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Quinta, 12 de março de 2009, 08h20 Atualizada às 08h30

Anúncios direcionados do Google dão direito a privacidade

Miguel Helft

Na última quarta-feira, o Google passou a mostrar anúncios baseados nas atividades anteriores do internauta, uma forma de publicidade conhecida como targeting comportamental, já usada pela maioria de seus concorrentes, mas criticada por defensores de privacidade e alguns congressistas americanos.

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Talvez antecipando objeções à prática, o Google anunciou que o plano oferece novas maneiras dos usuários protegerem sua privacidade. De forma notável, o Google será a primeira grande companhia a dar aos usuários a habilidade de ver e editar a informação que está sendo compilada sobre seus interesses para propósitos de targeting comportamental. Como o Yahoo e outros rivais, a empresa vai dar ao internauta a opção de não ser incluído na "propaganda baseada em interesses".

Defensores de privacidade elogiaram a decisão do Google de dar aos usuários acesso aos seus perfis.

Devido à sua posição de líder em anúncios online, é muito provável que a prática pressione outras companhias a fazer o mesmo. Grupos setoriais de publicidade online disseram que isso pode ajudar a acalmar as reivindicações por regulação governamental.

Mas os defensores de privacidade também disseram que o Google precisaria fazer mais para notificar as pessoas de que estão sendo rastreadas.

"Acreditamos que é preciso fazer mais para educar as pessoas e informá-las sobre como podem optar por não ser incluídas", disse Ari Schwartz, chefe de operações do Center for Democracy and Technology (Centro para Democracia e Tecnologia).

A investida do Google no targeting comportamental pode ser o resultado mais visível até agora da integração da DoubleClick, uma companhia de tecnologia publicitária adquirida há um ano. O Google comprou a DoubleClick, usada por anunciantes e editores para gerenciar suas campanhas, com o intuito de estender seu império publicitário até os anúncios gráficos, que o gigante das buscas online entende como a melhor opção para reativar seu crescimento.

O Google vai usar um cookie, uma pequena peça textual que fica dentro de um navegador, para rastrear internautas enquanto visitam algumas das centenas de milhares de sites que anunciam pelo programa AdSense. O Google vai designar categorias a esses usuários com base no contexto das páginas que visitam. Por exemplo, um internauta pode ser classificado como um comprador de carro potencial, um entusiasta esportivo ou uma mulher grávida.

O Google vai então usar essa informação para mostrar anúncios que são relevantes a seus interesses, independentemente de quais sites estão visitando. Uma futura mamãe pode ver um anúncio sobre produtos para bebês não apenas em um site sobre maternidade, por exemplo, mas também nas páginas de esporte ou moda que usam AdSense ou no YouTube, controlado pelo Google.

O programa será testado primeiramente com algumas dezenas de anunciantes, mas os planos do Google são de estendê-lo.

O Google disse que a prática pode ajudar os anunciantes a alcançarem mais facilmente seu alvo e editores a ganharem mais com seus sites. Os usuários também verão anúncios mais relevantes aos seus interesses, disse a companhia.

O Google anunciou que planeja segmentar usuários em 20 categorias e cerca de 600 sub-categorias, e que não criaria categorias para alguns interesses "sensíveis", como raça, religião, orientação sexual ou certos tipos de preocupações financeiras ou de saúde. A companhia não planeja associar o cookie de usuários a dados de busca ou informações de outros de seus serviços, como o Gmail.

O Google não vai notificar usuários de que começou a mostrar anúncios baseados em seu comportamento, mas aqueles que clicarem no link "Ads By Google" (Anúncios pelo Google), que aparece em milhares de páginas da web, serão levados ao site onde a técnica é explicada. Lá, também poderão fazer uso do que o Google chama de Ads Preferences Manager (gerenciador de preferências de anúncios), para checar e editar as categorias que foram associadas ao seu navegador.

"Precisávamos encontrar uma forma de disponibilizar as informações", disse Nicole Wong, vice-conselheira-geral do Google. "Os usuários não sabem quantas entidades coletam dados. Eles não sabem o que acontece com eles. E não sabem o motivo do site de uma loja lhes mostrar um anúncio específico. E, mesmo se soubessem, não poderiam controlar isso."

Segundo Schwartz, a decisão do Google revela que são falsas as alegações de algumas companhias publicitárias de que fornecer aos usuários acesso a seus perfis seria muito oneroso.

A entrada do Google no targeting comportamental pode complicar a relação da companhia com websites que usam seus serviços publicitários. Muitos editores de sites relutam em fornecer informações sobre seus usuários ao Google se a companhia for usá-las para ajudar anunciantes a alcançar esses usuários enquanto visitam outros sites. Muitas redes de publicidade já fazem isso, mas o amplo alcance do Google os deixa particularmente nervosos.

Ao mesmo tempo, se o sistema de targeting comportamental dá aos sites a chance de anúncios mais caros, pode ser difícil resistir a ele.

"Isso estende ainda mais a natureza esquizofrênica da relação entre Google e editores de site", disse Rob Norman, chefe-executivo da GroupM Interaction, uma unidade do gigante da publicidade WPP.

O Google está dando a opção a esses editores de não se integrarem ao programa.

Tradução: Amy Traduções

The New York Times

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