
"O que me deixa furioso é que políticos decidam assumir o papel de pais substitutos. Os resultados disso são usualmente desastrosos, além de antidemocráticos", escreveu King.
A decisão surge em meio ao debate corrente nos EUA, Austrália e Reino Unido sobre a proibição de videogames violentos. As autoridades britânicas e irlandesas no ano passado proibiram o jogo "Manhunt 2", no qual um paciente escapa de um asilo para pessoas com problemas mentais e sai em uma matança descontrolada.
Não há informações definitivas sobre uma relação causal entre videogames agressivos e comportamento violento.
King, autor de histórias como "O Iluminado" e "Carrie, a Estranha", que foram transformadas em filmes de horror em Hollywood, afirmou que lhe parece que os jogos apenas refletem a violência que já existe na sociedade.
"O que me deixa realmente incomodado é a avidez dos políticos em fazer da cultura pop o objeto de sua reprovação. É fácil para eles, e até mesmo divertido, porque a cultura pop é sempre ruidosa. E isso também permite que os legisladores ignorem os elefantes na sala", ele afirmou.
King apontou que já existe um sistema de classificação etária para videogames e que proibi-los era inútil porque os jovens sempre encontrariam maneiras de obtê-los, caso desejassem.
Ele argumentou que a crescente disparidade entre os privilegiados e os excluídos, nos EUA, e as leis do país quanto à posse de armas contribuem mais que os videogames para o comportamento violento.
O escritor afirmou que era fácil para os críticos dos videogames alegar — falsamente, como ficou provado mais tarde — que Cho Seung-Hui, o autor dos assassinatos múltiplos na Virginia Tech, era fã do videogame "Counter-Strike".
"Se ele tivesse só uma arma de plástico do videogame, não teria conseguido nem se matar", escreveu King.
(Belinda Goldsmith)
Reuters
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