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Quinta, 31 de janeiro de 2008, 15h21 Atualizada às 15h23

SP: blogueiros protestam contra proibição de jogos

Um grupo de blogueiros está organizando uma manifestação pacífica contra a proibição da venda dos jogos Counter Strike e Everquest em todo o Brasil. O ato ocorre sábado no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), às 11h. Com o protesto, eles querem mobilizar a opinião pública para que a decisão seja revertida. Além disso, os blogueiros pretendem romper com um suposto preconceito da sociedade contra os usuários deste tipo de jogo.

A decisão foi tomada em outubro de 2007 por um juiz da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais. Para a Justiça, os jogos "são nocivos à saúde dos consumidores", infringindo os artigos 6, I, 8, 10 e 39, IV do Código de Defesa do Consumidor. No último 16 de janeiro, o Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) de Goiás começou a cumpri-la.

Segundo o blogueiro Gus Lanzetta, não é mais possível comprar as versões Counter Strike Source e Counter Strike Anthology nas lojas. Os jogos são distribuídos pela empresa EA (Electronic Arts), que retirou prontamente os produtos do mercado. O Everquest não é comercializado no Brasil, embora algumas lojas o importem.

Os organizadores da manifestação são os blogueiros e gamers Fabio Santana, Gus Lanzetta, Romulo Máthei e Gustavo Petró. Eles criaram o blog Liberdade Gamer para divulgar a iniciativa. Em um vídeo divulgado no site Audiogame, eles defendem que o protesto é um ato pela liberdade de escolha e que a decisão do juiz mineiro abre um precedente "perigoso", que pode resultar na proibição de outros jogos.

"A imagem do gamer é muito estereoptipada. Por causa dessa imagem negativa é que foi tomada uma decisão desse tipo. O objetivo do ato é mostrar que o gamer é adulto, é médico, é advogado, uma pessoa normal", afirma Fabio Santana.

"Para algumas pessoas (o game) é mais do que um passatempo. Para nós é uma profissão e é digna. Escrever sobre games ajuda no sustento da minha família há 12 anos", disse Santana.

Os blogueiros afirmam que o objetivo do protesto não é criar confusão. Eles pedem para que os manifestantes evitem entrar em atrito com policiais no local e não fechem o trânsito na avenida Paulista. Os participantes do ato devem levar 1 kg de alimento não-perecível, que serão doados ao Centro de Apoio à Criança Carente com Câncer.

Counter Strike
O jogo Counter Strike foi criado nos Estados Unidos e adaptado para o Brasil. Internautas brasileiros criaram um mapa para o game, não-autorizado pela distribuidora, que tenta reproduzir os confrontos entre traficantes e policiais nos morros do Rio de Janeiro.

De acordo com um texto divulgado pelo Procon, o participante pode escolher virar bandido para defender a favela sob seu domínio. Quanto mais policiais matar, mais pontos ganha. A trilha sonora é um funk proibido. Os jogadores podem escolher armas como pistolas, fuzis e granadas e aprenderiam técnicas de guerra, como se estivessem em uma guerrilha.

Everquest
O game Everquest é acusado pela Justiça de levar o jogador ao total desvirtuamento e a conflitos psicológicos 'pesados'. As tarefas que devem ser cumpridas passam por mentir, subornar e assassinar.

Segundo o Procon, os jogos violentos são capazes de formar indivíduos agressivos, porque acabam por reforçar atitudes agressivas em certos indivíduos e grupos sociais.

Jogos proibidos
A proibição de jogos no Brasil pela Justiça ocorre desde a década de 90. Games que foram sucesso de público como Doom, Carmageddon, Duke Nukem 3D, Mortal Kombat, Blood, Postal e Grand Theft Auto (GTA) também foram recolhidos do mercado, sob o mesmo argumento de incitar a violência.

No polêmico GTA, o jogador deve matar rivais de forma violenta, usando objetos como lança-chamas e serra elétrica. O próximo jogo da série para Xbox 360 e PlayStation 3 terá seu lançamento mundial em 29 de abril. O game é aguardado pelos fãs, que temem uma nova proibição pela Justiça.

Redação Terra

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