O Chumby pode ser programado para diversas funções, como exibir a previsão do tempo ou tocar música
Foto: Divulgação
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Diana até recentemente lecionava desenho industrial no Instituto de Tecnologia da Geórgia, e seu trabalho costuma confundir as distinções entre arte, tecnologia e produto. Quando vivia em San Francisco, ela era presença regular na Dorkbot, uma reunião periódica de hackers e de inventores caseiros. E quando ela ouviu falar sobre o Chumby, a primeira coisa que pensou foi que ela precisava de um deles, de qualquer jeito.
O Chumby é um objeto de aparência bastante inocente, com cara de rádio-relógio, com uma pequena tela de toque e um exterior acolchoado e revestido em couro que leva um certo jeito de pufe. O produto custa US$ 180 (equivalente a R$ 289), e os líderes da comunidade nerd, como afirma Stephen Tomlin, presidente-executivo e fundador da Chumby Industries, vêm sendo a audiência alvo primordial do produto, até o momento.
O que o Chumby faz, basicamente, é exibir widgets - e a reação que você tiver a essa explicação resumida também servirá para definir onde você se enquadra no espectro dos nerds. ("O que é widget?", por exemplo, significa que você não faz parte da turma, mas não se desespere: a resposta está dois parágrafos à frente.)
O que colocou o Chumby nas telas de radar de pessoas como Diana, porém, é aquilo que se pode programar o aparelho para fazer. O Chumby pode ser conectado à Internet, roda com o sistema operacional Linux e está completamente aberto a hacks. Em outras palavras, é um aparelho completamente fonte aberta.
Mas os líderes da comunidade nerd representam uma base de consumidores muito pequena, e a Chumby Industries está apostando que esses consumidores iniciais, sempre propensos a alterar os produtos que adquirem, vão transformá-lo em algo mais atraente para as pessoas comuns.
O Chumby se enquadra na crescente categoria dos produtos "ambientais": em lugar de apresentar informações ou entretenimento em resposta a uma trabalhosa sucessão de buscas e visitas na web, o aparelho oferece o que você deseja sem que seja necessário erguer um dedo. (Outros exemplos incluem o Nabaztag, um aparelho em forma de coelho que transmite informações em voz alta ou por um código de cores, e o Ambient Orb, que traduz informações sobre o tráfego de dados na forma de um brilho variável.)
Em resumo, o modelo da Chumby atrai pessoas que anseiam criar de maneira ativa algo de que possam posteriormente desfrutar de maneira passiva. A unidade básica de comunicação do Chumby - o widget - é essencialmente um pequeno programa de computação que faz apenas uma coisa. Um widget pode exibir uma previsão do tempo, ou os mais recentes placares do beisebol.
Há widgets que exibem fotografias que você tenha arquivado online, ou que extraem imagens do site Daily Puppy. Alguns deles são jogos, ou envolvem cutucar a tela para levar um objeto animado a fazer alguma coisa.
Existem centenas de escolhas de widgets na Chumby Network - muitas das quais criadas por consumidores que depois distribuem suas invenções. É possível escolher qualquer um deles e alterá-lo, mas depois disso o Chumby simplesmente aciona o que quer que você tenha baixado. (A corrente de conteúdo do Chumby também é interrompida por algo de que o usuário não pode se livrar: publicidade.) O aparelho pode ser usado como rádio via Internet ou também como despertador.
Já que US$ 180 (cerca de R$ 290) parece um preço salgado por acesso permanente a um conjunto de webcams, a maioria dos consumidores convencionais de eletrônicos, condicionados a esperar a obsolescência, podem imaginar se não seria melhor esperar o lançamento do Chumby 2.0 - ou pelo menos por um corte considerável de preço. (Talvez seja o exterior com jeito de pufe, mas há algo nessa engenhoca que parece sugerir que seu futuro é ser passado para frente em uma venda de garagem.)
Mas o modelo de desenvolvimento de widgets pelos nerds mais ativos propõe uma revisão do modelo quanto ao ciclo de vida do aparelho. À medida que pessoas criativas continuarem desenvolvendo novos modos de definir aquilo que o Chumby pode ser, o aparelho poderia teoricamente se tornar mais útil à medida que o tempo passa.
Já existem elementos no Chumby que por enquanto ninguém decidiu explorar - por exemplo, um microfone. "Talvez alguém descubra uma maneira de transformar o aparelho em um telefone padrão Skype", sugere Tomlin. A empresa também espera que outros fabricantes produzam engenhocas - como molduras digitais de fotos e coisas assim - que aceitem o conteúdo distribuído pela Chumby Network. Tomlin não descarta a possibilidade de novas gerações do produto, mas argumenta que "o mesmo Chumby hoje é melhor do que quando ele foi comprado em novembro, e um Chumby comprado daqui a seis meses será ainda melhor".
Muito depende, portanto, da criatividade dos usuários mais envolvidos. Diana, por exemplo, não conseguiu usar o Chumby da maneira como pretendia originalmente (um protótipo que é complicado demais para explicar aqui). Mas ela criou pelo menos dois widgets interativos que estão sendo oferecidos pela Chumby Network, e tem um aparelho em seu escritório, onde ele a mantém informada sobre as palavras mais buscadas no Yahoo e coisas assim.
Mas ela continua fortemente interessada nas possibilidades de aparelhos ambientais. E talvez essas possibilidades venham a emergir em seu Chumby, enquanto este fica lá quietinho, esperando que outras pessoas inteligentes o tornem ainda melhor.
Tradução: Paulo Migliacci ME

- The New York Times


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