Os governos brasileiros
passados erraram ao considerar que o país não tinha
oportunidade de competir na área de microeletrônica. A
afirmação é do ministro de Ciência
e Tecnologia, Sérgio Resende, que participa do "IC Executive
Summit", um fórum de líderes de empresas de
eletroeletrônicos e de semicondutores, elemento fundamental
para esse tipo de indústria.
» AMD: América Latina não tem estrutura para fábrica de chips
"Foi um erro de
avaliação, porque para termos tecnologia é
preciso ter recursos humanos, gente formada, treinada. Nosso governo
considera que o Brasil não pode abrir mão de nenhuma
tecnologia. Temos 180 milhões de habitantes e, certamente,
temos pessoas capacitadas para atuar em qualquer área, desde
que haja investimento na formação de pessoas e de
empreendimentos", afirmou Resende.
O ministro explicou que,
na década de 1980, o país chegou a ter 20 empresas de
componentes eletrônicos. Com a abertura do mercado na década
de 1990 e políticas que não incentivavam a produção
nacional na área, hoje só existem três empresas do setor, mas
nenhuma delas fabrica o semicondutor, elemento que pode ser tratado
quimicamente, para transmitir e controlar uma corrente elétrica.
Para correr atrás
do prejuízo e atrair empresas do setor, o governo brasileiro
criou o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da
Indústria de Semicondutores (PADIS), com projetos de concessão
de incentivos fiscais para empresas da área interessadas em se
instalar no país. Além disso, também foram
criados centros de treinamentos, para a capacitação de
1,5 mil profissionais especializados até 2010.
O
presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial
(ABDI), Reginaldo Braga Arcuri, explica que a instalação
de uma fábrica dessas no Brasil requer investimentos de cerca
de US$ 5 bilhões. Também seriam necessários
cerca de 150 profissionais com nível de doutorado,
especialistas em semicondutores, além de diversos outros em
graus intermediários. O país ainda não conta com
isso.
Resende
estima que, a partir do fórum, que vai até amanhã
(21) e conta com representantes de grandes empresas de todo o mundo, como
IBM, Motorola e Toshiba, o Brasil possa ter, até o fim do ano,
um posicionamento oficial para a instalação de uma
fábrica no país. Ele afirmou que algumas dessas
empresas, inclusive, já agendaram reuniões com o
ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, Miguel Jorge, mas não quis revelar seus nomes.