inclusão de arquivo javascript

Tecnologia

 
 

Internautas criam dia "offline"

19 de abril de 2008 17h56

Viciados em tecnologia buscam contato com o mundo real. Foto: Reuters

Viciados em tecnologia buscam contato com o "mundo real"
Foto: Reuters

Sharon Sarmiento sabia que era hora de se desconectar quando percebeu que até seus sonhos envolviam mensagens publicadas em blogs e o mensagens instantâneas imaginárias.

» Vício em Internet é doença, defende psiquiatra
» Cientista alerta para o perigo do excesso de tecnologia
» Vício por tecnologia pode destruir relações
» Fórum: opine sobre o dia offline

Para Ariel Meadows Stallings, foram as horas perdidas em navegação pela Internet que a fizeram sentir como se tivesse passado por um coma alcoólico.

Ambas as mulheres são parte de um novo movimento sob o qual os adeptos da tecnologia, viciados em Internet, usuários maníacos de Blackberrys e remetentes compulsivos de mensagens instantâneas decidiram retomar o controle de suas vidas ousando se desconectar - nem que por apenas um dia.

"Acredito que exista alguma porção de nós, onde vive o bom senso, que nos faz parar e pensar que as coisas foram longe demais e que vivemos conectados em excesso", disse Sarmiento, uma mulher de cerca de 30 anos que é dona de uma empresa virtual e blogueira profissional, no Alabama.

"É como se nossas cabeças fossem em milhões de direções diferentes a um só tempo. Assim, reservar um dia para ficar completamente desligada de qualquer força tecnológica permite que recuperemos nossa conexão com o mundo real", disse ela.

Há quem chame a idéia de "Sabá secular". Para outros, é o "dia desconectado". Em Quebec, Canadá, Denis Bystrov e Ashutosh Rajekar, dois profissionais da computação, estão organizando um "dia mundial desconectado", em maio.

Stallings, 33, escritora, blogueira e executiva de marketing em tempo parcial para a Microsoft, em Seattle, em janeiro adotou a resolução de passar "52 noites desconectada", este ano.

"Amo a tecnologia. Não sou inimiga das máquinas. Mas compreendi que tinha um problema quando percebi que ocasionalmente eu me sentava ao computador para verificar emails e era como se acordasse apenas seis horas mais tarde, assistindo vídeos de animais no YouTube", disse.

"Eu tentava recordar o que havia feito nas duas horas passadas, e nem fazia idéia. Associo essa experiência àquela sensação de que o tempo passou sem que saibamos o que estávamos fazendo, que nos afeta depois de uma forte bebedeira", disse.

Depois de perceber o vício, Stallings mantém agora seu computador, celular e televisão desligados em todas as noites de quarta-feira.

Ironicamente, ela rapidamente disseminou a idéia por meio do seu blog (http://52nightsunplugged.ning.com) e se conectou a milhares de pessoas ao redor do mundo que habitualmente mandam mensagens de texto enquanto dirigem, levam seus laptops para o banheiro ou checam email durante o jantar.

"Eu achava que era um problema que afetava somente a mim e meus colegas geeks. Mas então soube que italianos têm os mesmos problemas, junto com poloneses e tchecos, e também já recebi comentários de pessoas na Colômbia", afirmou ela. "Então eu percebi que isso não é apenas um problema americano, mas internacional", acrescentou.

Sarmiento, que escreve o blog eSoup (http://www.esoupblog.com/), disse que ela retomou a pintura e começou a se envolver em projetos de voluntários desde que começou seu "dia de descanso digital" há dois meses.

"Eu já sonhei que estava blogando. Eu já naveguei pela Internet nos meus sonhos algumas vezes. E se eu começo a ouvir sons imaginários de mensagens chegando em meu computador quando estou no quintal de casa, isso me diz que passei muito tempo online", disse Sarmiento.

Enquanto isso, Stallings começou aulas de dança com seu marido, a se encontrar com amigos e a escrever cartas, à mão, claro.

Ela aguarda ansiosa o dia em que a tecnologia alcançar a necessidade de descanso digital. "Haverá celulares que poderão ser configurados para não receber email depois das cinco da tarde do sábado ou aos domingos", disse ela.

Reuters
Reuters - Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.