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Quarta, 14 de maio de 2008, 17h56

Pirataria de software cai mas prejuízos crescem 20%

Kevin J. O¿Brien

A pirataria de software custou US$ 47,8 bilhões em receita perdida às empresas mundiais do setor, no ano passado, 20% a mais do que em 2006, de acordo com um estudo publicado por uma associação setorial. Mas os índices de incidência de cópias não autorizadas de software na verdade caíram em mais de metade dos países observados, entre os quais alguns antigos porto seguros para os piratas, como a Rússia, devido a medidas de repressão adotadas pelas autoridades contra a prática.

O relatório preparado para a Business Software Alliance (BSA), uma associação sediada em Washington que congrega alguns dos maiores produtores mundiais de software, disse que o maior país em termos de pirataria de software, por valor, continuava a ser os Estados Unidos, onde US$ 8 bilhões em receita foram perdidos no ano passado devido ao software pirata, ante US$ 7,3 bilhões no ano anterior.

Robert Holleyman, presidente da BSA, atribuiu a alta nas perdas mundiais de faturamento ao crescimento econômico acelerado dos países em desenvolvimento, que colocou mais computadores pessoais e mais software vendido clandestinamente no mercado.

"A maior parte das cópias ilegais são utilizadas por empresas, em geral pequenas e médias empresas", disse Holleyman em entrevista. "Ainda que tenhamos visto uma queda nos índices de pirataria na maioria dos países estudados, em alguns poucos mercados de porte muito grande continua a existir crescimento econômico muito acelerado, especialmente no setor de pequenas empresas".

Embora o montante das perdas causadas por pirataria de software tenha sido mais elevado nos Estados Unidos, o índice de software pirata em operação no país, estimado em 20%, era o menor entre as nações pesquisadas como parte do estudo. A China continua a ser o segundo maior mercado mundial de software pirata, com um total estimado de US$ 6,7 bilhões de receita perdida devido ao uso de programas não autorizados, em 2007, ante US$ 5,4 bilhões no ano anterior. Na China, a proporção de software pirata é de 82%, de acordo com o relatório, sem alteração com relação ao ano anterior.

A Rússia ocupa o terceiro posto no estudo, com prejuízos causados pela pirataria estimados em US$ 4,1 bilhões de receita perdida, bem acima dos US$ 2,2 bilhões do ano anterior. A despeito dessa ascensão, a porcentagem de programas piratas em uso na Rússia caiu a 73%, ante 80% em 2006.

Holleyman disse que a porcentagem de programas piratas em uso caiu na Rússia devido a um esforço sustentado de repressão, a uma campanha continuada de treinamento de policiais para que identifiquem com mais facilidade o software pirata e a uma efetiva campanha de informação pública conduzida pelo Ministério do Interior do país.

Em quarto posto na lista mundial de pirataria de software fica a Índia, com perdas de receita relacionadas à pirataria de programas estimadas em US$ 2 bilhões para o ano de 2007, ante US$ 1,3 bilhão em 2006. A porcentagem de programas piratas em uso no mercado indiano foi estimada pelo relatório em 69% para o ano de 2007, com queda de dois pontos percentuais ante os totais do ano anterior.

A ascensão nos prejuízos que o setor mundial de software sofre em todo o mundo devido à pirataria, ante o total estimado em US$ 39,7 bilhões para 2006 calculado pelo relatório do ano precedente, aconteceu a despeito de uma queda nos índices de pirataria estimados para 67 dos 108 países pesquisados.

Marcel Warmerdam, um gerente geral encarregado de coordenar o projeto na IDC, a empresa que conduziu a pesquisa para a associação setorial de software, declarou em Amsterdã que cerca de metade da alta na perda de receita causada pelo software pirata no ano passado estava relacionada ao avanço do euro nos mercados de câmbio, o que redundou em uma elevação no valor em dólares das vendas que deixaram de ser realizadas na Europa devido à pirataria.

Se o avanço do euro nos mercado de câmbio for excluído dos cálculos, Warmerdam estima que a alta no índice mundial de pirataria para 2007 deva equivaler a 10%. Na Europa, a França registrou o maior prejuízo estimado com a pirataria, US$ 2,6 bilhões, ante US$ 2,7 bilhões no ano anterior.

Na Europa Ocidental, o país que registrava maior incidência de software pirata era a Grécia, onde os programas piratas respondem por 58% do software instalado, segundo as estimativas do relatório. As perdas de faturamento do setor de software no país chegam a US$ 198 milhões em 2007.

De acordo com Holleyman, uma nova lei que entrará em vigor este ano na Grécia deve reduzir a pirataria ao propiciar à polícia tributária do país a autoridade necessária a perseguir os piratas de software.

Herald Tribune

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