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Fãs protestam na web contra fim da Polaroid

25 de fevereiro de 2008 10h04 atualizado às 11h26

Entre os fãs da clássica Polaroid estava o artista plástico Andy Warhol. Foto: Divulgação

Entre os fãs da clássica Polaroid estava o artista plástico Andy Warhol
Foto: Divulgação

Os filmes fotográficos instantâneos da Polaroid desaparecerão em breve das lojas, mas os amantes da câmara instantânea - para muitos, um objeto de culto - não estão dispostos a ficar de braços cruzados. Nostálgicos e usuários freqüentadores estão comprando material frente ao iminente desaparecimento do filme instantâneo, e dezenas de protestos na Internet já recolheram milhares de assinaturas contra do fim da produção destes.

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"Alguns artistas manipulam as imagens antes que sequem e obtêm uma arte original. Não é uma tecnologia obsoleta para gente que tira fotos em casa, é uma ferramenta valiosa para profissionais", opinou Robyn McIntyre da Califórnia, um dos 6,3 mil signatários do pedido online mais popular. "É uma ferramenta educativa imprescindível", assegurou Chris Bardey, um professor de fotografia nos Estados Unidos.

A Polaroid anunciou na semana passada que deixará de produzir seus filmes fotográficos instantâneos devido à queda das vendas. A decisão representará o fechamento de suas fábricas no México, Holanda e no estado de Massachusetts (EUA) e a demissão de aproximadamente 450 trabalhadores.

A companhia, com sede em Massachusetts, anunciou no começo deste mês que completaria o fechamento de suas fábricas em Norwood e Waltham, que empregam cerca de 150 pessoas, nas próximas semanas. No final da década de 1970, a empresa contavam com cerca de 15 mil empregados só em Massachusetts.

A Polaroid deixou de fabricar no ano passado sua câmara instantânea, afetada pelo auge da fotografia digital. No entanto, a companhia quer vender a licença para que outras firmas continuem distribuindo os filmes para câmaras instantâneas. A grande beneficiária será a Fujifilm, cujos produtos são compatíveis com alguns modelos da Polaroid.

Fãs estão tristes
Mas, apesar deste raio de esperança, os fãs da Polaroid estão de coração partido. Entre eles estão fotógrafos profissionais, artistas, desenhistas, arquitetos e até médicos: alguns dermatologistas, por exemplo, usam fotos instantâneas para medir a evolução de cicatrizes ou para demonstrar o "antes e depois" dos tratamentos.

Um dos mais famosos fãs da Polaroid foi o artista plástico Andy Warhol, que utilizou freqüentemente esta câmara em seus trabalhos. A empresa se estabeleceu como uma das principais da área de Massachusetts pouco depois da Segunda Guerra Mundial, e produziu sua primeira câmara instantânea em 1948 aproveitando o "baby-boom" americano e o grande número de pais ávidos por tirar fotografias de suas crianças.

O sucesso mundial não chegou até a década dos anos 70 com o lançamento da mítica SX-70. No entanto, no final dos anos 80, a Polaroid se afundou em uma dívida profunda em sua tentativa para evitar uma hostil oferta de compra. Depois vieram investimentos fracassados em produtos que não conseguiram decolar no mercado perante a ascensão das câmaras digitais.

As vendas de filmes instantâneos atingiram seu apogeu em 1991 quando o faturamento da Polaroid chegou a US$ 3 bilhões, mas, desde então, a distribuição das câmaras instantâneas foi caindo aos poucos. A venda de rolos de filme fotográfico para as câmaras instantâneas caiu 25% anualmente na última década, segundo dados oficiais.

A Polaroid se declarou em quebra em 2001, mas agora, com mais atenção no futuro, os executivos da empresa asseguraram que entre seus projetos está a venda de produtos para fotografia digital e televisores de alta tecnologia.

Usuários fazem estoque
Embora a Polaroid tenha produzido material suficiente para garantir sua distribuição até 2009, muitos usuários nos EUA estão começando a monopolizar os filmes. No portal de vendas pela Internet Amazon.com, quatro ofertas diferentes de filme fotográfico instantâneo de Polaroid estavam entre os cinco artigos mais vendidos na seção de fotografia não digital.

No entanto, alguns especialistas recomendam não acumular demais material porque, ao contrário dos rolos para câmaras não instantâneas, que podem ser guardados no congelador por até duas décadas, os da Polaroid só podem ser conservados por apenas um ou dois anos.

EFE
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