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Quinta, 29 de maio de 2008, 00h27 Atualizada às 12h31

Saúde: governo destinará R$ 60 mi à tecnologia

Dos R$ 140 milhões que o governo federal destinará para pequisa em saúde neste ano, cerca de R$ 60 milhões, serão canalizados para investimentos em estudos sobre inovação tecnológica de equipamentos e materiais.

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Segundo Suzanne Serruya, diretora do departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde (MS), a área de equipamentos é um dos pontos-chave do Complexo Industrial da Saúde, previsto pelo PAC da Saúde e que está recebendo um suporte especial para pesquisa.

"Nós temos um balança comercial negativa nesse setor de quase U$ 1 bilhão ao ano. Isso mostra que é necessário que o Brasil produza equipamentos dos mais simples aos mais complexos com autonomia para tornar o próprio SUS sustentável", afirmou.

Além disso, ela destacou que, por envolver materiais e tecnologia de alto custo, as pesquisas em equipamentos exigem maior concentração de recursos do que outras, como, por exemplo, as que avaliam sistemas de atendimento.

De acordo com Eduardo Oliveira, coordenador geral de Economia da Saúde do MS, o mercado brasileiro de equipamentos e materiais de saúde, que inclui kits de soro, catéteres, tomógrafos, aparelhos ortopédicos e aparelhos de ecocardiograma, movimenta em torno de U$ 3,5 bilhões.

Do total, cerca de 70% é absorvido pelo SUS, seja por meio de compras diretas do Ministério da Saúde, dos Estados e municípios ou de reembolso de serviços prestados por estabelecimentos credenciados.

Segundo ele, a maioria dos produtos de alta tecnologia agregada usados nas unidades de saúde do País são importados. "Há um montante significativo de produtos fabricados no Brasil, mas são produtos simples e de baixo valor agregado, como kits de soro, agulhas e seringas. Por outro lado, nos produtos de altíssima tecnologia, como tomógrafos, aparelhos de ressonância magnética e ultra-som, aceleradores lineares para terapia de câncer, nós somos absolutamente dependentes", afirmou.

Oliveira salientou que, com a entrada de produtos chineses no mercado nacional, as importações vem crescendo até em materiais de baixa tecnologia usados na saúde.

Na opinião do coordenador, ao investir na área de equipamentos médicos é possível mobilizar toda a cadeia científica-tecnológica, que inclui a formação de recursos humanos para laboratórios de avaliação de qualidade e para o desenvolvimento de pesquisa e desenvolvimento nas empresas, melhorando o patamar de qualidade e competitividade dos produtos fabricados no País.

"Induzindo produção local com qualidade, e não protegendo mercados pura e simplesmente, com base nas demandas tecnológicas do SUS, se consegue incentivar desenvolvimento tecnológico e de produção, aumentar renda e emprego e mobilizar toda a cadeia produtiva."

Ainda de acordo com ele, o desenvolvimento de equipamento nacional não irá gerar necessariamente economia para o poder público na área da saúde, mas garantir qualidade que nem sempre é alcançada com os produtos que vem de fora e melhorar o acesso e a resolutividade dos serviços prestados a população.

Agência Brasil

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