
Atualizada às 10h10 Anne Eisenberg
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Agora, um dos traços característicos dessas telas - sua rigidez - está mudando. Novas tecnologias estão em desenvolvimento para tornar as telas flexíveis, dobráveis ou até enroláveis como o papiro, de modo que grande telas possam ser transportadas em pequenos recipientes.
Um novo aparelho portátil, o Readius, projetado principalmente para a leitura de livros, revistas, jornais e e-mails, tem o tamanho de um celular comum. Aberto, porém, a tela que fica abrigada pelo revestimento se estende até cinco polegadas de tamanho, na diagonal. Ela se assemelha a um mostrador de LCD comum, mas é tão flexível que é possível dobrá-la em torno de um dedo.
Porque o Readius é um aparelho de bolso mas conta com uma tela flexível de dimensões generosas, pessoas que tenham um tempinho sobrando no trem, metrô ou táxi podem aproveitar para abri-lo, ler uma ou duas páginas de um livro e depois guardar o aparelho no bolso da camisa, disse Karl McGoldrick, presidente-executivo da Polymer Vision, a empresa de Eindhoven, Holanda, que criou o modelo.
O Readius pode até ajudar a reduzir a obsessão das pessoas com relação ao e-mail: com o aparelho, os momentos livres reservados à leitura provavelmente receberão melhor uso - digamos, a leitura de um romance de Stendhal. Mas, caso as boas intenções não bastem, uma conexão sem fio permite o aparelho baixa mensagens de e-mail, além de livros.
A tela em branco e preto contém cerca de 22 linhas da página de um livro, a depender da fonte, com letras negras nítidas fornecidas pela tecnologia da E Ink, também usada no Kindle, da Amazon, e outros leitores eletrônicos. A tela muda de uma página para outra em cerca de meio segundo, por meio de um botão acionado pelo polegar.
O Readius será lançado na Inglaterra, Alemanha e Itália no final deste ano e nos Estados Unidos no começo de 2009, disse McGoldrick. A bateria basta para cerca de 30 horas de leitura - o suficiente para ler O Vermelho e o Negro e um pedaço de Guerra e Paz. As páginas podem ser lidas sob diversas condições de iluminação, mesmo a céu aberto, ele afirma. O preço ainda não está definido, mas Thomas van der Zijden, vice-presidente de marketing e vendas da empresa, afirmou que o Readius seria mais caro que o Kindle, vendido por US$ 359 (cerca de R$ 575).
O Readius não é o único concorrente na área das telas flexíveis. "Trata-se de um exemplo inspirador, mas teremos diversos outros aparelhos", disse Shawn O¿Rourke, diretor de engenharia do Centro de Telas Flexíveis da Universidade Estadual do Arizona, em Tempe, que se concentra na comercialização de futuras tecnologias.
O¿Rourke define as telas flexíveis como "diferentes de um BlackBerry ou laptop", com seus fundos de vidro tradicionais. "Essas telas são finas, pesam pouco e são muito resistentes - e podem ser dobradas", ele diz. Os substratos que servem de base a elas são em geral feitos de chapas metálicas ou plástico.
O mercado de telas flexíveis deve crescer rapidamente, disse Jennifer Colegrove, analista da iSuppli, uma empresa de pesquisa de mercado. "As telas flexíveis são a tecnologia essencial para permitir uma nova geração de aparelhos portáteis que sejam móveis mas também ofereçam interfaces atraentes para os usuários".
As telas flexíveis oferecem as vantagens de transporte e armazenagem simples e relativamente baratos, se comparadas aos custos relacionados às telas convencionais, ela diz. A iSuppli prevê que o mercado total de telas flexíveis deva atingir os US$ 2,8 bilhões até 2013.
Paul Semenza, vice-presidente de pesquisa de telas na iSuppli, diz que as telas flexíveis não são inteiramente novas no mercado, mas que as anteriores eram aplicativos de baixa resolução - como as que existem em cartões magnéticos inteligentes e cartazes em pontos de venda - "e não produtos de alta resolução com a qualidade de imagem que os usuários esperam".
As imagens do Readius têm esse potencial, segundo ele, porque as telas são acionadas por uma chamada matriz ativa - transistores por trás de cada pixel, o que poderia agilizar a mudança rápida de imagens e melhorar o desempenho.
"A tecnologia da Polymer Vision é incomum", diz Semenza. "É difícil produzir uma matriz ativa sobre outra coisa que não vidro".
Caso a Polymer Vision obtenha sucesso em "produzir esses conjuntos de transistores", disse ele, "disporemos da capacidade de produzir telas de alto desempenho sobre substratos flexíveis, com capacidade tão boa quanto a de um laptop dotado de tela LCD da melhor qualidade".
O Readius, que até o momento é capaz de exibir 16 tons de cinza em sua tela, ainda não chegou a esse estágio, mas a Polymer Vision espera em breve adicionar cores e capacidade de vídeo, diz McGoldrick. Um protótipo de tela flexível colorida foi demonstrado em uma feira setorial, em maio.
O¿Rourke, do Centro de Telas Flexíveis, disse que admira as qualidades da nova geração de telas flexíveis, e que aprecia especialmente a sua resistência. "Algumas delas já foram testadas depois de alguém bater nelas com martelos, e continuaram funcionando", ele disse. "Não é algo que se possa fazer com um BlackBerry".
Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times
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The New York Times
A tela do Readius é tão flexível que pode ser enrolada em um dedo
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