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 Site experimental ajuda a publicar e discutir recursos gráficos
03 de setembro de 2008 15h31

Usuários podem submeter dados para obter gráficos. Foto: The New York Times

Usuários podem submeter dados para obter gráficos
Foto: The New York Times

As pessoas mostram seus vídeos no YouTube e suas fotos no Flickr. Agora, também poderão mostrar imagens de ordem mais técnica: gráficos, diagramas e outros recursos visuais que criam para ajudá-los a analisar dados enterrados em planilhas, tabelas ou textos.

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Em um site experimental na Internet, o Many Eyes (www.many-eyes.com), os usuários podem subir os dados que desejam visualizar e depois experimentar ferramentas sofisticadas para gerar recursos visuais interativos. Eles podem variar de mapas sobre os relacionamentos no Novo Testamento a análises comparativas das palavras mais usadas em discursos dos senadores Barack Obama e Hillary Clinton.

O site foi criado por cientistas do Centro Watson de Pesquisa da IBM, em Cambridge, Massachusetts, a fim de ajudar pessoas a publicar e discutir recursos gráficos como grupo. Quem se registrar no site poderá comentar o trabalho dos demais usuários, e talvez consultar as mesmas informações por meio de ferramentas diferentes, descobrindo padrões inesperados nos dados.

Colaborações desse tipo podem ser uma maneira efetiva de estimular a percepção, disse Pat Hanrahan, professor de ciência da computação na Universidade de Stanford cujo campo de pesquisas inclui a visualização científica. "Quando informações estão sendo analisadas, não existe uma pessoa única que saiba tudo", ele disse. "Se um grupo inteiro observa alguma coisa, você se protege contra distorções pessoais. O número de perspectivas cresce, e isso pode resultar em decisões mais confiáveis".

O site foi concebido por Martin Wattenberg e Fernanda Viegas, dois pesquisadores do laboratório da IBM em Cambridge. Eattenberg, cientista da computação e matemático, diz que ferramentas sofisticadas de visualização são historicamente domínio dos profissionais acadêmicos, das empresas e do governo. "Queremos levar a visualização a toda uma nova audiência", ele disse - para as pessoas que têm relativamente poucas maneiras de criar e discutir esse uso de dados.

"A conversação sobre os dados é tão importante quanto o fluxo de dados vindo do banco de dados", ele afirmou.

O site Many Eyes, criado em 2007, oferece 16 maneiras de apresentar dados, de gráficos de barra e pizza a diagramas que permitem mapear os relacionamentos entre pessoas. O recurso conhecido como TreeMaps, que exibe informação em forma de retângulos coloridos, está entre as mais populares das ferramentas.

Inicialmente, o site oferecia apenas ferramentas analíticas como gráficos, para visualizar dados numéricos. "O que percebemos de interessante foi que os usuários tentavam subir posts de blogs e até livros inteiros", disse Viegas, e por isso o site acrescentou novos recursos técnicos para textos não estruturados. Uma ferramenta, conhecida como nuvem de tags entrelaçadas, permite que usuários comparem lado a lado a freqüência relativa de palavras em dois trechos de texto - por exemplo, os discursos do presidente Bush sobre o estado da União em 2002 e 2003.

Quase todas as ferramentas são interativas, e permitem que os usuários alterem parâmetros, usem zoom ou exibam informações adicionais quando o cursor passa sobre dada área, disse Wattenberg.

Os usuários podem inserir imagens e links de suas visualizações em seus sites e blogs, da mesma maneira que se pode incorporar vídeos do YouTube. "É ótimo que as pessoas possam colocar um vídeo do YouTube sobre gatos em seus sites", diz Viegas. "Por que não, então, um recurso visual que lhes ofereça percepções sobre o mar de dados que nos cerca? Eu posso encontrar alguma coisa, e outra pessoa algo de completamente diferente, e é dessa maneira que tem início o diálogo".

Rich Hoeg, gerente de tecnologia que vive em New Hope, Minnesota, e mantém um blog em econtent.typepad.com, se entusiasmou tanto com as possibilidades de colaboração que escreveu um tutorial sobre o uso do Many Eyes como parte de sua série "NorthStar Nerd Tutorials".

"O Many Eyes é incomum porque ele tira vantagem da inteligência coletiva de um grupo para extrair mais de um conjunto de dados", ele afirma. Para o tutorial, Hoeg exportou dados de matrícula de alunos de pós-graduação em engenharia ao site, e depois usou uma das ferramentas disponíveis para exibir a informação de diversas maneiras".

"Eu queria que as pessoas compreendessem que se pode usar os mesmos dados e narrar diversas histórias diferentes", ele afirmou.

O Dr. Wattenberg apontou para um exemplo no site. Ao mapear um determinado tópico - o número de mortes resultantes de violência humana no século 20 -, um usuário usou um gráfico em forma de círculo no qual a dimensão de cada círculo representava o número de vítimas relacionado ao evento - por exemplo, a Primeira Guerra Mundial ou a Segunda Guerra Mundial. Depois de discussões no site sobre o substancial crescimento da população mundial no século 20, o criador do gráfico ofereceu duas novas visualizações, de base temporal, sobre os dados, uma delas um gráfico de linha e uma segunda um gráfico de barras, na qual o número de vítimas era comparado com o crescimento da população.

"Era possível perceber o surgimento de uma tendência de queda", disse Wattenberg. "O número de mortes violentas declinou nas décadas finais do século. Isso propicia uma visão ligeiramente mais otimista".

Ben Shneiderman, professor no departamento de ciência da computação da Universidade de Maryland, em College Park, e pioneiro em visualização da informação, diz que sites como o Many Eyes ajudam a democratizar as ferramentas de visualização. "O dom da Internet é que todos podem participar, e as ferramentas podem ser oferecidas a uma audiência muito mais ampla", disse.

Apresentar resultados em uma planilha ou tabela estáticas pode bastar. "Mas ocasionalmente é como dirigir de olhos fechados", ele afirma. "Com a visualização, pode ser possível abrir os olhos e ver algo que o ajude" - por exemplo, padrões, aglomerações, brechas ou limites definidos nos dados.

"O divertido na visualização de informação", ele disse, "é que ela oferece respostas a perguntas que você nem sabia que queria fazer¿.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
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