
Atualizada às 16h52
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A disposição das empresas quanto a apostar muito dinheiro na aquisição de freqüências demonstrará, em parte, sua confiança no mercado comercial para serviços em uma faixa específica do espectro de radiocomunicação, a versátil banda de freqüências ultra-altas (UHF) da ordem de 700 megahertz.
A confiança dessas empresas certamente seria menos forte ¿ e suas ofertas possivelmente mais baixas - caso a alteração no uso dessa faixa de freqüências não tivesse sido aprovada na semana passada pelos mais de 150 países representados na Conferência Mundial de Radiocomunicação, um evento que acontece a intervalos de alguns anos com o objetivo de definir regras internacionais sobre a melhor maneira de explorar as freqüências mundiais de radiocomunicação, um recurso público finito. O Google anunciou que pode ser que tente adquirir freqüências de comunicação nos Estados Unidos, no leilão de janeiro. O prazo para inscrições no leilão se encerra em 3 de dezembro.
Porque a conferência resultou em consenso mundial, essa confiança também deve se estender a outras regiões do mundo. Nos termos negociados durante a conferência, os países poderiam usar as freqüências da faixa de 700 megahertz para fins de IMT, a sigla que o setor emprega para designar serviços de banda larga móvel tais como celulares, TV para aparelhos móveis ou acesso sem fio à Internet em modo WiMax ¿ ainda que o prazo para essa transição deva ser definido de país a país.
"A maioria dos profissionais do setor acredita que essa decisão virá a ser muito importante, no futuro, em termos da possibilidade de oferecer novos serviços e novas tecnologias a consumidores de todo o mundo", disse Richard Russell, que comandou a delegação norte-americana de 150 integrantes, da qual faziam parte representantes do governo e do setor de telecomunicações.
As conclusões da conferência, conduzida sob os auspícios da União Internacional de Telecomunicações, uma agência subordinada das Nações Unidas, têm peso semelhante ao de um tratado internacional sobre o assunto.
A redesignação de freqüências foi tornada possível porque as transmissões de TV digital requerem muito menos banda do que as transmissões analógicas, no momento o principal uso para a faixa de freqüências dos 700 megahertz. À medida que os países adotarem o sistema digital de transmissão de TV, ao longo dos próximos 10 anos, essa valiosa porção do espectro UHF se tornará disponível para outros usos. A Suécia já completou a transição para o uso de sinais digitais de TV, os Estados Unidos farão o mesmo até 2009, a maioria dos países da Europa deve concluir o processo em 2010 e a Coréia do Sul em 2012, por exemplo.
Ainda que a Conferência Mundial de Radiocomunicação tenha sido encerrada na sexta-feira com uma expressão de concórdia mundial quanto à harmonização do uso dessa faixa de freqüências para comunicação móvel, em todo o mundo, nem todos os participantes consideram que a decisão foi correta.
A União Européia de Televisão e Rádio, por exemplo ficou decepcionada por a União Internacional de Telecomunicações ter autorizado a transferência das freqüências UHF para outros usos antes de conhecer os efeitos de interferência que podem surgir quando essa porção do espectro começar a ser compartilhada com as transmissões digitais de TV. O grupo europeu preferiria que a conferência estudasse as conseqüências previamente e esperasse até sua nova edição, em 2011, para tomar uma decisão. "Teríamos gostado de realizar esses estudos primeiro e em seguida promover a mudança", disse Lieven Vermaele, diretor técnico do grupo europeu. "Agora, temos a situação inversa".
Embora a Europa tenha, por fim, concordado em identificar as freqüências da faixa de 700 megahertz como área reservada à banda larga móvel, anunciou também que não permitiria que essa porção do espectro fosse utilizada para o novo fim antes de 2015. A região que abarca Europa, Oriente Médio e África conduziu uma redistribuição de seu espectro de freqüências no ano passado, e o prazo mais longo permitirá que promova a conciliação entre os interesses das operadoras de TV e rádio e as companhias de comunicação móvel, na disputa por freqüências de alta qualidade.
Na conferência, uma coalizão formada por todos os países das Américas pressionou e obteve a aprovação de um compromisso quanto à alocação do espectro, cedendo à cláusula que deixaria às autoridades regulatórias de cada país determinar o cronograma para a transição de freqüências. Boa parte da Ásia ¿países como China, Índia, Coréia do Sul e Japão- aderiu à proposta dos países americanos.
"Por conta dessa conferência, os países de todo o mundo agora terão flexibilidade para abrir o espectro ao uso das empresas de comunicação sem fio no momento que lhes for mais conveniente", disse Russell, o líder da delegação norte-americana.
"Porque temos porções muito amplas do espectro abertas para tecnologias de banda larga sem fio, em todo o mundo, o mercado para essas tecnologias e serviços será ampliado e beneficiado", disse Russell. "Hoje, há muito mais certeza quanto ao assunto do que era o caso no momento em que a conferência foi iniciada".
Herald Tribune
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