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Tecnologia

 
 

Novas ferramentas pesquisam 'dentro' de vídeos

09 de dezembro de 2008 16h13 atualizado às 16h37

As ferramentas memorizam elementos dos rostos, por exemplo. Foto: The New York Times

As ferramentas memorizam elementos dos rostos, por exemplo
Foto: The New York Times

Assistir a vídeos na web está rapidamente se tornando um passatempo americano. Mais e mais pessoas ligam seus computadores para ver trechos de séries que perderam na televisão ou para assistir aos cada vez mais numerosos programas e filmes disponíveis agora integralmente na Internet.

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Para ajudar a peneirar as escolhas, companhias como VideoSurf e Digitalsmiths desenvolveram ferramentas de busca. Elas permitem que o internauta encontre sua cena favorita de Entourage, por exemplo, ou um videoclipe específico de Barack Obama a que sempre quis assistir. Ele pode até mesmo localizar o segmento exato que quer visualizar sem precisar clicar em "play" e assistir ao vídeo inteiro.

Essas ferramentas de busca que localizam e relacionam níveis cada vez mais refinados de detalhes em vídeos podem se mostrar interessantes não apenas aos consumidores desejosos de uma boa risada com The Daily Show With Jon Stewart, mas também às empresas que compilam guias de vídeos para a web. E a tecnologia pode ainda se tornar muito útil para procurar entre os vídeos de família os raros momentos em que o tio-avô George aparece.

O VideoSurf, de San Mateo, Califórnia, possui um mecanismo de busca de vídeos gratuito nas versões beta ou teste em www.videosurf.com. O mecanismo usa reconhecimento facial computadorizado e outras ferramentas para analisar vídeos frame por frame - e identificar pessoas, objetos e cenas.

Por exemplo, pessoas que digitam "Jon Stewart" na barra de pesquisa não conseguem apenas uma lista de vídeos que incluem Stewart, mas também, embaixo de cada item, uma prévia desses vídeos: um painel de imagens em miniatura de cenas representativas que o computador compila automaticamente.

Clique em qualquer dessas imagens, como o rosto de um convidado do programa de Stewart, ou o rosto de John Oliver, um dos correspondentes do apresentador, e você será direcionado para aquela parte do vídeo. Os usuários também podem selecionar fragmentos de um vídeo e enviá-los por e-mail aos amigos.

Os algoritmos de reconhecimento facial do VideoSurf são usados não apenas para esses sumários de vídeos, mas também para distinguir os principais rostos e vídeos relacionados aos termos inseridos na barra de pesquisa.

Digite "socorro financeiro", por exemplo, e vários personagens desse drama americano aparecerão em retratos miniaturas no topo da tela, acima dos resultados de busca geral. Clique em Henry Paulson", e os resultados serão reorganizados com vídeos que o incluem.

O Digitalsmiths, do Research Triangle Park, Carolina do Norte, também usa reconhecimento facial e outras técnicas visuais de computação para organizar vídeos da web. Diferente do VideoSurf, que tem um portal direto para consumidores, o Digitalsmiths coloca seu mecanismo de busca nos bastidores, dentro de sites de empresas que querem tornar seus vídeos mais acessíveis, segundo Ben Weiberger, co-fundador e chefe-executivo.

"Você não nos procura para assistir a vídeos," Weinberger disse. "Trabalhamos com donos de conteúdo, como estúdios, para ajudá-los a monetizar seus conteúdos online."

O Digitalsmiths é responsável por várias buscas de vídeo online, disse, incluindo as de sites como TheWB.com, TMZ.com e Essence.com.

Em geral, ferramentas de busca de vídeo tradicionais confiam em palavras-chave, textos descritivos ou outros marcadores, normalmente criados pelo produtor, para identificar o conteúdo, disse James L. McQuivey, analista da Forrester Research, Cambridge, Massachusetts.

Mecanismos que vão além desses marcadores descritivos para buscar automaticamente conteúdos visuais podem atrair consumidores. Esses mecanismos, disse, permitem que os consumidores vejam o que está dentro do vídeo, ao invés de confiarem em marcadores que podem ser limitados ou mesmo imprecisos.

O público de vídeos online é substancial e cresce de forma constante, incluindo cerca de três em cada quatro usuários de Internet nos Estados Unidos, disse Jaimee Steele, porta-voz da comScore, que mede os hábitos dos consumidores na Internet. Em setembro, por exemplo, mais de 146 milhões de pessoas assistiram a uma média de 86 vídeos. No mesmo mês de 2007, foram 136 milhões de internautas assistindo a 68 vídeos, em média.

Sites que indexam esses vídeos vão enfrentar um grande desafio. O VideoSurf indexou até agora vídeos de cerca de 80 sites, incluindo Hulu, YouTube e Comedy Central, disse Eitan Sharon, chefe de tecnologia. "Extraímos cada objeto de cada frame e o analisamos, guardando-o como entidade visual feito um parágrafo," disse.

A companhia começou analisando vídeos sobre assuntos ou pessoas populares na Internet. "Gradualmente, conseguiremos cobrir a grande maioria de vídeos online," disse.

Al Gore, ex-vice-presidente, está entre os investidores do VideoSurf, que surgiu em setembro.

A tecnologia do VideoSurf funciona em parte através da memorização dos componentes dos rostos, disse Sharon. Ela armazena imagens dos olhos e das bochechas de Britney Spears, por exemplo, em sua memória coletiva, de forma a reconhecer uma imagem apesar de mudanças na iluminação. Essa percepção apurada significa que a tecnologia pode fazer o que muitas pessoas não conseguem, disse.

"Essa máquina distingue facilmente Tina Fey e Sarah Palin," disse.

McQuivey, da Forrester, acredita que a tecnologia do VideoSurf tenha chegado em momento oportuno.

"Num momento em que os vídeos ficaram mais longos," disse, "e se tornou mais difícil encontrar o trecho exato a que você quer assistir."

Tradução: Amy Traduções

The New York Times
The New York Times