
Norberto Gallego
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A primeira oferta da Tom Tom, em julho, era de 21 euros por ação, mas a rival Garmin entrou na parada e a forçou a pagar 30 euros por ação, em dinheiro. No final, todos saíram contentes: os acionistas da Tele Atlas, que durante anos suportaram perdas; a Tom Tom, que atingiu seu objetivo; e a Garmin, que forçou alta de 20% no montante desembolsado pela concorrente.
A cartografia digital é, na prática, um duopólio controlado por Navteq e Tele Atlas. Ainda que o serviço oferecido tenha lacunas de cobertura na Europa Oriental e em partes da Ásia e da América Latina, os recursos de que elas dispõem agora permitirão que adquiram pequenas empresas locais.
O controle desse mercado é essencial ao desenvolvimento de novos serviços baseados em localização geográfica mais precisa. Até o momento, os dispositivos de posicionamento por satélite (GPS), portáteis ou montados em veículos, se limitam a orientar o usuário em trajetos entre um e outro ponto do mapa. Os bancos de dados acumulados pela Navteq e Tele Atlas durante anos oferecem muito mais recursos, e é isso que interessa aos novos proprietários de ambas.
Este ano, foram vendidos 162 milhões de celulares equipados com GPS, número oito vezes superior ao da soma dos navegadores da Garmin e da Tom Tom. Em 2011, o número deve subir a 444 milhões de unidades, para os celulares, mas as vendas de navegadores independentes não crescerão muito, de acordo com Tina Teng, da consultoria iSuppli, que delineia um futuro semelhante ao que surgiu para os organizadores pessoais (PDA) quando surgiram os celulares inteligentes. Outros analistas não consideram que as coisas estejam assim tão definidas: os players de música continuam a ser vendidos, ainda que essa função também tenha sido integrada aos celulares.
Os novos celulares tendem a incorporar o GPS graças à queda no preço dos chips que processam sinais de satélites. A Nokia lidera a tendência: em fevereiro, apresentou seu primeiro celular capaz de baixar mapas, o N6110, e prepara novos modelos equipados com o software Navteq, tendo em vista objetivos ambiciosos.
Diferentemente dos celulares que permitem acesso a mapas armazenados na Internet ¿ como os do Google e Yahoo -, os da Nokia integram a informação para oferecer serviços em tempo real, e as receitas desses serviços serão compartilhadas com as operadoras.
Há muitos serviços possíveis, com base na localização em mapas de lojas, restaurantes, estacionamentos, caixas automáticos e outros pontos de interesse ¿ por exemplo o posicionamento de radares de trânsito. O segmento ganhou até uma sigla em inglês, LBS, para location based services, mas será preciso promover acordo entre muitos interessados diferentes, se o objetivo é que eles se tornem fonte de lucro.
É uma grande fonte de publicidade inexplorada, e os gigantes da Internet sonham criar aplicativos que permitam segmentar anúncios com base na localização dos usuários que fazem consultas via celular. Por meses correu o boato de que o Google planejava adquirir a Navteq, que fornece seu serviço GoogleMaps. Ou o boato não procedia ou a Nokia agiu para esvaziar o plano.
La Vanguardia
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Divulgação
O Nokia 6110, lançado em fevereiro, tem GPS e mapas para se localizar na cidade
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