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 Pacientes controlam fichas médicas pela web nos EUA
07 de abril de 2009 11h54 atualizado às 12h13

Mehmet Oz, médico do NewYork-Presbyterian Hospital, mostra o programa que traz o histórico clínico dos pacientes. Foto: The New York Times

Mehmet Oz, médico do NewYork-Presbyterian Hospital, mostra o programa que traz o histórico clínico dos pacientes
Foto: The New York Times

Registros de saúde pessoais mantidos online - mas sob o controle dos pacientes, e não dos hospitais, médicos, administradores de planos de saúde ou empregadores -, estão disponíveis há anos. No entanto, apenas uma pequena porcentagem dos norte-americanos opta por manter online suas fichas médicas, estimam analistas.

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Um grande obstáculo à adoção é a dificuldade de inserir informações úteis sobre o paciente e sobre questões médicas nas fichas pessoais. Digitar informações pessoais de saúde em um formulário online é demorado, tedioso e a probabilidade de erro é elevada.

Para superar esse desafios, nos últimos meses a Microsoft e o Google anunciaram parcerias com grandes prestadores de serviços de saúde, como a Cleveland Clinic, a Mayo Clinic ou a Kaiser Permanente, a fim de estudar sistemas que permitam transferir automaticamente informações sobre os pacientes às suas fichas médicas.

O Hospital NewYork-Presbyterian, cujos centros e clínicas respondem por cerca de 20% dos serviços de saúde prestados na cidade de Nova York, é a primeira grande instituição a avançar para além do estágio piloto, esta semana, ao começar a oferecer seus pacientes um serviço para manter fichas médicas online controladas por eles mesmos. A experiência será certamente acompanhada com atenção pelo setor.

O NewYork-Presbyterian está trabalhando com a Microsoft há mais de um ano, não apenas em questões técnicas mas também para aliviar as preocupações dos pacientes quanto à facilidade de uso. A introdução do sistema será gradual, começando pelos pacientes cardíacos, que serão informados sobre os potenciais benefícios de manter fichas médicas online quanto visitarem o hospital ou as clínicas e ambulatórios do NewYork-Presbyterian.

Os pacientes inicialmente contarão com assistência online para a inscrição e criação de senhas e acesso ao portal de registros médicos online do hospital, o myNYP.org. Mas o objetivo é ampliar a escala da introdução, ao longo dos meses. "Nós consideramos que esse sistema possa ter ampla aplicação para toda a nossa população de pacientes", disse o Dr. Steven Corwin, vice-presidente de operações do NewYork-Presbyterian.

O hospital mantém fichas médicas computadorizadas sobre seus pacientes já há anos, e Corwin diz que o uso de fichas eletrônicas para acompanhar os serviços prestados pelo sistema hospitalar propicia economia de custos e resultados de tratamento - por exemplo, uma redução nos erros de medicação - consideravelmente melhores.

Para tentar promover um avanço semelhante em todo o sistema de saúde dos Estados Unidos, o governo do presidente Barack Obama planeja investir US$ 19 bilhões nos próximos anos a fim de acelerar a adoção de registros eletrônicos sobre pacientes nos consultórios médicos e hospitais de todo o país.

O plano do governo não oferece incentivo aos pacientes para que administrem suas próprias fichas eletrônicas de saúde. Mas Corwin diz que uma ficha pessoal de saúde online "é uma ferramenta adicional poderosa para melhorar os tratamentos", e oferece também benefícios adicionais, "já que as informações estão sob controle do paciente e não ficam aprisionadas em uma instituição".

"Um benefício significativo é que as informações ganham mobilidade e o acesso aos registros de saúde online se torna mais fácil", diz o Dr. Mehmet Oz, cirurgião cardíaco no NewYork-Presbyterian. Muitos dos pacientes que atende não vivem em Nova York e são encaminhados a ele por outros médicos.

Quando chegam, diz Oz, os pacientes normalmente trazem fichas em papel bastante incompletas, e suas lembranças sobre passados tratamentos tampouco são perfeitas. Quando deixam o hospital, diz, recebem um relatório completo em papel sobre o seu tratamento, e uma lista de lembretes quanto a cuidados que precisam manter.

"O sistema baseado em registros em papel funciona na base do 'tome lá, e boa sorte'", diz Oz. "É desajeitado e perigoso". Em nível nacional, 20% dos pacientes de cirurgias cardíacas são reinternados em hospitais em prazo de 30 dias, muitas vezes por condições que poderiam ter sido prevenidas, tais como acúmulo de fluidos nos pulmões, um problema fácil de monitorar e administrar.

O registro online de saúde permite que comunicações eficientes e continuidade de tratamento sejam promovidos sem dificuldade, diz Oz. Todos os pacientes têm acesso às suas fichas, e podem conceder a parentes e a seus médicos pessoais o mesmo acesso.

Os registros médicos pessoais, afirmam os especialistas do setor, são bastante promissores, mas tudo dependerá do grau de precisão das informações que as fichas contenham. "Um sistema como aquele que o NewYork-Presbyterian está implementando representa um grande passo, mas é apenas parte da resposta", disse o Dr. David Brailer, ex-coordenador nacional de tecnologia de informação para a saúde no governo do presidente George W. Bush.

Ainda assim, Patrice Daly Cohen, 50 anos, que passou por uma cirurgia de substituição de válvulas cardíacas no NewYork-Presbyterian em fevereiro, está impressionada com os benefícios que sua ficha eletrônica pessoal de saúde pode oferecer. Ela foi uma das pacientes que participou do projeto-piloto, e, quando precisou de um relatório sobre sua operação para manter o seu clínico geral informado, só precisou recorrer ao sistema e imprimir o documento.

Quando estava se recuperando em sua casa, em West Caldwell, Nova Jersey, Cohen leu os relatórios diários sobre o que havia acontecido em seu tratamento durante a sua internação, os quais haviam sido integrados automaticamente à sua ficha pessoal de saúde online.

"Seria possível dizer que havia informação demais", ela diz. "Mas eu sou o tipo de pessoa que gosta de estar no controle. Na minha opinião, o sistema é ótimo".

Tradução: Paulo Migliacci ME.

The New York Times
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