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Eletrônicos
Quinta, 22 de novembro de 2007, 16h28  Atualizada às 16h27
Análise: Kindle precisa mais bateria
 
Peter Svensson
 
Divulgação
Bateria dura apenas dois dias com a função de celular ligada
Bateria dura apenas dois dias com a função de celular ligada
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Fazer um leitor de livros eletrônicos de sucesso é uma das tarefas mais difíceis no mercado atual. Muitos tentaram e até hoje todos falharam, derrotados por uma invenção com milhares de anos: o livro.

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Esta semana, a Amazon lançou o Kindle, a melhor tentativa até agora de desafiar o livro. É em muitos aspectos um dispositivo impressionante, mas acaba perdendo muito na péssima bateria, tornando difícil acreditar que o Kindle será um divisor de águas.

A genialidade do Kindle, vendido a US$ 399, é a inclusão de um telefone celular dentro do dispositivo, que é do tamanho de um livro convencional, entretanto mais fino. Através de um modem, o Kindle pode remotamente baixar livros, revistas, jornais e blogs - por uma taxa - em qualquer lugar que haja cobertura da Sprint Nextel. Não é necessário pagar uma assinatura para a empresa telefônica, a Amazon cuida disso.

A Amazon possui 90 mil livros eletrônicos em sua loja. Um best seller como o livro de receitas Deceptivly Delicious, de Jessica Seinfeld, custa US$ 9,99 e leva menos de um minuto para baixar no aparelho, se o sinal estiver bom.

No total, 11 jornais estão disponíveis, incluindo The New York Times, The Washington Post e San Jose Mercury News. Se você assinar um, ele chega automaticamente ao aparelho todos os dias de manhã. Os jornais têm poucas fotos e gráficos, mas percebi que consegui ler muito mais do Times no Kindle por causa da facilidade de manuseio dentro de um metrô lotado.

O Kindle pode armazenar até 200 livros com sua memória interna, que pode ser expandida com cartões SD. O aparelho também reproduz música e audiobooks, entretanto estes ocupam muito mais espaço na memória.

O texto aparece na tela de seis polegadas, que utiliza tecnologia de "tinta eletrônica", chamada de e-ink. É uma reprodução razoável de tinta no papel, com exceção que o papel é cinza e não branco. É bastante legível, mas com algumas limitações. Por exemplo, só existem quatro tonalidades de cinza no aparelho, fazendo imagens parecerem como se fosse fotocopiadas.

Além da legibilidades, o grande benefício do e-ink é que consome muito pouca energia. Na verdade, nenhuma energia é utilizada enquanto a página é mostrada, apenas quando se muda de imagem. O Sony Reder, lançado no ano passado, utiliza a mesma tecnologia e diz que uma única carga pode durar 7,5 mil páginas lidas, ou seja, semanas e semanas de uso.

Em contraste, o Kindle durou apenas 24 horas para mim, incluindo as duas horas de leitura. A Amazon disse que este caso não é típico, e o aparelho deveria durar cerca de dois dias entre cargas.

Mas isto ainda não é suficiente, e eu acho que tem algo errado aí. Combinar uma grande bateria, uma tela que praticamente não consome energia e um celular que não efetua chamadas não deveria resultar em um dispositivo que tem menos que a metade da bateria de um telefone celular.

O modem pode ser desligado através de um botão externo, e a Amazon disse que com ele desligado o aparelho deve funcionar por uma semana sem recarga. Eu não tive todo este tempo para testar o Kindle, mas não quero ter que ficar lembrando de ter que ligar o modem quando é hora de baixar o jornal do dia e depois desligá-lo novamente. Eu sei que esqueceria sempre e teria uma bateria vazia no dia seguinte quando fosse ler o jornal.

É uma pena já que o Kindle faz todo o resto tão bem.

O Reader da Sony é difícil de navegar porque a velocidade da tela de e-ink é lenta. O Kindle tem uma tela secundária para contornar o problema. A Amazon se esforçou muito para fazer a troca de páginas fácil que acabou exagerando. É difícil segurar o dispositivo sem virar a página em função dos grandes botões.

É possível também ler seus próprios documentos no Kindle, apesar da função ser limitada. Ao conectar o aparelho no computador, é possível transferir documentos de texto simples. Se você quiser transferir documentos do Word ou PDFs é necessário enviar o arquivo para a Amazon, que converte e envia diretamente para o Kindle, a um custo de US$ 0,10 por documento. No meu teste alguns PDFs não ficaram muito bem na conversão.

Mas a real razão pela qual não recomendo o Kindle é o problema da bateria. É possível que a Amazon possa arrumar isto, como um upgrade de software, já que a vida da bateria é muito mais curta que a garantia do aparelho. Senão, teremos que esperar uma próxima tentativa para um ótimo leitor de e-books.
 

AP

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