Merecidamente ou não, o sistema operacional Windows Vista, da Microsoft, tem má reputação. Mas os recentes esforços da empresa para restaurá-la tampouco foram recebidos com entusiasmo.
» Disfarçado, Windows Vista agrada seus críticos
» Microsoft corta preço do Windows Vista no Brasil
» Apenas 8% dos programadores se dedicam ao Vista
» Fórum: opine sobre o Vista
Na semana passada, a empresa postou no site MojaveExperiment.com vídeos de um teste que envolvia 140 usuários de computadores que tinham opinião desfavorável sobre o Vista, escolhidos aleatoriamente. Os usuários não tinham experiência com o sistema, de modo que lhes foi exibido um software que a empresa definiu como seu novo sistema operacional, que teria o codinome "Mojave". Em quase todos os casos, os usuários gostaram.
No final do processo, foram informados de que o Mojave na verdade era o Vista.
Os vídeos demonstram as reações de choque. "É mesmo?", muitos dos participantes do teste disseram, com uma expressão tão surpresa quanto a dos fregueses dos restaurantes mais finos dos Estados Unidos, nos anos 80, quando informados de que o café convencional que estavam acostumados a tomar havia sido substituído pelo Folgers Crystals, um café instantâneo e descafeinado.
Na web, porém, muitos blogs de tecnologia exibiam reação diferente. "A Microsoft acha que você é a idiota", era a manchete de um post no blog da revista canadense Maclean¿s. O autor, Colin Campbell, escreveu que "a Microsoft parece estar transferindo a culpa por seus péssimos problemas de relações públicas aos consumidores".
Como a campanha da Folgers, a "experiência Mojave" é "um teste inteligente que nada demonstra", afirmou Bob Garfield, colunista da revista Advertising Age e apresentador do programa de rádio On the Media.
A má reputação que um produto possa ter não se deve a percepções incorretas, diz Garfield. Ela se deve a um mau produto. O Vista, que já chegou à metade de seu ciclo de vida planejado, três anos, atraiu mais desdém do que é comum entre os softwares mais importantes. As pessoas encontraram dificuldade para instalá-lo. Os usuários se queixam de que ele come memória demais, e que instalar drivers e aplicativos é complicado demais.
Os executivos da Microsoft vêm dizendo a jornalistas nas últimas semanas quanto o Vista melhorou. A empresa diz que, com 140 milhões de cópias vendidas, é o sistema operacional de venda mais rápida na história da Microsoft. De acordo com pesquisas internas da empresa, 89% dos usuários estão "muito satisfeitos" ou "razoavelmente satisfeitos" com o produto. Mas ainda assim muitos blogs desaprovam a maneira pela qual o teste Mojave foi conduzido. A principal queixa é: Será que assistir a um especialista demonstrar o Vista durante 10 minutos serve como base válida de avaliação?
Um dos problemas dos vídeos é que muitas das dificuldades quanto ao Vista envolvem sua instalação e a de drivers e aplicativos. Mas na experiência, o sistema já vinha instalado, e portanto esse aspecto do problema não era testado de maneira alguma. O site não exibia vídeos "sobre a conexão de novos aparelhos, tentativas de montar uma rede Wi-Fi ou como utilizar uma VPA (rede virtual privada)", aponta Adam DuVander, do Webmonkey, um site dedicado a programadores.
Todas essas queixas se baseiam em uma incompreensão sobre os propósitos da experiência Mojave, disse Ben Carlson, vice-presidente de estratégia da Bradley and Montgomery, a consultoria que conduziu a experiência. "Não estamos dizendo que o Vista seja perfeito, ou que todas essas pessoas tenham se apaixonado por ele", afirmou. O objetivo era demonstrar que "aquilo que as pessoas ouviram sobre o Vista não corresponde à realidade".
A demonstração de 10 minutos "representava corretamente o sistema operacional", ele disse, ainda que concordasse que "um sistema operacional é algo com que o usuário tem de conviver". Ele também disse que os vídeos não eram o fim da história. "Muito do que as pessoas se queixaram sobre o problema foi corrigido ao longo de sua evolução", ele disse. "A experiência prosseguirá".
A Microsoft se recusou a comentar.
Tradução: Paulo Migliacci ME