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Tecnologia

 
 

Internet: uso excessivo de vídeo pode causar congestionamento

13 de março de 2008 10h45 atualizado às 10h49

Com a taxa de crescimento atual, o tráfego global vai quadruplicar em 2011. Foto: The New York Times

Com a taxa de crescimento atual, o tráfego global vai quadruplicar em 2011
Foto: The New York Times

Há meses, o número de alertas sobre a elevação do volume de dados que percorrem a Internet não pára de crescer. A ameaça, de acordo com organizações setoriais, analistas e pesquisadores, deriva primordialmente da riqueza visual cada vez maior da comunicação e entretenimento online -vídeos e filmes, redes sociais e jogos para múltiplos jogadores.

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Imagens em movimento, mais que palavras ou sons, são caudalosos rios de bits digitais que percorrem os portais e o encanamento da Internet, e requerem, no jargão do setor, mais banda. No ano passado, afirma uma estimativa, o site de vídeo YouTube, controlado pelo Google, usou sozinho mais banda do que a Internet inteira consumia em 2000.

Em um relatório muito alardeado, lançado em novembro, um grupo de pesquisa projetava que a demanda dos consumidores pela Internet superaria a capacidade da rede em 2011. O título de um debate marcado para o mês que vem em Boston sumariza essas preocupações: "O fim da Internet?"

Mas a alta de tráfego na rede representa mais um desafio permanente do que uma catástrofe iminente. Mesmo os mais preocupados dos observadores não estão prevendo um colapso total do sistema. Os usuários individuais, afirmam, sentiriam o congestionamento da Internet na forma de velocidades lentas de download e frustração quanto ao uso de serviços de alto volume de dados, que se tornariam muito menos apreciáveis, ou úteis.

"A Internet não entraria em colapso, mas existiriam cada vez mais coisas difíceis de fazer online", disse Jona Till Johnson, presidente da Nemertes Research, a empresa que previu o esgotamento da banda por volta de 2011 e antecipa que o crescimento no volume de dados transmitidos superará os 100% ao ano.

Outros observadores estão menos preocupados ¿ ao menos em curto prazo. Andrew Odlyzko, professor da Universidade de Minnesota, estima que o tráfego digital na rede mundial está crescendo em cerca de 50% ao ano, o que acompanha uma recente análise da Cisco Systems, a grande fabricante de equipamento para redes.

O ritmo de crescimento, ainda assim, parece temerário. No entanto, a tecnologia que permite o tráfego de dados na Internet vem avançando em ritmo igualmente impressionante. Os computadores que operam como roteadores de dados se tornaram mais rápidos, a transmissão em fibra óptica avançou e o software que manipula os pacotes de dados está se tornando mais inteligente.

"Os 50% de crescimento são um ritmo alto. Imenso, na verdade, mas corresponde ao ritmo de avanço que a tecnologia vem nos propiciando", disse Odlyzko, ex-pesquisador da AT&T Labs. Não é provável que a demanda excessiva derrube a Internet, ele afirma.

A questão da severidade do problema é muito mais que técnica, já que ela influenciará a forma e o custo da política nacional sobre infra-estrutura de banda larga, questão que deve atrair atenção política quando um novo governo assumir em Washington.

Questão maior
Embora os especialistas divirjam quanto à urgência da situação, concordam que ela indica uma questão maior. Na era da Internet, afirmam, as redes de alta velocidade servem cada vez mais como veículos de inovação econômica e científica, gerando novos negócios, mercados e empregos. Caso o investimento norte-americano fique para trás, o país corre o risco de perder competitividade diante de nações rivais que deram prioridade a melhorar o acesso de alta velocidade à Internet.

"A questão de longo prazo é determinar onde acontecerá a inovação", diz Odlyzko. "De onde virão o próximo Google, YouTube, eBay ou Amazon?". A Internet, ainda que seja uma rede mundial, é de muitas maneiras surpreendentemente local. Trata-se de um vasto amálgama de redes de menor porte, interligadas. As preocupações quanto ao congestionamento de tráfego na Internet não se referem às vias expressas, o equivalente do sistema rodoviário da rede.

O problema, na verdade, surgirá na ponta mais próxima dos usuários ¿ a capacidade dos roteadores, computadores e cabos que conduzem a Internet às residências. O custo de estender uma rede de fibra óptica a uma residência pode ser de US$ 1 mil ou mais por unidade, estimam analistas. É por isso que as velocidades de acesso à Internet variam tanto de país a país. Elas dependem de padrões locais de investimento corporativo e de subsídios governamentais.

Frederick Baker, pesquisador da Cisco, participou no mês passado de uma conferência em Taiwan, país em que o acesso à Internet é mais de duas vezes mais rápido e custa bem menos do que seu serviço premium, "de alta velocidade", na Califórnia. "Quando mencionei a velocidade do meu serviço, as pessoas em Taiwan demonstraram descrença", diz Baker.

Caso tecnologias que enfatizam ainda mais o uso do vídeo ganhem força, como prevêem alguns analistas, a alta do tráfego pode se acelerar. Isso exigiria mais banda e mais investimento, com custos mais elevados em todo o ecossistema da Internet, que inclui operadoras de cabo e telefonia, empresas de Internet, sites de mídia na web e até os consumidores.

A AT&T, por exemplo, anunciou na semana passada que investiria US$ 1 bilhão este ano ¿ o dobro do valor de 2006 - para expandir sua estrutura no exterior. Mas ainda que o investimento não acompanhe a demanda, não haverá blecaute de Internet. A rede já sobreviveu a previsões de colapso, como a de Robert Metcalfe, um pioneiro das redes, que em 1995 previu "colapso catastrófico" da Internet em 1996. Houve problemas de serviço, mas não graves como ele previra, e em 1997 ele admitiu o erro, em uma conferência.

"A Internet provou que é muito resistente", disse Metcalfe, que hoje trabalha no setor de capital para empreendimentos. "Mas está vulnerável, hoje. Não que ela vá desabar, mas oportunidades serão perdidas".

Tradução: Paulo MigliacciME

The New York Times
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