
John Eligon
Os produtos muitas vezes estão esquecidos em armários, juntando poeira. Alguns deles inevitavelmente terminam em aterros sanitários, em meio ao lixo. Em Nova York, encontrar um lugar para o descanso final de computadores, aparelhos de som e televisores envelhecidos pode ser uma tarefa árdua. E um obstáculo ainda mais difícil pode ser educar seus proprietários.
» NY: aprovado projeto de lei de reciclagem de eletrônicos
» Lixo eletrônico vira bijuterias; veja
» ONU determina o que fazer com o lixo eletrônico
» Lixo eletrônico toma lugar do arroz em aldeia chinesa
O destino de um projeto de lei municipal que tornaria obrigatória a reciclagem de bens eletrônicos de consumo depende do prefeito Michael Bloomberg, e muitos moradores de Nova York não têm idéia de como jogar fora os seus eletrônicos, muitos dos quais podem acarretar risco ambiental, por exemplo chumbo e mercúrio. Sabrina Brown, por exemplo, jamais ouviu falar de reciclagem de "lixo eletrônico".
Brown, 20, aluna do Richmond Hill College, em Queens, disse que tinha três velhos celulares, um laptop antigo, um velho televisor, dois rádios abandonados e três câmeras descartadas em seu quarto. "Não sei o que fazer com eles", disse.
Bloomberg expressou forte oposição ao projeto de lei aprovado pelo Legislativo municipal no mês passado, que aplicaria multa de US$ 100 aos munícipes que joguem eletrônicos no lixo e exigiria que os fabricantes recebessem de volta os seus produtos, bem como os de empresas que não existam mais.
Bloomberg, que diz que o projeto de lei penaliza as indústrias pelo comportamento dos consumidores, deve vetar a lei esta semana, mas é possível que o projeto de lei obtenha apoio suficiente no Legislativo para que o veto seja derrubado. Qualquer que venha a ser a forma final da lei, os moradores da cidade já dispõem de amplas oportunidades de reciclar seus eletrônicos, entre as quais eventos de coleta patrocinados pelo Departamento de Saneamento da cidade duas vezes por ano.
O Centro de Ecologia do Lower East Side, uma organização ambiental sem fins lucrativos, realiza eventos mensais de coleta de eletrônicos velhos. O centro trabalha também com a Build It Green! NYC, uma organização de varejo sem fins lucrativos que revende produtos e materiais de construção recuperados, em um armazém em Astoria, Queens, da terça ao sábado. A Per Schola é uma organização do Bronx que aceita velhos produtos eletrônicos e reforma computadores para distribuir em comunidades de baixa renda e escolas. Alguns grupos de varejo, como a Staples, recebem eletrônicos usados em suas lojas para reciclagem.
No ano passado, o Centro de Ecologia do Lower East Side recolheu 118 toneladas de produtos eletrônicos descartados, mais do que em qualquer ano anterior, e realizou o dobro do número de eventos realizados em 2006. O Departamento de Saneamento, que começou a realizar eventos de coleta de eletrônicos em 2004, vêm registrando elevação no número de produtos recolhidos a cada ano. Mas o volume total caiu de 309 toneladas em 2006 a 295 em 2007, ainda que o número de pessoas que entregaram produtos para reciclagem tenha crescido.
"As pessoas parecem acreditar, fundamentalmente, que há algo de criminoso em jogar fora um computador", porque pagaram tão caro por ele, disse Robert Lange, o diretor de prevenção de desperdício, reutilização e reciclagem do centro.
Algumas pessoas que não reciclam encontram outras maneiras de manter seus eletrônicos usados longe do lixo. "Eu os dou a pessoas da família, minhas irmãs e irmãos", disse Nick Sky, 36, que vive no Upper East Side. Para acompanhar o avanço da tecnologia em seu trabalho, Clint Hild, 28, especialista em imagem digital que vive em Hell's Kitchen, em Manhattan, troca de computador todo ano. Ele recorre ao eBay para descartar os antigos.
Hild pode ser uma das raras pessoas que conhece extensamente o campo da reciclagem de eletrônicos. Ele trabalhava como técnico no laboratório de computação do Wells College, no interior do Estado de Nova York, e quando chegava a hora de o laboratório reciclar seus equipamentos, ele ajudava a encontrar centros que cuidassem da reciclagem do material substituído. Quando criança, conta, ele costumava "cavar no lixo" à procura de equipamentos eletrônicos velhos, que ele restaurava.
De acordo com um estudo conduzido pelo Departamento de Saneamento da cidade, sobre a coleta de lixo da cidade em 2004 e 2005, os eletrônicos respondem por 0,64% dos resíduos municipais sólidos.
Mas mesmo um pequeno volume de resíduos pode gerar contaminação, disse Kate Sinding, advogada do Conselho Nacional de Defesa de Recursos Naturais. Sinding cita um recente relatório da Agência de Proteção Ambiental (EPA), segundo o qual os eletrônicos podem responder por até 70% do chumbo encontrado em aterros sanitários. "O peso pode ser pequeno, mas eles têm impacto desproporcional em termos de riscos ambientais e de saúde", ela afirmou.
Sinding disse que esperava um "tsunami de lixo eletrônico", no ano que vem, quando a maioria das emissoras de TV deixará de transmitir sinais analógicos e os antigos televisores sem conversor digital se tornarão obsoletos. Christine Datz-Romero, co-fundadora do Centro de Ecologia do Lower East Side, disse que as organizações da cidade precisavam divulgar mais informações sobre a reciclagem de eletrônicos, e torná-la mais acessível.
Carey Pulverman, a gerente do projeto de coleta de eletrônicos do Centro de Ecologia do Lower East Side, passa boa parte do dia ao telefone tentando encontrar maneiras de descartar os eletrônicos usados. "O ponto é que ninguém quer ter um trabalho absurdo para fazê-lo", diz. "Em geral eles querem me convencer a recolher o material que têm em mãos".
Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times
|
AFP
Greenpeace mostra montanha de lixo eletrônico em feira de tecnologia
|
16h06 » Uso de células combustíveis está mais próximo