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Negócios & TI
Terça, 13 de maio de 2008, 07h44  Atualizada às 08h40
Empresas comemoram política industrial como "primeiro passo"
 
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As empresas comemoraram, mas não deixaram de salientar que a política industrial anunciada ontem pelo governo federal é o que elas chamam de "um primeiro passo" para que o Brasil alcance uma posição de maior competitividade global diante do avanço de concorrentes agressivos, como os asiáticos.

Além de se disporem a acompanhar, a partir de amanhã, o que virá na prática sobre os discursos desta segunda, os empresários lembraram que muita coisa ainda há para ser feita, já que o País tem uma das mais altas taxas de juros do mundo, uma carga tributária considerada elevada e problemas de infra-estrutura, como precárias condições portuárias.

"Melhor impossível". Esta foi a reação do presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços (Brasscom), Antonio Carlos Gil, já que o setor de tecnologia foi um dos grandes beneficiados pelo pacote, chamado de Política de Desenvolvimento Produtivo.

Gil disse à agência Reuters que, "levando-se em conta a complexidade do assunto, não poderíamos esperar nada melhor". As medidas incluem redução de impostos, estímulo às exportações e novas linhas de crédito ao segmento.

O empresário lembrou que "o Brasil tem 45 anos de conhecimento e competitividade na área de tecnologia da informação" (TI) e é hoje o oitavo maior mercado nesse segmento, mas ainda tem custos mais altos que concorrentes como a Índia. Para ele, as medidas anunciadas "são o primeiro passo de um caminho que pode transformar o Brasil em um dos três maiores centros de TI do mundo".

Entre as medidas que beneficiam esse setor, o governo reduziu pela metade - de 20 para 10% - a contribuição patronal para o INSS e eliminou a contribuição para o sistema S (que é de 3,5%) para empresas que gerarem 50% de sua receita com exportações.

A área de softwares ainda ganhou uma nova linha de crédito de R$ 1 bilhão dentro do programa Prosoft do BNDES e a possibilidade de reduzir, da base de cálculo do Imposto de Renda e CSLL, os gastos com pesquisa e desenvolvimento.

"Agora vamos acompanhar a implementação dessas medidas e cuidar de outro problema, que é a capacitação de mão-de-obra no ritmo necessário", acrescentou Gil.

INFRA-ESTRUTURA

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, também considerou alguns dos anúncios "excelentes", especialmente o que trata da ampliação do prazo de financiamento para a compra de máquinas, que dobrou de cinco para 10 anos.

Os equipamentos importados, segundo ele, chegam ao Brasil com financiamentos de 10 a 12 anos, o que tornava o Brasil pouco competitivo, já que aqui o prazo era limitado a cinco anos.

O governo ainda isentou as operações de IOF e reduziu o spread do BNDES. "Eram reivindicações antigas da indústria", salientou Aubert.

Para ele, o pacote "mostra que o governo está começando a formular uma política industrial. Fazia tempo que não tínhamos isso", afirmou.

Ele lembrou, no entanto, que o programa "não é o ideal", já que muita coisa ainda precisa ser feita, na sua opinião. "Para o começo está bom, mas o Brasil ainda tem a mais alta taxa de juros do mundo, uma carga tributária muito elevada e problemas de infra-estrutura", ponderou. A questão da infra-estrutura também foi lembrada por Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

"Eu fiquei relativamente animado porque boa parte das reivindicações que vínhamos fazendo ao longo dos últimos anos foi atendida. No Brasil agora voltamos a ter política industrial. E, em um país com tantos problemas na sua infra-estrutura, não dá para contar com o mercado para regular tudo", disse ele.

A Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib) também elogiou o pacote, mas afirmou em comunicado que "o desafio, de agora em diante, será conseguir instituir um modelo de gestão e controle centralizado e ágil para acompanhar a implementação e o cumprimento das metas listadas, que dependerão de 35 órgãos e instituições públicos."


 

Reuters

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