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Domingo, 23 de março de 2008, 14h09

Confissão online atrai milhares de pecadores nos EUA

Numa sociedade na qual é comum usar a Internet para operações cotidianas como pagar contas, fazer compras ou reservas em restaurantes e cinemas, cada vez mais pessoas aproveitam a comodidade e o anonimato da rede para expiar suas faltas. Sites como ivescrewedup.com, mysecret.tv ou forgivenet.com permitem compartilhar anonimamente os pecados com o resto da comunidade e, ainda que não ofereçam absolvição, ao menos trazem algum alívio aos pecadores - além de atrair milhões de visitas.

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"Sou um viciado em pornografia. Começou quando estava na sexta série primária", diz um dos usuários do mysecret.tv. Cerca de 2,5 mil confissões atualmente publicadas no site estão relacionadas a sexo, pornografia ou adultério.

Estes sites são gerenciados por igrejas de fé protestante ou luterana, que não vêem a confissão como um processo no qual a participação de um pároco seja absolutamente necessária. O reverendo Bobby Grunewald, porta-voz da LifeChurch.tv, um consórcio de 13 igrejas evangélicas de Oklahoma, Estados Unidos, que gerencia o mysecret.tv, reconheceu que o sucesso de seu portal, criado há dois anos, foi uma surpresa.

"Quando começamos, recebíamos mais de 1,3 milhão de visitas por dia", conta Grunewald. O projeto era, em princípio, destinado aos membros da igreja, mas dada a sua popularidade, os responsáveis decidiram que deveria permanecer aberto para todos.

Grunewald não acredita que a confissão online possa suplantar a confissão cara a cara, mas diz que portais como o mysecret.tv ajudam as pessoas a dar um primeiro passo e reconhecer seus segredos mais turvos.

"Consideramos que o site é um catalisador e esperamos que seja o princípio de um processo que leve as pessoas a falar com seus familiares ou com os membros da igreja", destaca o reverendo.

Tanto no mysecret.tv como em sites similares, as confissões são anônimas, o que apresenta um problema se houver suspeita de que, mais que um pecado, trate-se de um delito. "Matei quatro pessoas. Uma delas era um rapaz de 17 anos", confessa um usuário do ivescrewedup.com, ainda que o resto da mensagem faça pensar que se trata do testemunho de um soldado em território de guerra.

"É difícil reagir nestes casos porque o site é totalmente anônimo e sequer temos a possibilidade de rastrear o protocolo IP" para identificar o internauta, disse Grunewald.


A Igreja Católica se opõe oficialmente à confissão online, mas algumas paróquias norte-americanas também estão usando fórmulas de modernas para atrair os fiéis ao confessionário. Segundo um estudo da Universidade de Georgetown, 42% dos católicos dos Estados Unidos não se confessam nunca, 14% o fazem uma vez ao ano e apenas 2% reconhece ir ao confessionário regularmente.

A arquidiocese de Washington, por exemplo, criou no ano passado anúncios em rádio para promover a confissão e, em Chicago, cinco paróquias lançaram a campanha "24 horas de Graça" com o mesmo objetivo.

Na última quaresma (período de 40 dias antes da Páscoa observado pelas igrejas Católica, Anglicana e outras protestantes), as dioceses da Filadélfia (Pensilvânia), Fênix (Arizona) e Toledo (em Ohio) criaram programas especiais para facilitar a prática deste sacramento - a confissão - aos fiéis.

Algumas paróquias ampliaram seus horários de confissão, por exemplo, ou habilitaram confissões em lugares como centros comerciais.

EFE

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