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Tecnologia

 
 

Universidades nos EUA querem dar iPhones aos alunos

24 de agosto de 2008 13h10 atualizado em 29 de dezembro de 2008 às 09h11

Apesar dos benefícios, a iniciativa é controversa. Foto: The New York Times

Apesar dos benefícios, a iniciativa é controversa
Foto: The New York Times

Em uma iniciativa que os professores podem considerar um tanto contraproducente, algumas universidades norte-americanas planejam distribuir iPods e iPhones da Apple, habilitados para acesso à Internet, aos seus novos alunos.

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Os aparelhos dotados de conexão permanente suscitam algumas possibilidades novas, como por exemplo determinar os locais de reunião dos estudantes. Menos controversa seria a possibilidade de as universidades enviarem mensagens sobre aulas canceladas, atrasos em ônibus, crises no campus ou apenas o cardápio do refeitório.

Embora as escolas enfatizem a utilidade dos aparelhos - pesquisas online em aula e consulta instantânea aos alunos, por exemplo - boa parte da atração é sem dúvida o fato de que o iPhone é visto como um produto irresistível pelos alunos. Aproveitar o brilho de uma máquina avançada como essa poderia ajudar uma universidade a criar reputação como local igualmente avançado.

A Apple também se beneficiará, ao capturar mais consumidores jovens que passarão décadas comprando aparelhos eletrônicos, ao deixar a universidade. Os únicos prejudicados, há que temer, seriam os professores.

Os estudantes já dispõem de laptops e celulares, evidentemente, mas os novos aparelhos poderiam levar a distração em aula a um novo patamar. Eles praticamente imploram que o usuário ignore o esforçado professor que batalha por transmitir a sabedoria acumulada, da frente da sala de aula - e, ainda que os professores considerem essa perspectiva incômoda, os alunos a vêem como inevitável.

"Quando a aula ficar tediosa, posso bem usar o aparelho", disse Naomi Pugh, aluna de primeiro ano da Universidade Freed-Hardeman, em Henderson, Tennessee, em referência ao seu novo iPod Touch, que ela pode conectar à Internet usando a rede sem fio do campus. Ela especulou que os professores talvez se esforcem mais por tornar as aulas interessantes, se tiverem de concorrer com esse tipo de aparelho.

Os especialistas vêem um movimento em direção ao uso de tecnologia móvel na educação, ainda que digam que a tendência mal começou. Os professores estão tentando descobrir como usar esses aparelhos de maneira útil. Oferecer aparelhos portáteis de conexão à Internet para os alunos certamente alimentará debates quanto ao papel da tecnologia na educação superior.

"Acreditamos que seja dessa maneira que o futuro vai trabalhar", disse Kyle Dickson, co-diretor de pesquisa e da iniciativa de aprendizado móvel da Universidade Cristã de Abilene, no Texas, que adquiriu mais de 600 iPhones e 300 iPods que serão distribuídos aos calouros no começo do ano letivo, em setembro.

Ainda que muitos alunos assistam aulas com seus laptops, eles não os carregam para todo lugar e prefeririam algo mais leve. A universidade de Abilene optou por esses aparelhos depois de conduzir pesquisas com estudantes e descobrir que eles não gostavam de carregar laptops com eles, mas que a maioria dos alunos quase sempre portavam seus celulares, afirmou Dickson.

Não se sabe ao certo quantas escolas pretendem distribuir iPhones e iPods no início do novo ano letivo; executivos da Apple preferiram manter a discrição sobre o assunto, afirmando que não podiam revelar os planos das instituições. "Não nos cabe anunciar notícias alheias", disse Greg Joswiak, vice-presidente de marketing do iPhone e do iPod na Apple. Ele também disse que não podia discutir os possíveis descontos oferecidos às universidades pela compra de aparelhos no atacado.

Pelo menos quatro instituições - além da universidade de Abilene e da Freed-Hardeman, também a Universidade de Maryland e a Universidade Cristã do Oklahoma - anunciaram que fornecerão aparelhos a alguns ou todos os seus novos alunos, quando começar o novo ano letivo.

Outras universidades continuam a considerar as opções. A Universidade de Stanford contratou uma empresa criada por alunos a fim de projetar aplicações como um mapa e guia do campus para o iPhone. A instituição está considerando a possibilidade de oferecer iPhones aos calouros, mas não está certa de que isso seja necessário, apontando que mais de 700 iPhones foram registrados na rede da universidade no ano passado.

No Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), já se poderia ver iPhones em quase toda parte caso a AT&T, a operadora de telefonia móvel que oferece os serviços do iPhone nos Estados Unidos, dispusesse de uma rede de dados mais confiável, disse Andrew Yu, gerente do projeto de plataformas móveis da instituição.

"Nós teríamos ido adiante com essa idéia, provavelmente, e talvez adquiríssemos mil iPhones para distribuição aos alunos, se a rede fosse melhor", ele afirmou.

A Universidade de Maryland, em College Park, está agindo com cautela, e oferecerá iPhones ou iPods Touch a 150 alunos, no começo do ano eletivo, disse Jeffrey Huskamp, vice-presidente de informações da instituição. "Não acreditamos que conheçamos todas as respostas", disse Huskamp. Ao observar como os alunos utilizam os aparelhos, afirmou, "tentaremos obter as respostas junto a eles".

Em cada uma das universidades, os estudantes que optarem por receber o iPhone devem se responsabilizar pelas contas de telefonia do aparelho. Os contratos de telefonia incluem uso ilimitado dos serviços de dados. Tanto os iPhones quanto os iPods Touch podem se conectar às redes sem fio da universidade. Com o iPhone, essas redes podem oferecer conexão mais rápida e duração de bateria mais longa do que no caso da rede de dados da AT&T. Muitos celulares permitem acesso á web, mas apenas alguns dos mais recentes têm também capacidade de acesso a redes Wi-Fi.

A corrida para distribuir os aparelhos preocupa alguns professores, segundo os quais a participação dos alunos em aula deve cair caso seja encorajado o uso de aparelhos que causam distrações. "Não sou uma pessoa que desgosta da tecnologia, mas sempre me preocupo com a possibilidade de que a tecnologia se torne um fim em si mesma, que ela venha a substituir o ensino e a capacidade de análise", disse Ellen Millender, professora associada de história e literatura clássica no Reed College, em Portland, Oregon. (Ela acrescentou que pretende comprar um iPhone para uso pessoal, assim que os preços caírem.)

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
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