
Àlex Barnet
Fabricação. Por enquanto continua impossível fabricar de maneira completamente ecológica um produto de tecnologia. Mas ainda assim faltam etiquetas oficiais e de uso obrigatório que ofereçam informação realista sobre cada aparelho. ¿Não existe uma etiqueta que explique claramente ao consumidor até que ponto o processo de produção de um bem é ecológico. Não é um tema simples, mas será preciso tratar da questão, se desejamos consumo mais responsável¿, diz Gemma Lolins, professora de engenharia química e especialista em meio ambiente da Universitat Politècnica de Catalunya. O que existe de mais próximo a esse conceito são etiquetas como a "Ecolabel" e marcas assemelhadas.
O problema é que seu uso é voluntário, os níveis de exigência de cada uma delas são diferentes e ainda não conquistaram grande popularidade, porque cumpri-las e obter o certificado acarreta custo adicional para as empresas. Muitas companhias preferem substitui-las por etiquetas próprias, informando que as telas ou soldas não contêm chumbo, por exemplo. A informação tem valor, mas não é confirmada por organismos independentes. Da mesma forma, alguns fabricantes afirmam cumprir a norma ISSO 14.001, de gestão ambiental. É um bom cartão de visitas genérico para uma empresa, mas não significa que seus produtos sejam ecológicos.
Consumo de energia. Quanto a essa categoria de dados, há mais informação disponível, ainda que não em volume suficiente para garantir que os produtos comprados respeitem o meio ambiente. Alguns produtos de informática adotam o padrão Energy Star, mas outros aparelhos eletrônicos não dispõem de um indicador comum. O mesmo se aplica aos televisores de telas planas ¿mais de seis milhões deles foram vendidos na Espanha nos últimos três anos-, cujo consumo de energia é à priori superior, já que empregam telas muito maiores do que os aparelhos convencionais.
Alberto Sanz, responsável pela comunicação da Panasonic, explica que é difícil unificar os critérios. "Como se pode aplicar diversos métodos e padrões à medição do consumo de energia, cada produtor adota os que lhe sejam mais favoráveis. Existem esforços de unificação de critérios, mas o processo vai demorar".
A etiqueta Energy Star, que indica economia de energia, tem sido usada em computadores, impressoras e similares. "É um indicador útil, e o consumidor deve levá-lo em conta na aquisição. O padrão Energy Star analisa os equipamentos tanto em funcionamento quanto em standby, e isso é importante porque muitos equipamentos passam horas nessa segunda condição, e continuam consumindo ao fazê-lo", diz Anna Navarro, diretora de atendimento ao cliente da Epson.
Reciclagem. Outra causa de confusão, apesar da existência de um símbolo de identificação que é usado em quase todos os eletrônicos. O problema é que o símbolo significa apenas que os aparelhos são produtos de coleta seletiva. O usuário, na hora de descartar o aparelho, teria de levá-lo a um ponto de coleta ou à loja em que o adquiriu. O uso do símbolo não custa nada aos fabricantes, e não implica nenhuma obrigação da parte deles.
De acordo com Íñigo Nuñez, porta-voz da fundação Ecolec, "qualquer um pode usá-lo, e o símbolo não indica que o fabricante que o utiliza assume a responsabilidade econômica pela reciclagem do aparelho, como a lei dispõe. Alguns o fazem, outros não. Há empresas e importadores que usam o símbolo sistematicamente mas não cumprem essa obrigação".
La Vanguardia
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