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Tecnologia

 
 

Al Qaeda usa web para divulgar a ideologia do terrorismo

10 de janeiro de 2008 10h24 atualizado às 11h46

A organização terrorista Al Qaeda demonstrou, nos últimos tempos, uma impressionante capacidade de adaptação à Internet para divulgar com maior rapidez e efetividade sua ideologia, comunicados ou vídeos de atentados.

A penúltima iniciativa deste grupo, lançada pelas "produtoras" As-Sahab e Al-Fayer, encarregadas da propaganda e informação do grupo, foi a realização de um chat com o "número dois" da Al Qaeda, Ayman al-Zawahiri, com participação aberta a pessoas comuns, organismos e até meios de comunicação.

A Al Qaeda ficou mais independente dos canais de TV árabes - como a "Al-Jazeera"- a quem recorria sempre que desejava mostrar vídeos atentados e seqüestros, ou transmitir declarações de seus líderes.

O aumento de sua presença na Internet permitiu à Al Qaeda e a outros grupos desvincular-se destas cadeias, tidas agora como manipuladoras e falsificadoras da realidade.

Recentemente, a organização dirigida pelo saudita Osama bin Laden assegurou que tentará oferecer suas "novidades" através de seus próprios sites, para não dar prioridade a nenhum outro meio.

O especialista egípcio em movimentos islamitas Diaa Rashwan ressalta que os grupos radicais começaram há dois anos um processo de emancipação dos meios de comunicação convencionais. "Em primeiro lugar, porque estes canais começaram a censurar seus vídeos devido à sua política (informativa) ou a pressões externas; mas também porque, após a invasão do Iraque, estes grupos islâmicos aumentaram e a produção diária de vídeos se multiplicou, fazendo com que as TVs não se dispusessem a exibir tantas gravações", afirmou.

Apesar de seu discurso anti-ocidental, os dirigentes dos grupos radicais decidiram absorver e desenvolver todas as oportunidades que a Internet oferece para otimizar a propagação de suas idéias, que constituem a verdadeira base de sua rede terrorista.

Rashwan considera que os grupos islâmicos, tanto os moderados quanto os radicais, "nunca rejeitaram as produções materiais do Ocidente", apesar de repudiar seu modelo ideológico.

Em um mundo cada vez mais inter-relacionado, tanto a tecnologia como o terrorismo estão se globalizando, e os grupos extremistas saíram de suas fronteiras para expandir seus objetivos a qualquer canto do mundo.

Nesta luta, a Internet transformou-se em uma arma que os grupos não parecem dispostos a dispensar, e o chat com o "número dois" da Al Qaeda é apenas uma dentre as inúmeras iniciativas desta organização.

Periodicamente, são organizados concursos online para declamadores do Corão e, há cerca de dois meses, os vídeos de atentados terroristas podem ser baixados pelos telefones celulares.

Muitas destas gravações vêm acompanhadas de efeitos sonoros, vozes distorcidas, explosões, rajadas de metralhadoras ou imagens que simulam as chamas do inferno, proporcionando uma aparência aterrorizante a muitas de suas produções.

Estas páginas também propõem, em suas discussões online, diversos temas, que vão desde debates religiosos até propostas de ataques terroristas.

A última, surgida no dia 4 de janeiro, é centrada em um possível atentado contra a cidade de Paris.

Os participantes, durante as discussões, oferecem todo tipo de detalhes sobre possíveis alvos, assim como sobre a maneira de "otimizar recursos" para criar células terroristas e perpetuar atentados.

Enquanto seus líderes seguem empenhados em se vestir com túnicas e turbantes tradicionais e em deixar a barba crescer, a Al Qaeda se moderniza e se globaliza, e a Internet já é uma de suas principais armas.

EFE
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