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Segunda, 10 de novembro de 2008, 10h03

Tecnologia é receita para recuperar economia

Steve Lohr

O presidente da IBM, Samuel J. Palmisano, propõe um plano de recuperação da economia abastecido pela tecnologia. O plano precisa de investimentos públicos e privados em sistemas mais eficientes para redes de fornecimento de energia, engenharia de tráfego, distribuição de alimentos, conservação de água e sistema de saúde.

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Os recentes avanços na área de tecnologia permitem que isso ocorra e a necessidade é visível, disse Palmisano em discurso ao Conselho de Relações Exteriores de Nova York. Por exemplo, 67% da energia elétrica é perdida pela ineficiência na sua geração e distribuição. Rodovias congestionadas custam US$ 78 bilhões anuais em horas de trabalho e queima de combustível.

O discurso de Palmisano não menciona a IBM, mas sua proposta tem um pouco de causa própria. A IBM desempenha seu papel como empreiteira líder no mundo nesses que estão sendo chamados projetos de infraestrutura inteligentes, de redes de engenharia de tráfego em Estocolmo, Suécia, ao fornecimento elétrico do Texas.

Economistas e especialistas em políticas públicas afirmam que projetos similares são uma boa forma de melhorar a saúde de longo prazo da economia, potencialmente provendo a fundação para inovação e crescimento de vários setores.

Adotar mais a computação para a transformação de setores como transporte, energia e saúde será "crítico para resolver todo um conjunto de problemas públicos urgentes," disse Robert Atkinson, presidente do grupo de pesquisas apartidário Information Technology and Innovation Foundation.

"Os países de liderança na área serão as nações que executarem as melhores parcerias público-privadas," disse Atkinson, após ver o texto do discurso.

Em entrevista, Palmisano comparou o atual desafio econômico, de modo geral, com o enfrentado pelos Estados Unidos na luta para sair da Depressão ou após a Segunda Guerra Mundial. Nos anos 1930, disse, os programas do New Deal, entre outros, levaram o serviço elétrico para muitas partes do país - não apenas a lares rurais, mas também para fábricas, que não precisaram mais construir suas próprias usinas como muitos haviam previsto.

Segundo Palmisano, após a Segunda Guerra Mundial, a construção governamental de um sistema de rodovias nacional ajudou a criar maiores mercados para os produtos.

"Estamos em um estágio semelhante agora, em um momento de dificuldade econômica," disse. "A forma de superá-la não é se entrincheirando, mas se adiantando e investindo para melhorar nossa competitividade."

Em seu discurso, Palmisano aponta para tendências tecnológicas que começam a fazer sua proposta possível e acessível. Itens que vão de carros, ferramentas e bens embalados a rodovias e serviços de fornecimento elétrico, afirma, estão cada vez mais "equipados" com transistores, sensores e freqüências de rádio com etiquetas ID ou RFID, "interconectados" pela Internet e "inteligentes" por causa de avançados programas que se comunicam com grandes centros de superprocessamento de dados.

Na energia, por exemplo, sistemas computadorizados de distribuição, termostatos e outras ferramentas podem captar e comunicar problemas na rede ou automaticamente desligar o ar-condicionado durante os horários de pico para economizar dinheiro e combustível.

A IBM, é claro, é uma das muitas companhias desenvolvendo sistemas inteligentes de redes elétricas, rodovias, distribuição de alimentos e conservação de água. No setor de tecnologia, Microsoft, Cisco Systems, Hewlett-Packard, Oracle, SAP, Accenture e outros estão trabalhando intensivamente para levar a inteligência do computador a sistemas físicos, segundo Ted Schadler, analista do Forrester Research. Mas nenhuma outra companhia, afirma, tem ainda todo o hardware, software, serviço e cientistas para enfrentar esses desafios.

"O que parece diferente e digno de nota sobre a abordagem da IBM é sua compreensão geral e mensagem," disse Rosabeth Moss Kanter, professora da Escola de Negócios de Harvard. "Reunir todas essas peças sob um tema inclusivo e bastante ousado, pode estimular o debate e a inovação."

Tradução: Amy Traduções

The New York Times

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