
Sérgio Adeodato/Horizonte Geográfico
Modernos DVDs aposentaram os antigos videocassetes; iPods substituíram os aparelhos de som com CD, que décadas atrás já tinham tomado o lugar dos tocadores de vinil. Novos modelos de microondas, telefones, liquidificadores, máquinas de lavar, geladeiras chegaram ao mercado com promessas de tornar as tarefas domésticas mais rápidas, aumentar o conforto e economizar energia e água. Mas nem sempre é possível reciclar os aparelhos antigos e, para descobrir como fazer isso, é preciso muita pesquisa. Entrar no site do fabricante ou ir até a loja onde foi comprado é uma boa idéia. Muitas fabricantes e varejistas instituíram programas de coleta que facilitam essa atividade.
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As geladeiras são um exemplo de como se pode substituir eletrodomésticos fora de uso. Milhares de aparelhos novos estão sendo doados a comunidades de baixa renda como parte do programa que, pelas normas brasileiras, obriga as distribuidoras de eletricidade a investir no mínimo 10% do seu faturamento em eficiência energética. No caso de mais de dez anos de uso, as geladeiras velhas consomem o dobro de eletricidade em comparação com as atuais.
Além de incentivar o uso racional de eletricidade, a iniciativa promove a reciclagem. Os modelos antigos, em vez de ir para o aterro sanitário, são enviados para empresas especializadas na desmontagem e reaproveitamento de quase todos os materiais neles contidos, como plásticos, metais e gases.
Entre os materiais recuperados das geladeiras estão os gases CFCs (clorofluorcarbonos), que agridem a camada de ozônio e deverão ser banidos do planeta até 2010, conforme as metas do Protocolo de Montreal. O Brasil deixou de fabricar esses gases em 1990. Em 2000, a indústria nacional parou de usar o produto nas geladeiras e aparelhos de ar-condicionado. Os gases continuaram sendo importados apenas para a manutenção dos modelos antigos, o que foi proibido em janeiro de 2007.
Para evitar os gases poluentes
Para recuperar e reutilizar os CFCs nos eletrodomésticos de velha geração, evitando a emissão no ambiente durante os serviços de manutenção, o governo federal distribuiu máquinas apropriadas para essa coleta e treinou técnicos. Os gases recolhidos são levados para duas centrais de regeneração em São Paulo e uma no Rio de Janeiro.
"Os programas de troca de geladeiras antigas permitem recolher ainda mais CFCs", explica Rui de Góes, diretor do Departamento de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente. Ele lembra que esses gases, além de alcançar a camada de ozônio, também contribuem para o efeito estufa.
Um "tsunami eletrônico"
Entre os inúmeros exemplos de novos produtos que chegam aos lares brasileiros estão as TVs de alta definição. Elas constituem o que John Shegerian, diretor da Electronic Recyclers, empresa de reciclagem da Califórnia (EUA), chama de um "verdadeiro tsunami eletrônico". Ou seja, vão aposentar os antigos aparelhos que precisarão ser dispostos em algum lugar. O problema já está ocorrendo com a chegada das telas de LCD (cristal líquido) e plasma, que estão aos poucos substituindo os antigos modelos de televisores.
Nos Estados Unidos, prevê-se que a transmissão digital deve substituir totalmente a analógica em fevereiro de 2009. Naquele país, a EIA (Electronic Industries Alliance), que reúne os principais fabricantes de equipamentos eletrônicos, anunciou um plano para reciclar aparelhos de TV, financiado por uma taxa cobrada sobre o preço dos aparelhos novos. Uma proposta de lei federal com esse objetivo foi enviada ao governo americano. Aguarda-se uma definição sobre o problema.
Dicas para os consumidores
TVs e outros eletrodomésticos obsoletos não devem ser jogados no lixo. Veja o que é possível fazer com eles.
» Procure consertar os aparelhos quando pararem de funcionar completamente.
» Aproveite o que serve: desmonte o aparelho com ajuda de alguém que entenda do assunto e separe as partes metálicas das plásticas. Avalie se pode aproveitar o que está em bom estado e informe-se sobre lugares que recebem material para reciclagem.
» Faça uma doação do que não serve. Se existe conserto, mas você não quer realizá-lo, procure uma instituição que possa aproveitar o aparelho.
» Outra opção é a venda no mercado de usados.
» Procure organizações que façam a reciclagem desses produtos. Pesquise e pergunte onde encontrá-las.
Terra
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Getty Images
A tecnologia é responsável por aparelhos que facilitam as tarefas caseiras e ajudam a economizar, mas é preciso um plano para aproveitar as peças dos antigos
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