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 Viciados na web lotam centros de tratamento na China
20 de janeiro de 2009 16h26 atualizado às 17h27

Eles não conseguem dormir, não conseguem se concentrar e sofrem surtos de ansiedade ou depressão - e, como qualquer pessoa que sofre de um hábito destrutivo, os viciados em internet da China precisam de ajuda urgentemente.

O país mais populoso do mundo também abriga o maior número de usuários de Internet, com 298 milhões de usuários no final de 2008 -elevação de quase 42% em relação ao total do ano anterior, de acordo com o China Internet Network Information Centre.

Os problemas causados pelo uso exagerado da internet também estão em alta, especialmente entre os jovens, que formam a maior parte dos internautas chineses.

A cerca de uma hora de carro de Pequim fica o maior dos centros chineses para o tratamento dos viciados em internet, o Beijing Taoran Internet Addiction Treatment Centre, que recentemente teve de transferir 60 pacientes a uma nova unidade porque seus velhos edifícios já não comportam o grande número de novos viciados vindos de todo o país.

O tratamento consiste de terapia médica e psicológica, e não é barato: os pacientes pagam cerca de US$ 1,5 mil por mês e, se os resultados não forem satisfatórios, podem ficar internados por dois ou até três meses.

Um grande número de viciados em internet também termina encaminhado a hospitais psiquiátricos, nos quais são tratados por diversos problemas, entre os quais o distúrbio obsessivo-compulsivo.

Chen Kehan, uma dos médicas do centro, disse que os novos pacientes estão se tornando cada vez menos sociáveis, e portanto mais difíceis de atender. Alguns parecem ter perdido muitas das habilidades sociais necessárias a funcionar fora do mundo virtual.

"Nos últimos 12 meses, muito mais pessoas começaram a procurar informações sobre o nosso centro. A condição dos pacientes que recebemos também se tornou mais séria do que em anos anteriores," ela disse.

O centro foi criado por Tao Ran, antigo médico do Hospital Militar de Pequim, que passou muitos anos no Canadá estudando o combate a vícios. Ele retornou a Pequim com a esperança de mudar as atitudes da China, que não via o vício em internet como problema de saúde mental.

Reuters
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