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Internet 10 anos


 

Celular & Wireless
Quarta, 28 de novembro de 2007, 09h24 
EUA: web móvel segue tão distante quanto inevitável
 
Michael Fitzgerald
 
The New York Times
Celulares rodam softwares como o Zumobi
Celulares rodam softwares como o Zumobi
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Teoricamente, a Internet móvel vive o maior agito. Temos o iPhone em toda a sua glória. Mais de 30 empresas aderiram à Open Handset Alliance criada pelo Google, cujo objetivo é promover um ambiente aberto de desenvolvimento de software para a telefonia móvel. A Nokia, que controla quase 40% do mercado mundial de celulares, está adquirindo uma série de empresas de tecnologia para a web e ofereceu espantosos US$ 8,1 bilhões pela Navteq, uma empresa de mapeamento digital. E há as empresas iniciantes obrigatórias lutando pelo mercado. Tudo parece bom, mas o setor de comunicação sem fio tem cara de novela e, por enquanto, o uso generalizado da web móvel continua tão distante quanto inevitável.

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Em 2000, o protocolo de comunicação wireless deveria ter levado a Internet aos celulares, mas os resultados práticos foram pífios. O problema foi atribuído à falta de redes de telefonia móvel de alta velocidade para transmissão de dados, de modo que surgiu um esforço frenético e dispendioso pela criação de redes de terceira geração, ou 3G. Mas em uma conferência recente, a telefonia 3G foi definida como "fracasso" por Caroline Gabriel, analista da Rethink Research. Segundo ela, a transferência de dados responderia por apenas 12% da receita por usuário em 2007, o que fica bem abaixo das projeções de 50%. (Os 12% não incluem mensagens de texto, mas redes 3G não são necessárias para o envio de mensagens de texto).

De maneira semelhante, levantamentos do Yankee Group, uma companhia de pesquisa sediada em Boston, demonstram que apenas 13% dos usuários de celulares na América do Norte usam seus celulares para navegar na Web mais de uma vez por mês, enquanto 70% dos computadores do país são usados todos os dias para acesso à Web.

"A experiência dos usuários foi desastrosa", diz Tony Davis, sócio diretor da Brightspark, uma empresa de capital para empreendimentos, em Toronto, que investiu em duas companhias de web móvel.

Embora muitos celulares ofereçam alguma forma de acesso à web, a maioria dos aparelhos é difícil de usar - para começar, é quase impossível encontrar o lugar onde se deve digitar o endereço do site. E, mesmo que você chegue ao site procurado, o conteúdo para web não funciona bem em celulares. Até mesmo o browser do iPhone pode decepcionar. O celular da Apple vem equipado com uma versão do browser Apple Safari que não aceita a linguagem Flash, usada em muitos sites, de modo que o usuário fica limitado em seu uso da Internet.

Além disso, surfar a web móvel custa muito caro. Lewis Ward, analista da IDC, compara a web móvel de hoje à America Online antes que esta adotasse taxa única de serviço, no começo dos anos 90. A maioria das pessoas paga pelo acesso de celulares à Internet em base de volume de dados recebido, o que as encoraja a passar o menor tempo possível online, ele diz.

As operadoras de telefonia móvel parecem estar mudando de postura quanto à web móvel, porém. A AT&T ofereceu à Apple um grau incomum de controle sobre sua rede, no caso do iPhone, e a Sprint e a T-Mobile adotaram a plataforma Android e aderiram à Open Handset Alliance.

Os observadores do setor acreditam que, depois de superar um início complicado, a web móvel inevitavelmente se abrirá nos próximos cinco anos, resolvendo muitos dos atuais problemas.

Soluções
Um deles, por exemplo, é como fazer buscas na web com um celular. John SanGiovanni, fundador e vice-presidente de produtos e serviços na Zumobi (antes conhecida como ZenZui), uma empresa criada pela Microsoft Research, diz que sua companhia espera facilitar aos usuários de celulares a busca de sites de Internet que funcionem em seus aparelhos. O grupo planeja iniciar o teste de seu elegante software em 14 de dezembro. O sistema incluirá "placas" coloridas que permitirão zoom rápido pelos usuários, em seu movimento de site a site. (As placas se assemelham aos widgets do iPhone ou aos ícones de um computador.)

A Zumobi espera que os usuários de celulares adotem seu sistema como porta de entrada para a web; a empresa oferece um padrão com 16 dessas placas, direcionadas a informações de apelo generalizado, mas os usuários podem definir o que cada uma delas representará nas telas de seus celulares. Os criadores de software poderão criar uma dessas áreas ativas - de fato, a Amazon já tem 12 prontas para funcionar - e colocá-las na plataforma da Zumobi. As placas também podem veicular publicidade, o que cria potencial de receita para operadoras e criadores de software.

Outras abordagens quanto à solução de problemas relacionados à navegação da web móvel incluem o Yahoo Go, um produto para Internet móvel que poderá exibir páginas de web corretamente em mais de 300 celulares, e uma proposta da InfoGIN, uma companhia israelense cujo produto adapta as páginas de web automaticamente às telas de celulares.

Há tempo de sobra para outras reviravoltas na trama da novela. Nathan Eagle, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, está trabalhando em programação de celulares no Quênia, onde vem ensinando estudantes de ciência da computação a criar aplicativos para a web móvel que não precisem de browser. Em lugar disso, eles usam comandos de voz para controlar a navegação.

"As pessoas falam sobre a web móvel e a suposição é de que ela vá repetir os computadores", afirma Eagle. "Mas tratam-se de aparelhos fundamentalmente diferentes". Segundo ele, a experiência de acesso à web para a maioria dos três bilhões de celulares em operação no mundo não envolverá tentar digitar endereços ou ler e-mails em fonte minúscula. O padrão serão os comandos de voz, ele acredita. "As pessoas vão querer usar seu celular como telefone", diz.
 

The New York Times