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Terça, 29 de abril de 2008, 16h03

Regras para teste de domínios podem mudar

Doreen Carvajal

Quando Alicia Navarro estava à procura de um nome marcante para sua nova empresa, ela teve de enfrentar uma realidade terrível. Todas as suas melhores idéias de nomes de domínio na Internet já estavam reservadas. "Eu criei diversas idéias ótimas, e me senti arrasada ao descobrir que os domínios não estavam disponíveis", conta Navarro, ex-executiva da Vodafone. "Isso significa que os empresários de Internet precisam dar nomes cada vez mais ridículos aos seus negócios - Twango, Yugma, Stikkit, Rootly".

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Os problemas que ela e muitas outras pessoas enfrentam na web estão vinculados à aceleração descontrolada da especulação com nomes de domínios - uma prática conhecida como "teste de domínio", sob a qual milhões de nomes são registrados e testados para determinar seu potencial publicitário durante um período de cinco dias de uso gratuito.

Organizações de arbitragem como a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO) e o Fórum Nacional de Arbitragem atribuem o número recorde de disputas internacionais quanto a marcas registradas, no ano passado, à pratica de "teste de domínio". Desde que a tendência surgiu, em 2005, o número de disputas encaminhadas à WIPO subiu em 48%, para 2.156.

Para empresas como a Microsoft, a prática causa o incômodo de enfrentar constantemente invasores tipográficos que registram variações dos nomes dessas companhias que podem ser causadas por erros de digitação e utilizam as visitas encaminhadas a esses sites para faturar com publicidade. No caso dos usuários individuais, a prática significa que milhões de nomes estão sempre bloqueados em um ciclo constante de registro e cancelamento antes que o pagamento sobre eles vença.

Agora, a Icann, organização sediada na Califórnia que administra o sistema de nomes de domínio, decidiu considerar medidas que impossibilitem esse tipo de prática. O conselho da Icann votará em Paris, em junho, sobre uma proposta que limitaria severamente o número de nomes de domínio que podem se restituídos sem pagamento, mas a organização vem enfrentando resistência das empresas que fornecem serviços de registro de domínios, que se opõem à idéia de abandonar o prazo de carência.

As empresas, licenciadas para registrar e vender novos nomes de domínio, também estão divididas quanto ao assunto. Algumas insistem em que o período de carência permite que erros como digitação incorreta sejam corrigidos.

Algumas poucas empresas de registro de domínios respondem por 95% do movimento mundial do setor. Um dos motivos básicos do teste de domínios, de acordo com a Coalizão de Combate aos Abusos de Nomes de Domínio, sediada em Washington, é que as operadoras esperam que os sites atraiam tráfego, e com ele receita, por meio de publicidade. E muitos desses nomes são semelhantes a marcas registradas.

"Nós definimos o setor como um negócio de US$ 1 bilhão", disse Phil Lodico, consultor de estratégia na Internet e vice-presidente da coalizão. "Inicialmente os invasores eram pessoas que podiam ser localizadas por meio de seus computadores. Essas pessoas ainda existem, mas agora também temos empresas que investiram pesadamente em tecnologia. Elas simplesmente registram centenas de milhares de nomes de domínio, e dispõem de recursos consideráveis".

Milhões de nomes são registrados e apagados ao final dos cinco dias de carência, de acordo com uma subunidade da Icann que lançou um relatório apontando que, em março do ano passado, cerca de 80% dos 72,2 milhões de nomes de domínio registrados no mês foram testados e abandonados. A maioria deles foi registrada por 20 empresas dos Estados Unidos, Áustria e Rússia.

As três maiores, Capitoldomains, Belgiumdomains e Domaindoormain, são empresas de registro que registraram mais de 11 milhões de nomes de domínio em prazo de apenas um mês, em determinados momentos do ano passado, de acordo com a Icann.

As três compartilham do mesmo endereço, em Miami, e são representadas por uma mesma advogada, Nancy Cliff, que não respondeu a numerosas tentativas de contato. Os sites das três afirmam que estão envolvidas em processos contra a Dell, que abriu ações contra elas por "invasão virtual de domínio".

Tradução: Paulo Migliacci ME

Herald Tribune

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