Com o primeiro programa federal nos Estados Unidos criado para subsidiar serviços de internet banda larga em áreas rurais, o novo pacote de estímulo econômico vai criar empregos e pode conectar centenas de milhares de lares americanos.
Mas alguns questionam se o estímulo à economia não seria maior se o dinheiro fosse gasto em outras coisas.
Como o acesso à internet já está disseminado e continua em expansão mesmo numa economia em crise, injetar mais dinheiro para a banda larga poderia ser o equivalente a dar mais café a alguém que já tomou três xícaras.
"Na zona rural de Vermont, a banda larga está crescendo bem rápido", disse Michel Guite, presidente da Vermont Telephone Co., que tem sede em Springfield.
A companhia, que cuida de 21 mil linhas, consegue empréstimos de bancos comerciais quando precisa investir na expansão dos serviços, disse Guite quinta-feira em uma conferência organizada pelo Instituto Colúmbia para Tele-Informação.
Embora não vá recusar empréstimos mais baratos caso o governo os ofereça, Guite disse que o Congresso ajudaria mais sua companhia reduzindo a burocracia, particularmente no que tange ao aumento do alcance dos serviços sem fio.
O projeto de lei direciona ao setor US$ 7,2 bilhões em subsídios, empréstimos e garantias, privilegiando áreas carentes de banda larga ou com "baixo fornecimento", sem explicar como isso pode ser medido. Parte do dinheiro está reservada para expandir o acesso à internet em centros públicos como faculdades comunitárias e bibliotecas públicas.
É provável que o dinheiro não tenha muito impacto devido a seu baixo valor, representando menos de 1% da quantia total do pacote de estímulo, e substancialmente menos por cidadão do que países como Irlanda e Suécia gastaram para melhorar suas redes.
A administração Obama considera criar um plano mais amplo para expandir a banda larga a todos os EUA, disse esta semana o consultor de tecnologia Alec Ross ao jornal The Washington Post, mas não está claro se isso significaria mais subsídios.
Um possível ponto de comparação é o serviço telefônico para áreas rurais, que há muito tempo recebe subsídios de um programa que também é alvo de críticas. Um estudo de Robert Crandall, da Instituição Brookings, disse que o programa poupa US$ 2 por mês do consumidor para cada US$ 20 gastos nos subsídios mensais. Mas concordou que, quando o serviço telefônico foi estruturado, os subsídios provavelmente ajudaram.
Larry Sarjeant, vice-presidente de assuntos legislativos da Qwest Communications Internacional Inc., disse que a companhia de Denver poderia usar US$ 3 bilhões para expandir o acesso a dois milhões de lares e pequenas empresas em 14 Estados do oeste, muitos deles com poucos habitantes.
Como é provável que a Qwest não consiga uma parcela tão grande dos fundos, e que o número de residências requisitando o serviço seja menor, o resultado final seria no máximo poucas centenas de milhares de novos assinantes de internet. Sem apoios governamentais, a Qwest conseguiu 236 mil novos assinantes de banda larga no ano passado.
Em 2007 e 2008, Pew Internet e American Life Project perguntaram àqueles que não tinham banda larga por que não a assinavam. A indisponibilidade do serviço ficou em quarto lugar, resposta de 14% dos entrevistados. A maioria respondeu que não precisava de internet, que era caro demais ou difícil demais de usar. Muitos dos que não usam a internet simplesmente não possuem computadores.
Cerca de 95% das residências já podem aderir ao serviço, segundo a Associação Nacional de TV a Cabo e Telecomunicações. Mas o setor não se mostra muito aberto a dizer exatamente onde o serviço está disponível, e parte do que o pacote de estímulo deseja realizar é o mapeamento do acesso à banda larga nos EUA, alocando para isso US$ 350 milhões.
Há sinais de que a verba pode beneficiar pelo menos um pouco as áreas rurais.
Um estudo com três mil pessoas de Michigan, Texas e Kentucky descobriu que as áreas que receberam subsídios para banda larga do Serviço Público Rural, órgão federal, rapidamente cresceram em número de assinantes, se igualando aos níveis de áreas urbanas. Isso aconteceu onde os investimentos foram acompanhados de programas comunitários destinados a convencer as pessoas sobre os benefícios do acesso à internet.
Usuários residenciais de banda larga têm mais chances de iniciar um negócio ou se inscrever em um curso à distância, e menos chances de se mudar de onde vivem, descobriram os pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan.
Os efeitos positivos são difíceis de quantificar.
Raul Katz, professor da Escola de Negócios de Colúmbia, estima que o plano de banda larga criará 128 mil novos postos de trabalho em quatro anos, porque dará serviço a técnicos e fabricantes de equipamentos, que gastarão o dinheiro que faturarem. Mas ele tem menos certeza de quantos postos o acesso à internet em si criaria. Podem ser 273 mil, ou quase nenhum.
Gastar o dinheiro em projetos tradicionais de infra-estrutura criaria mais empregos diretos: 152 mil, de acordo com Katz. Isso porque uma maior parte do dinheiro ficaria nos Estados Unidos, já que a maioria dos equipamentos de telecomunicação é montada na Ásia.
Robert Atkinson, presidente do think tank apartidário Information Technology and Innovation Foundation (Fundação de Tecnologia da Informação e Inovação), acredita que é injusto exigir mais da banda larga do que de outros investimentos no plano de estímulo.
"Sabemos com certeza que isso criará empregos", disse. Todos vão ter acesso a internet em algum momento, e o estímulo é "uma ótima oportunidade" para adiantar esse momento em cinco ou 10 anos, acrescentou.
E do lado das companhias, quem se beneficia? O chefe-executivo da Qwest, Ed Mueller, disse a investidores e analistas na semana passada que haveria "algum lucro" para a companhia com o estímulo, mas que os US$ 7 bilhões se diluiriam pelos EUA.
Blair Levin, diretor gerencial e analista da corretora Stifel Nicolaus, acredita que pequenas companhias telefônicas seriam mais beneficiadas que as maiores, mas que o dinheiro não faria grande diferença.
"Não acredito que ele afetaria muito a dinâmica competitiva", disse.
Tradução: Amy Traduções
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