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Quarta, 2 de abril de 2008, 16h57

Microsoft consegue selo ISO para padrão de documento

Kevin O¿Brien

A Microsoft conquistou aprovação da Organização Internacional de Padronização (ISO) para seu padrão aberto de documentos, de acordo com uma cópia dos resultados de votação. Isso encerra uma amarga batalha de um ano entre a empresa e alguns de seus rivais no campo do software.

O formato Office Open XML (ou Ooxml), da Microsoft, que permite intercâmbio de documentos na Web, foi aprovado por 24 dos 32 países que integram o núcleo central de nações votantes, no processo de votação organizado pela ISO, de acordo com o documento que revela os resultados.

A aprovação da organização deve quase certamente influenciar decisões governamentais e de grandes empresas quanto à aquisição de software. O resultado reverte a derrota sofrida pela Microsoft no primeiro turno de votação, conduzido com a participação dos 87 países membros da organização, em setembro. O processo foi marcado por esforços de lobby vistos como exagerados, de ambas as partes.

"Com 86% das organizações nacionais de padronização apoiando o Ooxml, temos apoio esmagador", disse Tom Robertson, gerente de interoperabilidade e padronização da Microsoft, que descreve a decisão como "clara vitória" para os consumidores.

Na rodada final da votação, encerrada no sábado, três quartos dos países do grupo central da ISO, entre os quais Reino Unido, Japão, Alemanha e Suíça, votaram pelo Ooxml, de acordo com o documento que informa o resultado.

Apenas 10 do total de 87 votos nacionais se opuseram ao padrão ¿África do Sul, Brasil, Canadá, China, Cuba, Equador, Índia, Irã, Nova Zelândia e Venezuela.

As regras da ISO dispõem que, para aprovação, um padrão precisa de 66% dos votos do grupo central e pelo menos 75% do total de votos. Roger Frost, porta-voz da ISO em genebra, não quis confirmar a aprovação do formato Ooxml.

O pedido de aprovação expressa de seu padrão, pela Microsoft, no começo de 2007, gerou uma intensa campanha de lobby da IBM e da Sun Microsystems, que ajudaram a desenvolver um padrão rival para documentos intercambiáveis conhecido como OpenDocument Format (ODF).

O ODF recebeu aprovação da ISO em 2006, e seus proponentes usaram a aprovação para promover a tecnologia junto a governos e grandes empresas. O padrão está em consideração por 70 países. A controvérsia continuou até esta semana.

Na segunda-feira, Steve Pepper, presidente de um comitê de assessoria da ISO, pediu que o voto da Noruega fosse suspenso, sob a alegação de que a maioria dos interessados pelo assunto no país rejeitava o Ooxml mas a Standards Norway ainda assim havia votado a favor do padrão.

Ivar Jachwitz, da Standards Norway, contesta a alegação de Pepper. "Nós conduzimos uma votação inicial envolvendo quase 50 pessoas, em 2007, e a vasta maioria votou a favor", ele disse. Mas Jachwitz não reconheceu o fato de que 21 membros da organização assinaram carta pedindo que a Noruega rejeitasse o Ooxml, na semana passada.

Frost disse ter recebido a queixa de Pepper, mas que a disputa norueguesa deveria ser considerada assunto interno do país. "Recebemos informações deles sobre o processo de votação, e não considero que haja motivo para questionar a validade", disse Frost.

Na Malásia, que se absteve da votação sobre o Ooxml, membros da delegação votante do país proibiram representantes da Microsoft e da IBM de participar de suas reuniões. A Suécia abandonou seu voto favorável ao padrão Ooxml, no ano passado, depois que um dos membros de sua delegação supostamente votou duas vezes.

Herald Tribune

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