
Atualizada às 16h35 Saul Hansell
Se houve um tema dominante na Consumer Electronics Show (CES), a feira de eletrônica realizada em Las Vegas na semana passada, foi o de que absolutamente todos os aparelhos que temos em nossas vidas estão se tornando computadores conectados à internet.
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Uma nova versão da picape Ford F150 permitirá que os empreiteiros verifiquem os manuais de serviço via internet, usando a tela do painel e o computador de bordo.
Novos televisores da LG, Samsung e outros fabricantes permitirão que os espectadores assistam a filmes da Netflix e outros sites. Em dois anos, 90% dos produtos da Sony serão conectáveis à internet, previu Howard Stringer, o presidente-executivo do grupo.
Esses desdobramentos podem ser vistos como novo passo na constante busca do setor de eletrônica por algo de novo que atraia os amantes dos aparelhos.
Mas há um lado mais sombrio, igualmente, para as empresas que fabricam os aparelhos. Se o que há de mais excitante sobre o seu celular, utilitário ou televisor são os sites a que você pode ir e os aplicativos de software que você pode baixar, o aparelho em si se torna menos importante.
Foi o que aconteceu no setor de computadores, com sua incansável pressão de preços e produtos impossíveis de distinguir. O modelo de negócios envolvido pouco tem de atraente, mesmo para os fabricantes de bens de consumo eletrônicos já acostumados a baixas margens de lucro.
"Estamos mercantilizando a nova tecnologia", diz William Wang, presidente-executivo da Vizio, que se tornou a terceira maior vendedora de televisores dos Estados Unidos, depois da Samsung e Sony. Agora que televisores de telas planas e alta definição se tornaram comuns, ele disse, "as mudanças na tecnologia não são tão dramáticas".
Outras marcas, mais estabelecidas, preferem discordar, evidentemente. Suas telas são mais finas e suas imagens mais brilhantes, de acordo com sua publicidade. Os consumidores inevitavelmente as escolherão, argumentam. E estão trabalhando no que esperam venha a ser uma nova tecnologia vitoriosa, que estava em exposição na feira de eletrônica e pode fazer com que os televisores de alta definição pareçam coisa do passado: televisão 3D.
Mesmo a Nokia, que vende mais celulares que seus três mais próximos concorrentes somados, diz que boa parte de seu futuro sucesso dependerá da venda de serviços, que variarão de música a mapas, capazes de operar em celulares.
Outra abordagem é tentar incorporar chips de computador com conexões de internet, que continuam a se tornar cada vez menores e mais baratos, a aparelhos cada vez mais incomuns. A Sony lançou um despertador conectado à internet que despertará o usuário com seus vídeos de música favoritos e previsões de trânsito para seu percurso de casa ao trabalho.
A Asustek, a grande empresa de eletrônica de Taiwan, desenvolveu um computador com tela de toque que pode ser pendurado de uma parede. Também embutiu um computador pessoal em um teclado que permite que os usuários naveguem na Internet em seus televisores. No futuro, de acordo com Jonney Shih, presidente da Asustek, tudo que existir em sua casa, até mesmo o espelho do quarto, será uma tela de computador.
Assim, enquanto os fabricantes de eletrônicos enfrentam a lentidão da economia e a concorrência incansável, podem esperar por novas formas e tamanhos para seus aparelhos.
Abaixo, excertos de algumas entrevistas com executivos importantes que participaram da feira:
Fornecer serviços via aparelhos
Por muito tempo, os celulares foram nosso negócio. Mas hardware já não é suficiente. Precisamos de muitos serviços e conteúdo, e isso é uma grande mudança para nós.
(Olli-Pekka Kallasvuo, presidente-executivo da Nokia)
Nos próximos cinco anos, ofereceremos não só hardware mas conteúdo em nossos aparelhos, de forma mais fácil e conveniente. A TV agora é interativa. O aparelho e o controle remoto serão os mesmos, mas as funções mudarão completamente.
(Jong Woo Park, presidente de mídia digital da Samsung)
Devemos esperar mais unificação - três telas (computador, celular e TV) - e uma experiência em nuvem unificada para todas elas.
(Steve Ballmer, presidente-executivo da Microsoft)
A evolução dos televisores
Pense em internet na TV como um navegador de web - que pode chegar às telas de TV em dois anos, de acordo com alguns, mas por enquanto ainda seria complexo demais.
(Reed Hastings, presidente-executivo da Netflix)
Televisão 3D. Uma grande revolução que chegará para os bens de consumo eletrônicos e na qual estamos apostando.
(Woo Hyun Paik, presidente da LG Electronics)
Em cinco anos, o conceito que vai mudar para o usuário é que ele não terá de se preocupar se seu conteúdo está no computador, no celular ou na TV, e como transferi-lo.
(Robbie Bach, presidente da divisão de entretenimento e aparelhos da Microsoft)
Mudanças na forma dos computadores
Parte maior do que vendemos será mais barato. Pode ter todas as funções de um computador, mas em escala menor. Pode ser só uma tela com um processador, pendurada em uma parede.
(Dirk Meyer, presidente-executivo da AMD)
Para tornar possível a casa digital, todas as paredes se tornarão telas, um dia. O espelho será uma tela. Você poderá assistir ao espelho.
(Jonney Shih, presidente do conselho da Asustek)
Enfrentando a recessão
Os consumidores estão gastando menos mas continuam comprando. Adiam viagens de férias mas ainda compram TVs para relaxar em casa. No ano passado, compraram laptops de US$ 1 mil; este ano comprarão laptops de US$ 500. Eles não estão comprando carros, e precisam comprar alguma coisa.
(Gilbert Fiorentino, presidente-executivo da CompUSA e TigerDirect)
Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times
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Reuters
As fabricantes prevêem novas funções para as TVs, como navegação à web, para breve
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