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Quarta, 1 de outubro de 2008, 14h28 Atualizada às 17h47

Creative Commons: chave é "apaixonar a audiência"

Numa época em que os padrões de licenciamento e distribuição de conteúdo passam por uma revisão na era digital, a chave para o sucesso é "apaixonar a audiência", aponta Lawrence Lessig - um dos fundadores do projeto Creative Commons e professor da Stanford Law School - em palestra realizada durante o evento Digital Age 2.0, em São Paulo.

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Para o professor, os direitos autorais devem existir para proteger os criadores das obras e não para interromper suas capacidades criativas. A partir daí, o artista pode, por exemplo, autorizar seu público a remixar o seu trabalho e ajudar na sua expansão para diversas outras audiências: algo possível a partir de mídias abastecidas pelos próprios usuários, como acontece com o site de vídeos YouTube.

Nessa proposta de expansão sem fins comerciais de sua criação, o artista se torna capaz de transformar expectadores em criadores, posicionando cada vez mais o Creative Commons diante das plataformas de distribuição de conteúdo.

Bem diferente do que existe em termos do universo ilegal da pirataria, o Creative Commons é apresentado por Lessig como uma forma de balancear direitos e liberdades, sem que um único modelo de negócio prevaleça como verdade absoluta. Segundo ele, o processo de experimentação é fundamental para que se defina a posição da criatividade no século 21 e aqueles que apenas apostam nos artistas de forma interesseira, focando apenas em questões comerciais, podem não sobreviver a estes novos tempos da era digital.

Colando o conceito de "remix" como ponto alto na discussão a respeito do copyright, o professor aponta que a releitura dos trabalhos, feitos em sua maioria por pessoas comuns e de todas as idades, fica cada vez mais interessante à medida que enriquecem as obras já produzidas. No conceito de Creative Commons, um "remix" pode ser considerado uma operação criativa, já que seu produtor reflete de forma profunda a respeito de sua cultura local.

Dentre as principais vantagens da criação remixada, que levanta novos pontos de discussão em torno da flexibilização dos modelos de distribuição de conteúdo, está a possibilidade de a obra ser executada a partir de equipamentos acessíveis à massa. Lessig defende que no Creative Commons o centro das atenções não é a técnica, e sim a facilidade com que a audiência capta e compreende a linguagem. "O importante não é a técnica. É a técnica democratizada. Não é um computador de milhares de dólares, mas sim uma linguagem que todos entendam", diz.

Apesar de valorizar a flexibilidade e a experimentação, a idéia de copyright na "era do remix" - de seu livro Remix: Making art and commerce thrive in the hybrid economy (Remixagem: Fazendo a arte e o comércio prosperar em uma economia híbrida) -, não está morta. Lessig acredita que o que deve acontecer é uma renovação de sua identidade, para torná-la mais eficiente.

Digital Age 2.0

- Local: World Trade Center Hotel, São Paulo, SP
- De 1º a 2 de outubro

Redação Terra

Divulgação
Lawrence Lessig é um dos fundadores do Creative Commons (foto de arquivo)
Lawrence Lessig é um dos fundadores do Creative Commons (foto de arquivo)

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