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Terça, 1 de abril de 2008, 08h58 
Europa prepara reforço à proteção na Internet
 
Doreen Carvajal
 
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Cerca de um ano depois que a Estônia conseguiu escapar a uma série de ataques via Internet, o país serve de exemplo para governos que estão se esforçando por promover cooperação internacional entre as autoridades e empresas privadas de Internet a fim de combater os crimes de computação. Mas alguns defensores da privacidade e especialistas em computação continuam cautelosos quanto a esses esforços. Nesta terça-feira, o Conselho da Europa planeja introduzir normas que ajudariam os investigadores de crimes na computação, reforçando as propostas de um tratado de combate aos crimes online assinado por 43 países, entre os quais os Estados Unidos.

Uma controversa proposta exigiria que provedores de acesso fornecessem às autoridades uma lista dos tipos de informação que eles seriam capazes de oferecer. Na quarta-feira, a Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) apresentará uma estratégia de defesa contra ataques computadorizados em uma reunião de chefes de Estado em Bucareste, acompanhada por uma proposta de criação de uma autoridade central de defesa contra crimes e ataques computadorizados.

"Os ataques contra a Estônia ¿ dirigidos a serviços dos quais muitos cidadãos estonianos dependem - poderiam ter acontecido em qualquer lugar", disse James Appathurai, porta-voz da Otan. "A única maneira de nos defendermos deles é por meio de cooperação multinacional e multilateral".

Essa espécie de proposta militarista preocupa os defensores da privacidade e os especialistas em computação, que temem que empresas privadas serão forçadas a policiar usuários como resultado dessas estratégias.

"Uma das grandes conseqüências disso tudo será a criação de uma agenda de vigilância sobre a sociedade", disse Peter Sommers, pesquisador da London School of Economics e autor de um manual para hackers. Sommers acredita que "o pânico possa nos levar a acreditar em ameaças de terrorismo ou terrorismo online muito mais graves do que as que temos de enfrentar realmente".

Na conferência de cúpula de Bucareste, as autoridades da Otan procurarão aprovação final para um plano que enfatizaria a defesa internacional contra ataques de computação por meio de programas de treinamento, um sistema de alerta de informações e o desenvolvimento de uma autoridade central para coordenar as defesas de computação.

As autoridades civis e militares da Estônia estão correndo para completar a construção de um centro de defesa digital da Otan na capital do país, Tallinn. O centro, que ficará em um antigo quartel do exército, deve servir como academia internacional para reunir especialistas de países ocidentais que analisariam as ameaças de computação e desenvolveriam estratégias de resposta.

Estados Unidos, Alemanha, Itália e Espanha sinalizaram que cooperação com o centro, nos termos de um acordo que deve ser assinado em maio. Cerca de 50 técnicos e cientistas serão recrutados para trabalhar em estratégias de detecção e prevenção de ataques.

"Hoje é fácil organizar esses ataques, e os criminosos sabem muito bem que não existem regulamentos ou leis suficientes", disse Urmas Paet, ministro do Exterior estoniano, que fez lobby pela criação do centro internacional em seu país, e por uma cooperação mais forte. "É difícil investigar, e também punir", afirmou.

A Estônia também está participando da conferência do Conselho da Europa sobre crimes da computação, e contribuiu com US$ 79 mil para programas de treinamento de combate aos crimes da computação, em companhia da Microsoft, que doou US$ 560 mil para o mesmo fim.

O Conselho da Europa, que congrega 47 países para promover o respeito aos direitos humanos, está instando mais governos a aderir à convenção de combate aos crimes de computação. Foi o primeiro tratado internacional a definir crimes de computação que variam da pornografia infantil a fraudes em computadores e violação de segurança de redes.

O conselho agora está tentando promover cooperação entre os setores público e privado por meio de normas que permitiriam a investigadores solicitar informações a uma rede de emergência disponível em tempo integral, formada por provedores de acesso que se comprometeriam a oferecer respostas rápidas e eficientes.

Margus Kolga, diretor de política de segurança no Ministério do Exterior estoniano, disse que as normas eram essenciais porque as atuais relações entre as agências policiais e os provedores de acesso se baseavam em laços informais.

Kolga disse que, quando a Estônia começou a sofrer ataques, no segundo trimestre do ano passado, a maioria dos provedores cooperou com os investigadores do país, mas que houve exceções notáveis, especialmente de parte de provedores na Rússia, a suposta origem dos ataques. Kolga disse que a ajuda de empresas privadas é vital, porque "os criminosos usam determinados canais para fazer as coisas".

"E por meio da cooperação dos provedores, esses canais poderiam ser bloqueados e o fluxo de informação redirecionado", ele afirmou. "E dessa seria possível manter as coisas em operação". Eles também poderiam ajudar, segundo o funcionário, na parte mais difícil de uma investigação: descobrir a identidade do usuário anônimo de um teclado.

Os especialistas afirmam que sua mais difícil tarefa continua a ser determinar se o problema foi causado por um hacker, um governo estrangeiro, uma empresa ou as três coisas combinadas.

Paet, o ministro do Exterior estoniano, disse esperar que mais países viessem a apoiar os diversos acordos internacionais em vigor, a fim de criar uma "estrutura legal concreta". Mas isso talvez não sirva para melhorar a situação em longo prazo no que tange à Rússia, que na companhia de nações como Geórgia, Turquia e Liechtenstein, não assinou o tratado de combate aos crimes de computação negociado pelo Conselho da Europa.

Tradução: Paulo Migliacci ME
 

Herald Tribune