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Tecnologia

 
 

Googlephone: um rival à altura do iPhone?

27 de setembro de 2008 09h57 atualizado às 09h58

O Google e a T-Mobile revelaram sua resposta ao iPhone na terça-feira, apresentando um telefone inteligente que combina tela sensível ao toque e teclado e é projetado para colocar a Internet nos bolsos de milhões de usuários de celular.

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O T-Mobile G1, que será lançado nos Estados Unidos dia 22 de outubro, é o primeiro telefone celular que funciona com o sistema operacional Android, do Google. Ele representa um marco nos esforços do Google em estender seu domínio para além do PC, em direção aos celulares, e assim enfraquecer o controle que as operadoras de telefonia móvel têm sobre o que os consumidores podem fazer com seus aparelhos.

Analistas disseram que o G1 não representa o tipo de mudança revolucionária em design e função que a Apple introduziu no ano passado com o iPhone. Mas o G1 pode acelerar duas tendências de impacto duradouro na indústria sem fio: o crescente uso da Internet móvel e a habilidade dos consumidores de personalizar os telefones com suas funções favoritas.

"Não estou certo de que haverá filas nas lojas por esse aparelho", disse Rajeev Chand, analista da Rutberg & Co. "O iPhone mudou as regras do jogo para o consumidor. O telefone do Google talvez mude as regras do jogo mais para a indústria."

O G1, fabricado pela taiwanesa HTC, tem uma grande tela sensível colorida que desliza para revelar um teclado completo. Ele tem uma câmera de 3 megapixels, GPS, acesso Wi-Fi e navegador de Internet. O aparelho será vendido a US$ 179, US$20 mais barato que o iPhone, com um plano de dois anos de ligações e dados.

"Ele é tão bom quanto o computador que você teve há poucos anos," disse Larry Page, que chegou de patins com Sergey Brin, ambos co-fundadores do Google, ao palco de Nova York onde o Google e a T-Mobile anunciaram o G1.

Apesar dos diversos aplicativos - como a busca do Google, os mapas, o Gmail e o YouTube - acompanharem o produto, o G1 também encoraja terceiros a criar programas para o aparelho. Como a Apple, o Google vai incluir uma loja de aplicativos, chamada Android Marketplace, onde os proprietários do G1 e os futuros celulares com Android poderão fazer o download desses programas.

O Google disse que os desenvolvedores teriam virtualmente acesso irrestrito à loja, deixando aos consumidores - não ao Google ou à T-Mobile - a decisão sobre o que desejam rodar em seus celulares.

Embora se espere que o G1 faça frente a smartphones de ponta, como o iPhone e a linha BlackBerry da Research in Motion, os objetivos do Google são bem diferentes dos rivais.

O Google disponibiliza o Android gratuitamente para operadoras e fabricantes utilizarem em seus próprios dispositivos. A empresa espera que muitos façam essa opção, povoando o mercado com aparelhos móveis com fácil acesso aos seus serviços. Exatamente como faz nos PCs, o Google espera lucrar com anúncios.

"Para o Google, o Android é um escoadouro de dinheiro", disse James Faucette, analista da Pacific Crest Securities. "Eles vão perder dinheiro com o Android como sistema operacional. Eles esperam compensar com os serviços disponibilizados por meio de sua infra-estrutura e servidores."

Enquanto o Google aposta no sucesso do Android, ele também pode se beneficiar do sucesso de outros smartphones, já que seus donos tendem a navegar e pesquisar na Internet muito mais ativamente que usuários de celulares menos avançados. Na verdade, o Google anunciou no início do ano que seu serviço móvel recebia uma quantidade de tráfego desproporcional de usuários de iPhone.

"Queremos que as pessoas usem bastante a Internet através de seus celulares," disse Brin em entrevista. "Não importa realmente se é o Android, o iPhone ou outro."

A T-Mobile conta com o G1 para aumentar suas vendas de planos de dados e disse que os aparelhos podem atrair usuários individuais e empresariais.

"Acredito mesmo que esse aparelho tem apelo massivo", disse Cole Brodman, executivo-chefe de tecnologia e inovação da T-Mobile USA.

É pouco provável que o Android vá balançar o mercado de smartphones de um dia para o outro. Apesar de seu sucesso, a venda de iPhones correspondeu apenas a 2,8% dos smartphones vendidos no mundo no segundo trimestre, de acordo com a firma de análise de mercado Gartner. O Windows Mobile, um sistema operacional da Microsoft de sete anos que funciona em telefones, é vendido por mais de 160 operadoras e tem apenas 12% do mercado.

"Ninguém se encontra, se apaixona e celebra seu 50º aniversário de casamento tudo de uma vez," disse Scott Rockfeld, gerente de produtos da Microsoft. "O sucesso desta indústria depende de um relacionamento sólido ao longo do tempo."

Tradução: Amy Traduções

The New York Times
The New York Times