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Tecnologia

 
 

Aparelho disfarça ruídos do ambiente para garantir o sono

16 de março de 2009 16h33

Além de embalar o sono, o Ecotone detecta e disfarça ruídos do ambiente. Foto: The New York Times

Além de embalar o sono, o Ecotone detecta e disfarça ruídos do ambiente
Foto: The New York Times

As pessoas costumavam cair no sono com a ajuda de leite quente e contando ovelhas. Atualmente, elas também podem ter a ajuda de um microprocessador.

Um novo aparelho da Adaptive Sound Technologies usa seus algoritmos para criar sons suaves para a hora de dormir. Aparelhos sonoros existem há anos, mas o Ecotones (US$ 299) acrescenta um novo elemento responsivo: quando a música está tocando e o aparelho sente um distúrbio no silêncio do quarto, ele responde imediatamente com sons adicionais de ocultamento.

Configure o mostrador para sons oceânicos, por exemplo, e ele produz sons de ondas rolando continuamente, sirenes de neblina e chamados de gaivotas. Mas se um caminhão de repente faz barulho fora do quarto, a máquina detecta o ruído e o mascara produzindo uma ou duas ondas extras batendo.

O Ecotones tem uma biblioteca de sons para camuflagens espontâneas, de murmúrio de riachos, passando por sons de grilos, até estalos de fogueira, disse Sam Nicolino, chefe-executivo da companhia de Campbell, Califórnia. O microfone incorporado detecta o som ambiente do recinto; em um décimo de segundo o software seleciona um barulho de mascaramento apropriado, e possivelmente aumenta o volume da faixa, atenuando os efeitos dos sons perturbadores.

"Enganamos o ouvido fazendo-o achar que está escutando algo agradável", disse Nicolino, engenheiro elétrico, músico amador e um obsessivo por sons, que criou o aparelho quando uma auto-estrada foi construída próxima à sua casa e ele descobriu que poderia mascarar seu ruído com os sons de ondas oceânicas.

Mary Beth Usinowicz, coordenadora de dados de uma farmacêutica que vive em São Francisco, usa seu Ecotones não para cair no sono inicialmente, mas para ajudá-la a voltar a dormir após acordar durante a noite. "Acordo normalmente às 3h da manhã", disse. "Ouço trens passando, o vento, o cão roncando."

Segundo Usinowicz, a máquina foi útil para voltar a dormir. "O som de praia funciona comigo", disse. "Acordo, ouço e volto a dormir." Ela também usa o aparelho aos fins de semana, quando trabalha em casa. "Se há barulho no outro quarto", explica, a máquina faz diferença, mascarando "o suficiente para me impedir de perder a concentração".

David N. Neubauer, diretor associado do Centro de Distúrbios do Sono Johns Hopkins em Baltimore, disse que máquinas que criam sons confortantes de fundo podem ser úteis. "Podem ser benéficas para dormir", disse, em parte por bloquear sons externos, como tráfego, e internos, como o encanamento. "E existe algo fundamentalmente tranqüilizador a respeito do ruído de fundo", disse. "Quando há silêncio absoluto, as pessoas com problemas para dormir ficam mais atentas a pequenos ruídos", e isso atrapalha para cair no sono.

Jay Littlefield, diretor de gestão de produto da Adaptive Sound Techonologies, estimou que cerca de 90% dos consumidores compram o Ecotones para seus quartos. "O restante os utiliza para mascarar ruídos no escritório ou sala de estar", afirmou.

Outra tecnologia que pode ser encontrada nos quartos de dormir é um pequeno aparelho sem fio, o Fitbit Tracker, projetado em parte para ajudar as pessoas a descobrir se estão dormindo demais, ou de menos. O Fitbit vai custar US$ 99 quando for lançado no início do verão americano, disse James Park, chefe-executivo da Fitbit Inc. em São Francisco. O pequeno aparelho também é um pedômetro que registra as calorias queimadas durante o dia.

O Fitbit usa um sensor chamado acelerômetro, também empregado no iPhone e nos controles do Wii, para rastrear movimento e, dessa forma, o sono. "Você coloca o Tracker em uma faixa de pulso" que vem com o aparelho, disse Park, e pressiona um botão para iniciar a registrar o comportamento do sono.

"Quando você acorda e o sincroniza a seu computador, ele vai lhe dizer quantos minutos você esteve acordado em comparação ao tempo desperto em que esteve na cama", disse.

O aparelho pode coletar até sete dias de dados. Uma base sem fio coleta a informação e a envia para o site da Fitbit.

Dispositivos de pulso que registram movimento são comuns em laboratórios do sono há bastante tempo, segundo David F. Dinges, chefe da divisão do sono e cronobiologia da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia. "Temos usado os aparelhos na ciência há muito tempo. Agora eles estão em transição para o mercado consumidor", disse.

Os aparelhos têm sido úteis para coletar dados, particularmente com o avanço dos chips de memória. "Você pode solicitar dados a cada dez segundos durante duas semanas", explicou, "e acabar com informações excelentes".

A Philips Respironics produz vários dispositivos de pulso sensíveis a movimento, anteriormente encontrados em laboratórios, mas agora usados por médicos do sono para tratar pacientes, disse Mark Reed, gerente de produto para a companhia de Bend, Oregon. Os dispositivos, que custam normalmente entre US$ 1 mil e US$ 1,5 mil, podem gravar um mês ou mais, disse. Pacientes também podem comprá-los com prescrição médica.

Neubauer, do John Hopkins, é a favor da tecnologia de medição da quantidade de sono das pessoas. "Deveríamos acompanhar nosso sono", defendeu. "Muitos poderiam ficar surpresos com quão pouco estão dormindo".

Tradução: Amy Traduções

The New York Times
The New York Times