
Atualizada às 16h13 » CORREÇÃO: TV Digital ainda não emplacou no pólo de Manaus
A TV digital foi lançada em dezembro de 2007 e hoje está implementada oficialmente em três capitais - São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Antes do lançamento, a indústria protagonizou uma polêmica entre as empresas instaladas em Manaus, que já produzem televisores e os decodificadores para TV via satélite, e outras regiões, como Santa Rita do Sapucaí (MG), que queria incentivos para produzir o equipamento.
O presidente negou os incentivos e manteve a vantagem competitiva das empresas instaladas em Manaus (AM). Muita gente acreditava que esse seria um dos eletroeletrônicos mais procurados após o lançamento da TV digital, já que toda a base de televisores do país era analógica, o que não ocorreu.
Na noite de quarta-feira, ao participar da solenidade de abertura da Feira Internacional da Amazônia (Fiam), a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que "nós ainda não temos noção do volume" que o Brasil irá consumir de set-top box. Avaliando que hoje boa parte das famílias têm mais de uma TV em casa, a ministra estimou que será algo "para além dos 100 milhões de aparelhos".
O fato é que, até o momento, a Zona Franca tem dois fabricantes dos conversores: a Proview, de Taiwan, que apresentou seu primeiro modelo para a imprensa em 15 de julho, e a Evadin-Aiko, que começou a produzir set-top boxes em dezembro de 2007.
"A Proview diz já ter vendido mais de 100 mil unidades", afirmou Flávia Barbosa Grosso, superintendente da Suframa, nesta quinta-feira. Ela admitiu que "a área que mais tem crescido na Zona Franca hoje é a de duas rodas", motivada tanto pelo mercado interno aquecido para motos como pelas exportações aos países da América Latina. O segmento de eletroeletrônicos e de informática, no entanto, ainda é a maior fatia da receita do pólo.
Para Flávia, à medida que a TV digital se massificar no Brasil, tanto entre as demais regiões do país como na oferta de conteúdo, poderá levar a área eletroeletrônica a reassumir o posto de segmento que mais cresce na atração de investimentos. Segundo a executiva, existem novos projetos para fabricação de conversores de TV digital aprovados, mas "a decisão para iniciar a fabricação é do empresário".
Potencial
As vendas de TV com tela de cristal líquido (LCD) podem ser uma amostra do potencial da TV digital. De janeiro a junho, saíram de Manaus 913,3 mil unidades de TVs LCD, um volume 250% maior que no mesmo período de 2007, enquanto os modelos de plasma tiveram crescimento de 48,1% nas vendas em volume, para 121,8 mil unidades.
De acordo com números fornecidos por Flávia, em 2007 o pólo industrial recebeu 276 projetos de todos os segmentos, dos quais 100 são novos investimentos e 176 são ampliações. Neste ano, 215 novos projetos já foram aprovados. No primeiro semestre de 2008, a indústria de Manaus faturou US$ 15,05 bilhões, cifra 31,5% superior a de igual período do ano passado. O montante supera, por exemplo, o faturamento de todo o ano de 2004.
Calcanhar de Aquiles
A superintendente afirmou que "a logística sempre foi nosso calcanhar-de-aquiles", mas algumas iniciativas poderão amenizar o problema. Ela citou a BR-319, a criação de um novo porto de contêiner até 2010 e negociações diplomáticas com o Equador para criar uma nova alternativa de escoamento de produtos por esse país.
A preocupação com a capacidade energética do pólo também existe, segundo a executiva, diante do crescimento do número de fábricas. Flávia disse que "o governo está se antecipando" ao problema e uma das alternativas será o gasoduto Coari-Manaus.
Reuters
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