
Atualizada às 14h26 Kevin J. O'Brien
Há cerca de uma década, as operadoras de telefonia móvel guardam a esperança de que serviços que tomem por base a localização do aparelho usuário, como por exemplo serviços pessoais de navegação, venham a representar uma nova fonte de vendas e lucros.
» Cientistas conseguem tapear sinais GPS
» Microsoft vira "serviço de acompanhantes" em mapa
» Fórum: opine sobre serviços de localização
A maioria delas continua esperando, sem qualquer sucesso.
Especialistas presentes a um seminário promovido pela IRR Telecoms & Technology em Berlim afirmaram que os consumidores até o momento haviam demonstrado indiferença, diante dos serviços pouco impressionantes oferecidos pelas operadoras nesse segmento do mercado.
"Existem alguns produtos e serviços de localização fantásticos, como o Google Maps", diz Steve Page, presidente-executivo da maior empresa de busca para celulares do Reino Unido, a Mobile Commerce. "A questão seria determinar como levar esses serviços ao mercado de massa. E, para ser franco, essa vem sendo a questão há muito, muito tempo".
A tecnologia depende de satélites de posicionamento global e da triangulação de estações-base de telefonia móvel pelas operadoras a fim de identificar a localização do aparelho. Mas embora o recurso tenha sido adaptado com sucesso à navegação automobilística, a mesma tecnologia em geral continua a ser bruta e a não oferecer funções muito úteis nos celulares ¿e por isso não costuma ser utilizada.
Não era isso que estava planejado.
Em 2000, uma empresa de pesquisa chamada Strategis Group previu que as operadoras européias de telefonia móvel faturariam US$ 82 bilhões entre 2000 e 2005 com serviços de localização. Esses números não se materializaram. Este ano, a Berg Insight, uma empresa de pesquisa sueca, prevê que a receita mundial do segmento será de US$ 220 milhões.
O uso dos sistemas de navegação em celular é maior nos Estados Unidos, onde normas que requerem que as operadoras de telefonia móvel sejam capazes de localizar usuários por GPS ou triangulação estarão em vigor em todo o país a partir de 2012. A chamada norma de comunicação e911 levou os fabricantes de celulares a incluir chips GPS em todos os seus aparelhos novos vendidos nos Estados Unidos. Em 2007, seis milhões de consumidores norte-americanos pagaram por serviços de navegação como o VZ Navigator, da Verizon Wireless, que custa 9,99 dólares por mês, na estimativa da Berg Insight.
Mas na Europa, onde não existem normas governamentais semelhantes dispondo que as operadoras sejam capazes de localizar todos os celulares a que atendem, a tecnologia tem demorado mais a pegar. A Nokia introduziu os primeiros celulares com GPS apenas no ano passado. Hoje existem cerca de 60 modelos de celulares equipados com GPS à venda no mercado europeu, a maioria dos quais produzidos pela Nokia, segundo Page.
A Qualcomm, uma empresa de San Diego que produz chips de computador para a Nokia e seus concorrentes, rotineiramente inclui tecnologia GPS em todos os processadores que vende a fabricantes de celulares, diz Leslie Presutti, diretor de produtos GPS da Qualcomm. Mas as operadoras de telefonia móvel, especialmente na Europa, não vêem demanda dos consumidores pelos serviços, e por isso se recusam a gastar o dinheiro necessário a equipar suas redes para o uso de GPS, diz Presutti.
"Quando você fala sobre o que mais podemos fazer para levar essa tecnologia ao mercado de massa, não creio que na Qualcomm possamos fazer muito mais", ele afirmou.
A despeito da crescente disponibilidade de celulares equipados para GPS, muitos consumidores ainda relutam em pagar por serviços de navegação, disse Velipekka Kuoppala, vice-presidente de venda e marketing da Bluesky Positioning, uma empresa do Luxemburgo que integra tecnologia GPS a chips SIM de celulares. Cerca de 80% dos consumidores que usam serviços de navegação para celulares suspendem o serviço assim que o período de teste gratuito se encerra, ele afirmou.
"Ainda não acredito que isso venha a se tornar um serviço de massa", disse Kuoppala.
Gerrit Mueller, diretor de produtos móveis do Yahoo em Londres, disse que a maioria dos consumidores ainda não estavam convencidos da necessidade de usar a Internet móvel, muito menos a navegação móvel. Apenas cerca de 18% das mensagens de e-mail que o Yahoo processa são enviadas ou recebidas por aparelhos portáteis, disse Mueller.
"Perguntei para minha mãe se ela usava a Internet no celular, e ela respondeu dizendo: ¿Para quê?¿¿, conta Mueller. ¿O processo vai demorar um pouco".
Mas seu dia chegará, diz Satyanarayan Panigrahi, gerente de produto dos serviços de localização no centro de pesquisa e desenvolvimento da Nokia em Bangalore, Índia. Panigrahi disse que a tecnologia amadureceria à medida que as empresas começassem a perceber o valor da publicidade em celulares.
A Nokia, maior fabricante mundial de celulares, está apostando pesado nos serviços de localização. Em outubro de 2007, a empresa investiu US$ 8,1 bilhões para adquirir a Navteq, uma produtora de mapas digitais e software de navegação. Panigrahi disse que a Nokia estava integrando os mapas da Navteq ao seu novo portal de Web, o Ovi.
Quanto tempo vai demorar para que surjam vendas? Andre Malm, analista sênior da Berg Insight, oferece a seguinte projeção: as vendas anuais de serviços de localização mais que triplicação, para US$ 740 milhões ao ano em 2014, à medida que o número de usuários de GPS em celulares avançar dos 16 milhões deste ano para 70 milhões.
Mas para que isso aconteça, reconhece Malm, as operadoras de telefonia móvel terão de começar a vender serviços de navegação para celulares pelos quais os usuários estejam dispostos a pagar.
Herald Tribune
|
Reprodução
Questão seria determinar como levar serviços de localização como o Google Maps ao mercado de massa
|
05h49 » Hacker teria invadido sistema do governo e exigido US$ 350 mil
20h03 » Estudo afirma que tecnologia não leva ao isolamento social
16h19 » Tribunal determina retirada de música dos Beatles de site