notícias por e-mail   fale conosco  rss
Internet 10 anos


 

Hardware & Software
Terça, 6 de maio de 2008, 12h50 
Xobni chega para ajudar usuários do Outlook
 
Brad Stone
 
Peter DaSilva/The New York Times
Jeff Bonforte (esq.), Matt Brezina e o criador do Xobni, Adam Smith (dir.), no escritório em San Francisco (EUA) com o mascote Zoe
Jeff Bonforte (esq.), Matt Brezina e o criador do Xobni, Adam Smith (dir.), no escritório em San Francisco (EUA) com o mascote Zoe
 Últimas de Hardware & Software
» Software permite a robôs aprender a se mexer sozinhos
» Cientistas usam sensor de laptop para detectar terremotos
» Capa de laptop para raio-x facilita embarque em aeroportos
» Blogs criticam tentativa de melhorar imagem do Vista
Busca
Faça sua pesquisa na Internet:

Adam Smith tinha 12 anos quando a Microsoft lançou seu programa de e-mail, o Outlook, que se tornou a mais popular ferramenta mundial de e-mail, e está em uso por centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. E Smith, 23, acredita que ele seja tão pouco adequado aos hábitos das pessoas que empregam o e-mail de maneira mais intensiva que co-fundou uma empresa, a Xobni, com o objetivo de consertar esses defeitos.

"Usar o Outlook hoje é como tentar ir ao espaço de Fusca", disse Smith. "As pessoas estão causando desgastes que o programa jamais foi concebido para enfrentar". A Xobni, com sede em San Francisco, está lançou uma nova ferramenta que se conecta ao Outlook. A queixa geral de Smith ¿ compartilhada por muitos dos usuários do Outlook - é a de que quanto mais o programa é utilizado, mais lento ele se torna, e mais difícil fica encontrar endereços de e-mail e telefones.

Para resolver esse problema, a Xobni ("inbox" escrito de trás para frente, e pronunciado "zóbni") produziu um programa para download gratuito que, quando instalado, indexa todos os e-mails que o Outlook contenha e torna essas mensagens facilmente acessíveis a buscas rápidas. O software, que pode ser baixado em http://www.xobni.com, também será vendido a empresas.

Outros programas, como o Google Desktop, executam a mesma missão básica de busca e indexação. Mas o Xobni, definido por seus criadores como um "filtro inteligente", acrescenta alguns recursos adicionais. Quando ele procura alguma coisa na caixa de entrada, extrai números de telefone que acredita estejam associados ao remetente. Assim, quando o usuário procura pelo nome de alguém, o Xobni exibe esse número de telefone em um painel lateral no Outlook.

O software também interpreta o relacionamento social entre pessoas que enviam mensagens umas às outras. Por exemplo, o Xobni reconhece que se um executivo envia uma cópia de todas as mensagens que recebe a alguém, essa pessoa pode ser um assistente ou colega. Quando alguém procura pelo nome do executivo no Outlook, os retornos de busca incluem o nome da segunda pessoa.

Extrair esses recursos de rede social de um arquivo de mensagens de e-mail é uma proposição atraente no Vale do Silício atual, e como resultado a empresa estreante de 14 funcionários está atraindo imensa atenção.

A empresa levantou US$ 4 milhões junto aos fundos de investimento de Vinod Khosla, um dos co-fundadores da Sun Microsystems, e Niklas Zennstrom, um dos fundadores da Skype. Em fevereiro, Bill Gates demonstrou o programa em uma conferência de programadores de software da Microsoft em San José, e o definiu como "a próxima geração das redes sociais".

A Microsoft gosta muito quando criadores de software melhoram seus programas, e o Xobni não é exceção. Mas os executivos da empresa iniciante descrevem uma "dança complicada" com a Microsoft nos últimos meses. Este ano, Microsoft e Xobni realizaram negociações preliminares com vistas a uma possível aquisição da nova empresa pela gigante do software. Mas as negociações foram suspensas, em função de discordâncias quanto ao preço, da exigência de que a empresa funcionasse como unidade independente na Microsoft e da hesitação dos funcionários do grupo quanto a se transferiram para Seattle.

A Xobni foi criada por dois antigos estudantes de pós-graduação, O cientista da computação Smith e Matt Brezina, 27, que estudava engenharia elétrica. Os dois se conheceram durante um estágio, em 2006. No ano passado, participaram do Y Combinator, um laboratório para a criação de novas empresas, no Vale do Silício, no qual receberam uma verba inicial e o uso temporário de um conjunto de escritórios.

A Xobni tem ambições bem maiores que o Outlook. Jeff Bonforte, 35, antigo vice-presidente do Yahoo, foi contratado como presidente-executivo da empresa em fevereiro. Ele planeja expandir o alcance do software Xobni a diversos outros programas de e-mail, como os populares serviços de webmail Yahoo Mail, Gmail (do Google) e Hotmail, da Microsoft, bem como a redes sociais como o Facebook e a LinkedIn.

Bonforte imagina que um dia, quando as pessoas digitarem um nome na caixa de busca do Xobni, o software poderá localizar e-mails, endereços de mensagens instantâneas e outras formas de comunicação online vindas da pessoa, mesmo que ela tenha utilizado diversos serviços de Internet diferente para todas essas formas de comunicação.

"Queremos saber sobre os relacionamentos que existem entre as diferentes caixas de entrada", ele afirmou.

A Xobni enfrentará concorrência em sua busca por melhorar as comunicações online. Todas as grandes empresas de Internet falam sobre tornar o e-mail mais inteligente mais eficaz do ponto de vista social. E serviços de e-mail como o Gmail e o Hotmail já crescem muito mais rápido do que o Outlook, um sistema que precisa ser instalado em máquina e no qual a Xobni agora está fincando sua bandeira.

No Yahoo, em especial, os antigos colegas de Bonforte falaram, em público em diversas ocasiões sobre a busca pela próxima geração de e-mail "inteligente".

"Sentimos que existe uma rica oportunidade de criar uma caixa de entrada mais inteligente aproveitando os contatos com as pessoas que os usuários já conhecem e com as quais eles já têm contatos mais freqüentemente", disse Brad Garlinghouse, vice-presidente sênior do Yahoo e antigo chefe de Bonforte. "Essa será uma das iniciativas essenciais do Yahoo em 2008".
 

The New York Times