Cher Wang é presidente da HTC, que ajudou a fundar em 1997
Foto: Peter DaSilva/The New York Times
Na terça-feira, quando os executivos do Google e da T-Mobile se reuniram em um palco em Nova York para o lançamento do primeiro celular com um software do Google, o evento acabou revelando outra companhia, bem menos conhecida, mas não menos ambiciosa - a HTC. Essa fabricante de eletrônicos taiwanesa foi escolhida pelo Google há mais de dois anos para desenvolver o primeiro telefone celular com seu software Android, em grande parte devido à sua capacidade comprovada de design e criação de aparelhos celulares atraentes.
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Para a HTC, essa foi mais uma vitória no mercado dos telefones de ponta, que inclui o iPhone da Apple e o BlackBerry da Research in Motion, entre outros. "Acho que estamos prontos", disse Cher Wang, filha de um magnata da indústria de plásticos taiwanês e uma das fundadoras da companhia em 1997, além de sua presidente. "Temos uma base sólida de consumidores que deseja nossos aparelhos." Muitos americanos já utilizam telefones HTC - eles apenas não sabem disso.
No primeiro semestre do ano, um em cada seis celulares inteligentes nos Estados Unidos era da HTC, mas a esmagadora maioria deles não leva a marca HTC, segundo a Nielsen Mobile.
Na maior parte da última década, a companhia operou sob relativa obscuridade, atuando como fabricante para companhias como Compaq, Palm e outras empresas de celulares que colocavam sua própria marca nos produtos. Há cerca de dois anos, a HTC decidiu sair das sombras com um objetivo ambicioso: estabelecer uma marca global de eletrônicos para o consumidor final que, seus executivos esperam, se torne sinônimo de qualidade.
"Ainda estamos longe disso", disse John Wang, executivo-chefe de marketing. Mas Wang afirma que a companhia começou bem, tendo vendido dois milhões de unidades do HTC Touch, lançado no ano passado, em apenas três meses, e um milhão de seu sucessor, o Touch Diamond, um modelo esguio e inteligente que já foi comparado ao iPhone.
O telefone com Google será o próximo passo para o reconhecimento global da HTC, segundo Wang. (No geral, a receita da HTC, em dólares taiwaneses, foi de cerca de um bilhão no último trimestre, representando um salto de 29% em relação ao ano anterior.)
O telefone do Google, também chamado de HTC Dream e T-Mobile G1, tem uma tela sensível que desliza e expõe um teclado de cinco linhas. Ele oferece acesso fácil aos serviços do Google e uma série de aplicativos de terceiros.
Muitos analistas e fontes internas da indústria se dizem convencidos pela HTC. "A HTC tem inovado há um bom tempo," disse Jeffrey K. Belk, ex-vice-presidente de estratégia da Qualcomm, um fabricante de chips de celulares. "Mas só agora as pessoas estão começando a conhecê-la melhor." Mesmo assim, analistas acreditam que a HTC enfrentará grandes desafios para obter êxito no mercado global de eletrônicos. Trata-se de uma competição com rivais de peso num mercado onde poucos jogadores do nicho foram capazes de se estabelecer.
A companhia começou a divulgar comerciais nos Estados Unidos neste ano, mas uma campanha para o mercado mundial pode ter um alto custo. Além disso, ao contrário de seus concorrentes mais bem-sucedidos, como a Apple e a Research in Motion, a HTC não possui o controle do software utilizado em seus celulares.
"A HTC está tentando competir para oferecer o melhor hardware num momento em que cada vez mais o diferencial nos telefones é o software," disse James Faucette, analista da Pacific Crest Securities.
Grande parte do sucesso da HTC até o momento esteve atrelada ao sucesso de uma certa companhia de software, a Microsoft. O sistema operacional Windows Mobile é utilizado em 12% dos smartphones vendidos mundialmente e em 20% dos smartphones vendidos nos Estados Unidos. A HTC é fabricante de cerca de metade desses aparelhos.
As origens da parceria entre as duas empresas remontam ao final dos anos 1990, quando a HTC passou a fabricar Assistentes Digitais Pessoais (PDAs) com base no Windows, incluindo o primeiro modelo colorido em 1999 e o primeiro modelo sem fio em 2002. No mesmo ano, a HTC desenvolveu o primeiro smartfone baseado em Windows, o Orange SPV, comercializado na Europa.
"Quando decidimos entrar no negócio de telefonia no início dos anos 2000, eles foram a opção natural," disse Scott Horn, gerente geral dos negócios de comunicações de telefonia móvel da Microsoft.
A presidente Cher Wang disse que teve a idéia do que a HTC se tornaria no início dos anos 1980, quando trabalhava para a First International Computer, uma fabricante de equipamentos eletrônicos. Como parte de seu trabalho, ela era forçada a carregar malas lotadas de partes de computador para vendê-las.
"Lembro que estava na França, no início da manhã, arrastando essas malas de computador, subindo e descendo escadas, esperando por um táxi," conta. Ela começou a pensar em como seria se os aparelhos fossem menores e menos pesados para poder carregá-los, ela disse.
Seu pai é Wang Yung-ching, magnata da indústria de plástico e petroquímica que ficou em segundo na lista da Forbes das pessoas mais ricas de Taiwan. Cher Wang cursou o ensino médio em Oakland, Califórnia, em meados dos anos 1970 e estudou música na Universidade da Califórnia, Berkeley. Ela rapidamente mudou de curso e passou a estudar economia, concluindo seu mestrado em 1981.
Hoje, sua própria fortuna também está na casa dos bilhões de dólares. Um dos co-fundadores da empresa, Peter Chou, chefe-executivo da HTC, também passou vários anos nos Estados Unidos trabalhando para a Digital Equipment Corp., uma empresa eminente do setor de computação nos anos 1980 e 1990.
Junto a outros executivos da HTC, eles buscaram adotar o estilo e a cultura corporativa de muitos pioneiros do Vale do Silício.
Por exemplo, há três anos, a HTC criou o Magic Labs, um grupo formado por cerca de 50 engenheiros de software e hardware, engenheiros mecânicos e designers industriais, além de um escritor e um designer de jóias. Todos participam do processo criativo e do desenvolvimento de novos produtos, tendo cargos como 'mago do software' ou 'feiticeiro mecânico'. No cartão de visita do chefe de marketing John Wang está escrito "Feiticeiro Chefe de Inovação".
Uma das metas do grupo é a criação de idéias em ritmo acelerado com o entendimento de que a maior parte delas nunca chegará a virar produto. "Temos uma organização que é desenvolvida para ter falhas," disse John Wang, que ajudou a iniciar o Magic Labs. "São necessárias cerca de mil idéias para que surjam alguns poucos projetos que valham a pena."
Uma idéia que a companhia considerou valer a pena foi o TouchFLO, que possui tecnologia touch screen similar ao iPhone da linha Touch dos produtos HTC.
Durante o desenvolvimento do telefone Android, a HTC recrutou 30 engenheiros para trabalhar no Googleplex em Mountain View, Califórnia. "Foi surpreendente ver como eles tinham uma cultura de empreendedorismo similar à do Vale do Silício", disse Andy Rubin, diretor sênior de plataformas móveis do Google. "Ficou claro que eles eram empreendedores. Eles se movimentam realmente muito rápido."
Tradução: Amy Traduções

- The New York Times


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