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Tecnologia

 
 

Robôs atuam em guerras no Afeganistão e no Iraque

18 de dezembro de 2007 13h52

 Robô equipado com metralhadora já é realidade nas ações militares no Iraque. Foto: Divulgação

Robô equipado com metralhadora já é realidade nas ações militares no Iraque
Foto: Divulgação

Uma das primeiras baixas do conflito no Iraque é o sonho futurista de Donald Rumsfeld, que previa uma guerra de conectividade virtual e de sistemas, de redes de informações que vinculariam as diversas plataformas de armamentos, de tanques a caças-bombardeiros, e facilitariam uma redução drástica nos efetivos humanos das forças armadas. Mas a robótica militar foi adotada extensamente, e com sucesso, nas guerras do Afeganistão e Iraque.

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Passados cinco anos, Rumsfeld já não é secretário da Defesa, e o livro de estratégia militar mais em moda nos Estados Unidos é o manual nada tecnológico de combate à insurreição que está sendo seguido pelo general James Petraeus, o comandante em chefe das forças armadas no Iraque.

Se a visão militar de Rumsfeld se provou fantasiosa, em outra área da tecnologia militar do século XXI filmes como Exterminador do Futuro e Eu, Robô já parecem realistas. Há mais de cinco mil veículos militares robotizados no Iraque, a maioria dos quais trabalhando na busca de explosivos; no entanto, número cada vez maior deve ser equipado com metralhadoras ou como plataformas para mísseis.

Na guerra aérea, há mais de mil aviões sem piloto em operação, do Global Hawk, um aparelho de espionagem de elevada autonomia fabricado pela General Atomics, da Virgínia, ao letal Predator, produzido pela Northrop Grumann, multinacional da área de defesa.

"É verdade que a tecnologia de redes não mudou em nada, mas a qualquer momento um Global Hawk pode detectar um alvo e um Predator pode destrui-lo com um míssil. Basta que um operador aperte um botão em Fort Neill, Las Vegas", diz Peter Singer, que trabalha no programa de pesquisa da defesa da Brookings Institution.

Singer alega, em Wired for War, seu livro ainda inédito sobre as novas tecnologias, que, como o tanque e o submarino na Primeira Guerra Mundial, ou a bomba atômica na Segunda, o robô militar será visto como a grande inovação tecnológica da guerra no Iraque. "Não se sabe exatamente como esse equipamento virá a ser utilizado, mas pela primeira vez na história o monopólio humano sobre a guerra foi perdido", ele explicou em entrevista ao La Vanguardia.

Nos planos de combate do Pentágono para o futuro ¿ com um orçamento de US$ 127 bilhões -, cerca de um terço das unidades encarregadas de tarefas como reconhecimento, desativação de bombas, vigilância e espionagem, e ataques selecionados devem ser formadas por robôs, até 2015. E o departamento considera possível ter soldados robotizados em ação em 2035.

No começo da guerra, segundo Singer, havia ceticismo com relação aos robôs. Mas "Iraque e Afeganistão criaram aceitação geral para a tecnologia robótica no comando das forças armadas", disse.

Na gama atual de veículos terrestres sem piloto, existem robôs pequenos que parecem tanques de brinquedo, perfeitos para inspecionar carros-bomba ou, equipados com câmeras, conduzir reconhecimento em terreno perigoso. Outros modelos, maiores, estão equipados com metralhadoras ou lança-mísseis. O Sword System, da Foster Millar, inclui robôs armados com metralhadora que procuram inimigos escondidos como se fossem soldados em uma rua de Falluja.

Já os robôs voadores superam qualquer coisa vista em um filme de James Bond. Outra gigante da defesa, a Lockheed Martin, desenvolveu o Cormorant, um protótipo de avião sem piloto a ser instalado em submarinos. Lançado, o avião flutua até a superfície, decola e ataca com mísseis.

Os robôs militares não se parecem muito com o exterminador do futuro, ainda que haja projetos de trajes que reforçam a potência corporal, a velocidade a resistência dos soldados. Ou seja, trajes com vida própria.

La Vanguardia
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