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Tecnologia

 
 

Empresas combatem avalanche de informações online

16 de junho de 2008 15h31 atualizado em 17 de junho de 2008 às 14h54

Grupo tenta combater o fluxo sem fim de informações. Foto: Ben Sklar/The New York Times

Grupo tenta combater o "fluxo sem fim" de informações
Foto: Ben Sklar/The New York Times

O assalto das chamadas de celular, e-mails e mensagens instantâneas ininterruptas está dispersando a atenção e prejudicando a produtividade. Trata-se de uma queixa comum. Mas agora as empresas que ajudaram a criar a inundação estão tentando contê-la.

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Algumas das maiores empresas do setor de tecnologia, entre as quais Microsoft, Google, IBM e Intel, estão se unindo para combater a sobrecarga de informação. Na semana passada, elas formaram uma organização sem fins lucrativos para estudar o problema, divulgar suas constatações e desenvolver maneiras de ajudar os trabalhadores - os seus e os de outras empresas - a enfrentar o maremoto digital.

O esforço surge em um momento no qual crescem as indicações estatísticas e circunstanciais de que as mesmas ferramentas de tecnologia que geraram avanços de produtividade agora podem ser estar contraproducentes, devido ao uso excessivo.

A Intel e outras empresas já estão testando soluções. Pequenas unidades em algumas empresas já encorajam seus trabalhadores a verificar e-mails com menos freqüência, a enviar mensagens coletivas de maneira mais judiciosa e a evitar que a saraivada incessante de mensagens digitais altere a todo momento suas listas de prioridades.

Na semana passada, um engenheiro do Google lançou o E-Mail Addict, um recurso experimental do serviço de e-mails da empresa que permite que as pessoas desativem suas caixas de entrada por 15 minutos. Jonathan Spira, analista chefe do grupo de pesquisa Basex e membro do conselho da nova organização, disse que as empresas compreenderam que estavam enfrentando o monstro que elas mesmas criaram. Ele aponta para uma máxima do Vale do Silício, a de que "as empresas deveriam comer a comida de cachorro que produzem", ou seja, utilizar suas próprias inovações.

"E elas compreenderam que estão comendo demais", disse Spira.

Muita gente reconhece de imediato que enfrenta - ou até facilita - interrupções constantes, mas os dados emergentes sobre a escala do problema podem causar surpresa.

Um típico trabalhador da informação que esteja sentado diante do computador o dia inteiro consulta seu programa de e¿mail mais de 50 vezes e usa um serviço de mensagens instantâneas 77 vezes, de acordo com avaliações da RescueTime, uma empresa que analisa hábitos de uso de computadores. A empresa, que obtém dados de 40 mil pessoas com software de aferição instalado em suas máquinas, também descobriu que um trabalhador média visita 40 sites de web por dia.

Essa atenção dispersa tem seu custo. Nos Estados Unidos, mais de US$ 650 milhões ao ano em produtividade são perdidos devido a interrupções desnecessárias, a maioria delas comunicações digitais sem urgência, de acordo com a Basex. A empresa diz que uma grande proporção desse custo deriva do tempo que as pessoas demoram para se recuperar de uma interrupção e retomar o trabalho.

As empresas estão compreendendo, além disso, que existe dinheiro a ser ganho ao ajudar as pessoas a reduzir sua gulodice digital. Grandes empresas de todo o mundo estão à procura de maneiras de impedir que ferramentas de software se tornem distrações, disse John Tang, pesquisador da IBM e membro da nova organização.

"Há uma vantagem competitiva em perceber como tratar desse problema", disse Tang. Ele afirma que "há certa ironia" no fato de que as soluções estão surgindo das mesmas empresas que criaram os sistemas digitais, para começar.

A introspecção do Vale do Silício vem acompanhada de uma tendência à defesa, a julgar das conversações de pessoas envolvidas. As comunicações digitais são sacrossantas - porque são as ferramentas da revolução -, de modo que críticas a elas são simplesmente um caminho para pensar de que maneira elas poderiam ser conduzidas melhor. E, evidentemente, a solução para o problema da atual tecnologia vem a ser ainda mais tecnologia, e tecnologia melhor.

Fora da organização, as empresas envolvidas, como a IBM, já estão desenvolvendo maneiras de conter o fluxo digital.

O recurso E-Mail Addict do Gmail é uma ferramenta bruta. Quando a pessoa clica em "pausa", a tela fica cinzenta, e surge uma mensagem dizendo "caminhe um pouco, faça seu trabalho, coma alguma coisa. Voltaremos em 15 minutos".

Michael Davidson, o engenheiro que criou o recurso, disse que a idéia surgiu em uma conversa com amigos, sobre a tentação de checar constantemente em busca de novas mensagens de e-mail.

"Eu codifiquei esse recurso que permite que o usuário reconheça que ele não tem autocontrole, e que a única saída é bloquear o e-mail por algum tempo", disse. (Os verdadeiros viciados que não conseguirem resistir aos 15 minutos de espera podem desativar a ferramenta pressionando a tecla esc.)

Há um vocabulário em formação quanto à sobrecarga de informação. Os profissionais do Vale do Silício falam em "falência do e-mail", de se atrasar tanto nas respostas a mensagens de e-mail acumuladas que se torna necessária apagá-las e começar de novo.

As pessoas que não exercitam a disciplina apertam o botão de "responder a todos" em uma mensagem, em lugar de responder a apenas uma pessoa, ou encaminham piadas a grandes grupos de destinatários. Há quem diga que o problema tem uma dimensão psicológica, já que as mensagens de e-mail oferecem uma espécie de circuito de realimentação viciosa.

"No nosso cerne, somos caçadores, somos vasculhadores", disse Tony Wright, presidente-executivo da RescueTime e também membro da nova organização. "Abrimos o e-mail e apertamos o botão de receber para ver se alguma coisa nova ou interessante está disponível".

Os membros da nova organização, o Grupo de Pesquisa sobre Sobrecarga de Informação, planejam realizar seu primeiro encontro formal em julho, em Nova York.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
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