

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Nokia e Blackberry lideram o mercado, mas a Palm, uma marca histórica, demorou a despertar: só no mês passado o grupo apresentou na Europa seu novo modelo de baixo preço, o Treo 500v, comercializado pela Vodafone. O Treo 500 é o segundo modelo Palm que funciona com o sistema operacional Windows Mobile, adotado depois que a empresa decidiu deixar de lado seu sistema operacional próprio. O aparelho oferece navegação em redes de telefonia móvel de terceira geração (3G) e está equipado com teclado qwerty completo para correio eletrônico e programas de mensagens instantâneas; também permite o acesso a documentos em formato Word, Excel e .PDF.

De acordo com Belén Enseñat, da filial espanhola da Vodafone, essas qualidade e o preço do modelo "o tornam atraente para um grupo crescente de consumidores que procuram a mesma facilidade de uso da qual nossos clientes empresariais desfrutam". Para essa categoria de usuários, o setor importou um neologismo, prosumer (professional + consumer). O analista Ken Dulaney, do grupo de pesquisa Gartner, elogia a virada da Palm, embora advirta que a empresa não dispõe de qualquer margem de erro. "Ela está disputando um mercado ferozmente competitivo, e precisa encarar rivais mais poderosos".

Jessica Figueras, da consultoria Ovum, também considera que a aliança com a Microsoft foi a decisão certa para o grupo. A Palm há muito tempo promete modelos que operariam com uma variante do sistema operacional Linux, mas a chegada do Google ao mercado causa dúvidas sobre a viabilidade da idéia, a menos que a empresa opte por se unir à nova coalizão de fabricantes. Mas ainda assim seria preciso que encontrasse um traço de diferenciação.

A tarefa de restaurar o brilho da Palm cabe ao fundo de investimento Evolution Partners - cujo sócio mais notório é Paul Hewson, mais conhecido como Bono -, que adquiriu o controle da empresa este ano. O novo presidente-executivo do grupo, Jon Rubinstein, chega com fama de ter sido o criador do iPod, e convocou outros veteranos da Apple para acompanhá-lo na nova empreitada.

Os consultores assinalam com unanimidade que, em um mercado volátil, a Palm caiu no sono: no final dos anos 90, o grupo inventou o organizador pessoal Palm Pilot, que popularizou essa categoria de aparelhos ¿ a qual, no passado, costumava ser identificada por sua marca -, mas perdeu terreno quando os organizadores pessoais e os celulares foram combinados em um aparelho único. Em fevereiro deste ano, a empresa optou por não entregar seu controle a outro fabricante ¿ Motorola? Microsoft? - e agora a renovação é o único caminho que lhe resta, na opinião de Dulaney.

La Vanguardia

Divulgação
Smartphone que roda Windows Mobile é a aposta da Palm para retomar o mercado
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