
Chega ao mercado este ano um software capaz de ajudar os portadores de diabetes a monitorar a doença e melhorar sua qualidade de vida. Batizado de GlicOnLine, o sistema foi desenvolvido pela Quasar Telemedicina, empresa instalada no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), no campus da Universidade de São Paulo, e permite que os pacientes avaliem a quantidade de carboidratos que podem ingerir a cada refeição e as dosagens de insulina que precisam a partir de um celular ou um palmtop. As informações são da revista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Segundo a revista, o sistema funciona quando o software recebe o valor da glicemia (que os diabéticos devem avaliar continuamente) e o cardápio que será ingerido na próxima refeição. O sistema conta com 600 alimentos cadastrados, com medidas caseiras, como colher de sopa, escumadeira, entre outras. Instantaneamente, o sistema responde, também pelo telefone móvel, qual a dose de insulina de ação rápida necessária para compensar aquela ingestão.
O software desenvolvido pela Quasar foi avaliado em 20 pacientes atendidos pelo Núcleo de Excelência em Atendimento ao Diabético (Nead-HC), organização não-governamental (ONG) vinculada ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) formada por médicos e professores da disciplina de endocrinologia. Eles foram divididos em dois grupos: um recebeu celulares com os quais passou a fazer o controle por meio do software GlicOnLine. O outro continuou a fazer os cálculos manualmente, usando tabelas e calculadoras.
Para garantir a acuidade da comparação, as terapias se inverteram após três meses: quem usava celular passou a adotar as tabelas, e vice-versa. "Foi triste e, ao mesmo tempo, gratificante ouvir o coro de reclamações dos que tinham usado o celular e não queriam deixar o tratamento de jeito nenhum", diz Karla Melo, que é médica da equipe de diabetes do Hospital das Clínicas e membro do Nead-HC. "Mas é indispensável fazer isso para compararmos as duas terapias", afirma. O sistema também vem sendo testado em serviços privados de saúde, como o Hospital Domiciliar do Dr. Kleber Tavares, uma empresa de home care de Belo Horizonte (MG).
A intenção dos empreendedores é fornecer o software para planos de saúde, governos e instituições que atuam no tratamento do diabetes. "Não queremos vender diretamente para os pacientes porque, neste caso, só quem tem dinheiro é que poderia usar", diz a médica Karla Melo, diretora da Quasar.
Para integrar-se ao serviço, o paciente deve necessariamente ser acompanhado por um médico. Ele pode acompanhar a situação de seu paciente pela internet, em tempo real, e introduzir mudanças na terapia a qualquer momento. No modelo tradicional, essas intervenções só acontecem quando o diabético sofre alguma crise ou vai periodicamente ao consultório. "O GlicOnLine armazena as informações de cada paciente em seu prontuário eletrônico, permitindo a avaliação precisa da evolução", diz Floro Dória, diretor da Quasar e marido de Karla Melo.
A idéia de desenvolver o software surgiu de uma necessidade prática. Karla Melo é portadora de diabetes tipo 1 ¿ aquela que costuma atingir pessoas ainda jovens, na qual a dependência de insulina é contínua. Em 1997, ela substituiu a terapia tradicional, baseada em doses fixas de insulina, por um sistema automático.
Uma bomba de insulina administra o hormônio subcutaneamente, aplicando doses menores e precisas em intervalos curtos de tempo e doses maiores antes das refeições. Este tipo de tratamento intensivo exige a participação do paciente e tem como objetivo evitar os picos de glicose, que têm conseqüências devastadoras à saúde no longo prazo, além de prevenir o mal-estar e os desmaios causados pela hipoglicemia, que ocorre quando o hormônio está no auge de sua atividade e derruba drasticamente o índice de açúcar no sangue.
Redação Terra
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