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Esta foi, segundo ele, a primeira vez que a pesquisa conseguiu uma amostra expressiva para a região da América Latina e Brasil - dos 1.130 alto-executivos ouvidos em todo o mundo, 75 estão na América Latina, sendo 40 deles brasileiros.
O levantamento bianual revela um aumento significativo no número de líderes de negócios que vislumbram importantes mudanças pela frente, bem como destaca a forma como suas habilidades para absorver e gerenciar tais mudanças estão aumentando a distância entre as empresas líderes e os demais participantes do mercado mundial.
Klaber disse que os CEOs demonstram um elevado nível de otimismo ao entenderem essas mudanças como oportunidades para obter vantagem competitiva. E aqui talvez esteja o ponto de preocupação para os gestores brasileiros.
No geral, 83% dos CEOs entrevistados esperam mudanças substanciais no futuro - 68% dos executivos brasileiros compartilham a expectativa -, um crescimento de 28% em relação à pesquisa realizada em 2006.
Apesar disso, os CEOs brasileiros admitem que suas habilidades para a gestão efetiva das mudanças estejam crescendo a passos mais lentos. Ainda assim, Klaber afirma ter se surpreendido com a grande confiança dos líderes brasileiros. "A maioria deles acredita saber como lidar com as mudanças, que virão, e que serão necessárias", afirma.
Essa confiança e a ciência de que andam a passo mais lento do que os concorrentes mundiais pode parecer contraditória, mas Klaber explica que talvez seja mesmo o momento de as empresas brasileiras investirem na otimização de suas operações locais. "Os bons resultados obtidos pelas companhias indicam isso", afirma. "Por outro lado, faltam a essas organizações profissionais qualificados para gerenciar essas mudanças tanto em âmbito local, quanto global", completa o executivo da IBM.
Segundo a pesquisa, os CEOs apontam especificamente sua própria base de clientes como a fonte das mudanças mais importantes. De todas as tendências identificadas pelo estudo, globalmente, os CEOs planejam um crescimento de 20% em investimentos relacionados a melhor conhecer e colher informações de seus clientes. Na América Latina, esse número cai para 16% e, no Brasil, o índice é de apenas 14%.
Além disso, o surgimento de duas categorias de clientes - aqueles "ávidos por informação" e os "preocupados com a sociedade" - também deveria estimular investimentos direcionados ao consumidor. Em linha com a visão dos executivos de todo o mundo, os CEOs brasileiros planejam um aumento de 23% nos investimentos para atender a esses clientes mais sofisticados.
Embora maior do que o aumento nos investimentos em clientes de forma geral, o índice no Brasil ainda é bem inferior ao previsto pelas organizações com melhor desempenho financeiro mundialmente, de 36% na categoria de clientes "famintos por informação".
"O surgimento desses clientes mais bem informados e exigentes é algo favorável aos negócios, mas o Brasil é o que menos investe para atender a essa nova categoria de consumidores", diz Klaber, acrescentando que este deveria ser um ponto de grande preocupação para os gestores no País.
"O CEO brasileiro deveria se preocupar com isso, já que as empresas globais, que cada vez mais iniciam operações no Brasil, talvez conheçam melhor o consumidor local do que suas empresas já instaladas no País", alerta Klaber. Do lado dos clientes preocupados com a sociedade, a maioria dos executivos entrevistados pela IBM afirma ver nesta questão um ponto do qual podem tirar proveito.
No entanto, enquanto os CEOs pesquisados planejam aumentar os investimentos na ordem de 25% nos próximos três anos para entender e melhor atingir esse novo cliente, na América Latina, a expectativa dos executivos é crescer os investimentos em responsabilidade social corporativa em apenas 3%.
"No Brasil, a maioria dos executivos se preocupa com a questão da responsabilidade social", afirma Klaber, atribuindo essa visão ao fato de o País ter um histórico e uma mentalidade de ser energeticamente auto-suficiente e independente.

- Convergência Digital


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