
Atualizada às 16h43 Elizabeth Olson
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Na metade do ano passado, o marido de Trost morreu depois de um derrame, mas ela optou por se manter na casa em que vive há 36 anos. Não queria ninguém vivendo na casa para cuidar dela, e não pode mais dirigir. Aos 88 anos, ela sofre de degeneração macular e usa remédios para prevenir convulsões, perda de memória e problemas musculares nas pernas.
"Ela é uma mulher valente", disse Pitet sobre a mãe. "Quando toma os remédios, tudo fica bem, mas mesmo assim eu vivo com medo porque ela está sozinha".
Pitet e a irmã decidiram se tornar parte do número pequeno mas crescente de pessoas que fazem instalar sensores de movimento e de monitoramento remoto para manter em segurança parentes idosos. Sensores afixados às paredes registram o momento em que Trost sai da cama e se ela vai ao armário de remédios, e alertam as filhas quanto a quaisquer desvios em sua rotina que possam indicar um acidente ou enfermidade. A família é mantida informada por um relatório eletrônico atualizado a cada manhã.
Sistemas de monitoração como esse, que vão vem além dos botões de emergência que existem há anos para uso doméstico, ainda não estão disponíveis em muitas casas. Alguns dos idosos se preocupam com a invasão de sua privacidade, e o custo básico do pacote pode variar entre US$ 50 e US$ 85 (R$ 81 e R$ 138) ao mês para o pacote de sensores e de aparelhos de monitoramento remoto escolhidos pela família de Trost. Pacotes mais abrangentes podem incluir aparelhos que acompanham a pressão sangüínea dos pacientes, seu peso e seu ritmo respiratório.
Os especialistas em envelhecimento dizem que esses sistemas se tornarão mais e mais comuns à medida que os membros da geração baby boom (os norte-americano nascidos entre 1946 e 1964) se aproximam de idade nas quais problemas físicos ou outros como diabetes ou dificuldades para enxergar podem ameaçar sua capacidade de viver independentemente.
O número crescente de pacientes do Mal de Alzheimer também pode ajudar a estimular a adoção de tecnologias como os sensores de movimentos, que podem alertar quanto a desvios de rotina, bem como de rastreadores que informarão se remédios estão sendo tomados e botões para acionar serviços de emergência.
Os sistemas de tecnologia que permitem aos usuários continuar envelhecendo com independência, ou, como definem alguns, "vivendo sem sair do lugar", ainda estão a anos de uma adoção mais generalizada, à espera de financiamento mais generoso para a pesquisa. Mas existem projetos em curso para o teste de aparelhos de alta tecnologia, entre os quais sensores sem fio e aparelhos de regulagem da temperatura, da luz e dos eletrodomésticos de uma casa, bem como de monitores médicos sofisticados.
Pesquisadores da Intel estão desenvolvendo aparelhos como um "bracelete de memória", que vibra em um momento especificado para lembrar o usuário de consultas médicas ou de tomar seus remédios. Em testes, há também tapetes com sensores integrados - Eric Dishman, diretor de pesquisa de produtos da empresa os define como "tapetes mágicos" - e sensores integrados às roupas, que medem mudanças na passada, a fim de evitar quedas.
Reconhecendo o potencial comercial de tecnologias para ajudar as pessoas que estão envelhecendo, dezenas de empresas norte-americanas como a GE Healthcare, IBM e Medtronic dois anos atrás formaram a Continua Health Alliance, para desenvolver produtos que ajudem pessoas mais velhas. A despeito dos projetos, dos testes e do interesse comercial, Dishman diz que os Estados Unidos estão "ficando para trás" no que tange às tecnologias de assistência aos idosos, se comparados à Europa.
"Ainda não conduzimos trabalho de pesquisa e desenvolvimento em volume suficiente para provar que essas tecnologias funcionam", disse ele. "Nenhum de nós quer colocar em casas de idosos tecnologias que não tenham sido testadas".
Ele informou que a União Européia havia destinado US$ 1,5 bilhão em verbas para financiar o desenvolvimento de tecnologia de assistência à vida independente.
No ano passado, a Intel formou uma parceria com o governo da Irlanda para criar o Centro de Pesquisa de Tecnologia para a Vida Independente, conhecido como Tril, em Dublin, para inventar e testar tecnologias que auxiliem os idosos e enfermos a manter vidas independentes.
Até agora, disse ele, uma dúzia de outros países e 30 universidades solicitaram a assistência do Tril.
Algumas empresas prestadoras de serviços de saúde começaram a equipar seus clientes com aparelhos que se enquadram às suas necessidades. A NewCourtland Elder Services, que presta assistência de saúde a cerca de duas mil pessoas em Filadélfia, iniciou um programa piloto de um ano de duração, em 2006, acompanhando 33 pacientes que viviam sozinhos, por meio de sensores remotos que acompanhavam as mudanças em sua saúde ou padrões de atividade que poderiam exigir intervenção médica rápida, disse Kim Brooks, vice-presidente de habitação e serviço na NewCourtland.
Um dos pacientes é Cleora Colley, 77, técnica farmacêutica aposentada que usa uma cadeira de rodas desde que perdeu as duas pernas devido ao diabetes. Ela mora sozinha em um condomínio para idosos, e um sistema remoto mede sua pressão e envia dados a um centro de monitoramento, que notifica Colley e seu médico sobre quaisquer mudanças. "Eu vivo por minha conta, mas não estou sozinha", disse Colley, acrescentando: "realmente aprecio a minha independência".
Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times
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Ben Garwin/The New York Times
Helen Trost, 88, sofre de degeneração macular e é monitorada remotamente pela filha
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